
O que está acontecendo
A tadalafila, medicamento indicado para disfunção erétil e hiperplasia prostática benigna, virou tendência entre jovens brasileiros nas redes sociais com o apelido de “tadala”. Vídeos prometem melhora de desempenho sexual e ganho muscular quando usada como pré-treino. A ANVISA emitiu alerta de farmacovigilância alertando para os riscos cardiovasculares graves do uso sem prescrição médica.
Por que jovens sem disfunção erétil não têm ganho real
A tadalafila age inibindo a fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), o que relaxa o tecido muscular liso dos corpos cavernosos e aumenta o fluxo sanguíneo local, facilitando a ereção em homens com disfunção erétil. Esse mecanismo só produz efeito clínico significativo quando há comprometimento fisiológico do processo.
Em homens jovens sem disfunção erétil, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é categórica: a sensação de pump relatada provavelmente se deve à vasodilatação periférica transitória e representa um efeito placebo. O ganho muscular atribuído ao medicamento não tem comprovação científica em estudos clínicos controlados.
Conteúdo informativo. Nunca use medicamentos fora da indicação prescrita.
Os riscos cardiovasculares reais
O que a ANVISA e a SBU documentaram
Vejo esse movimento com preocupação real. A tadalafila passou a ser tratada como suplemento quando é um medicamento cardiovascular sério. No balcão, é pedida por jovens de 20 anos como se fosse proteína de academia. A PDE5 não existe só no tecido peniano, existe nos pulmões, nos vasos sistêmicos e no coração. Inibir essa enzima sem indicação e sem avaliação clínica em jovens que podem ter condições cardíacas não diagnosticadas é um risco real, não um exagero. Antes de qualquer uso, consulte médico.
Perguntas frequentes
Não. A SBU afirma que a sensação de pump relatada por jovens sem disfunção erétil é provavelmente vasodilatação periférica transitória e efeito placebo. Não há ganho real documentado em estudos clínicos para quem não tem disfunção erétil.
Taquicardia, alteração de pressão arterial, desmaio, perda temporária de visão ou audição, infarto, AVC e morte súbita. O risco é maior quando combinada com álcool ou nitratos. Produtos irregulares da internet têm risco adicional de dosagem incorreta e contaminação.
Sim. A ANVISA determina que tadalafila e todos os inibidores da PDE5 só podem ser vendidos com prescrição médica. Farmácias que vendem sem receita estão sujeitas a sanção sanitária.
Apenas com avaliação e prescrição médica para indicação específica. O uso recreativo sem indicação e sem avaliação clínica expõe o jovem a riscos cardiovasculares reais sem nenhum benefício comprovado.
Leia também no FarmaCerto
1. ANVISA. Alerta de Farmacovigilância sobre inibidores da fosfodiesterase tipo 5. anvisa.gov.br, setembro de 2025.
2. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Nota sobre uso recreativo de inibidores da PDE5. sbuerologia.com.br, 2025.
3. Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais. Uso recreativo: tadalafila não traz ganho real para jovens. crfmg.org.br, 2026.
Conteúdo informativo. Nunca use medicamentos sem prescrição médica.