
Anvisa aprova 5 novas canetas de semaglutida: resposta direta
Nesta quarta-feira (29/7), a Anvisa registrou 5 novos medicamentos injetáveis com semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Isso não são genéricos do Ozempic (isso nunca vai existir, explico abaixo), mas sim novos concorrentes que vão brigar por preço no mesmo mercado.
Quem são os novos registros
Os 5 medicamentos aprovados
Por que nunca vai existir “genérico do Ozempic”
Essa é a parte que a maioria das notícias não explica direito. Genérico só existe para medicamentos sintéticos (feitos por reação química). Ozempic é um medicamento biológico, produzido a partir de organismos vivos — e a lei brasileira não prevê genérico para essa categoria.
O que existe, e é isso que a Anvisa aprovou agora, são similares (ou biossimilares): versões produzidas por outros fabricantes, com a mesma molécula de semaglutida obtida por via sintética, comparadas ao produto original em estudos clínicos. Funcionam de forma equivalente, mas tecnicamente não são “genéricos”.
O que já aconteceu com o preço, na prática
A patente da semaglutida expirou em março de 2026. O primeiro similar nacional a chegar às farmácias foi o Ozivy, da EMS, em junho de 2026, custando entre R$452 e R$498 por caneta — quase metade do que se pagava pelo Ozempic original, que variava de R$900 a R$1.300.
A concorrência já forçou até a Novo Nordisk (fabricante do Ozempic) e a Eurofarma a reduzirem preços. Hoje, doses iniciais de semaglutida já são encontradas entre R$399 e R$599, dependendo da farmácia e da região.
Isso já aconteceu antes com outro medicamento da mesma família (liraglutida): quando o primeiro similar chegou ao mercado, as vendas totais da categoria cresceram 154,5% no primeiro mês. Isso mostra dois efeitos ao mesmo tempo: mais gente conseguindo pagar, e mais concorrência pressionando preço pra baixo ainda mais rápido nos meses seguintes.
Por que a Anvisa acelerou tantos registros de uma vez
Desde agosto de 2025, a Anvisa prioriza a análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida, atendendo a um pedido do Ministério da Saúde para reforçar o abastecimento do SUS e do mercado nacional, dentro do Edital de Chamamento 12/2025.
Um plano de ação com 125 iniciativas foi criado para reduzir as filas de registro. Resultado direto: 11 dos 24 medicamentos do edital já foram analisados, com 6 já aprovados no total. Hoje, 68% de todas as solicitações de registro de injetáveis para obesidade e diabetes na Anvisa já são de versões sintéticas — reflexo direto da corrida das farmacêuticas pra entrar nesse mercado antes da concorrência se acomodar.
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O que fica de recado real pra quem está no tratamento
Se você já usa Ozempic e o preço pesa no orçamento, vale conversar com seu médico sobre as novas opções similares assim que chegarem às farmácias — o histórico mostra queda real de preço, não só promessa. Mas nunca troque de medicamento por conta própria: mesmo sendo mais barato, a transição precisa ser acompanhada.
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Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todas usam semaglutida obtida por via sintética e foram registradas por comparação ao Ozempic.
Não, nunca vai existir genérico de verdade. Ozempic é um medicamento biológico (feito a partir de organismos vivos), e a lei brasileira não permite genérico dessa categoria. O que existe são “similares” ou “biossimilares”, como as 5 canetas recém-aprovadas.
A tendência é sim, com o tempo. O primeiro similar nacional (Ozivy, da EMS) chegou custando entre R$452 e R$498, quase metade do que se pagava pelo Ozempic original (R$900 a R$1.300).
O registro dessas 5 novas é especificamente para diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Para obesidade, a indicação aprovada continua sendo de Wegovy e Mounjaro.
O precedente da liraglutida ajuda a prever: quando o primeiro similar chegou, as vendas totais da categoria cresceram 154,5% no primeiro mês. Isso mostra que a concorrência real começa a pressionar preço rápido, mas de forma gradual ao longo de meses, não da noite pro dia.
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Não substitui avaliação médica ou farmacêutica individualizada.
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