
Nomes comerciais: Inderal, Propranolol EMS, Propranolol Teuto, Propranolol Biosintetica
Propranolol: resposta direta
- O que é: betabloqueador não seletivo que bloqueia os receptores beta-adrenérgicos do coração e vasos
- Para que serve: hipertensão, arritmia, angina, enxaqueca (prevenção) e tremor essencial
- Uso off-label famoso: ansiedade de desempenho, taquicardia situacional, gagueira em apresentações
- Contraindicação crítica: asma e DPOC, pois pode provocar broncoespasmo grave
- Nunca parar abruptamente: pode causar angina de rebote e infarto em cardiopatas
- Receita: tarja vermelha, receita simples
Para que serve o propranolol
O propranolol é um dos betabloqueadores mais antigos e mais usados do mundo. Bloqueia os receptores beta-1 (coração) e beta-2 (brônquios e vasos), reduzindo a frequência cardíaca, a força de contração do coração e a pressão arterial. Na cardiologia, é indicado para hipertensão arterial, arritmias, angina pectoris e prevenção de infarto. Na neurologia, é usado na prevenção de enxaqueca.
O uso mais comentado é o off-label para ansiedade de desempenho. Médicos prescrevem propranolol para pessoas que precisam falar em público, fazer provas ou apresentações e sofrem com taquicardia, tremor e suor excessivo. O propranolol bloqueia os sintomas físicos da ansiedade sem causar sedação, por isso é diferente dos benzodiazepínicos.
“Farmacêutico, posso tomar propranolol para apresentação amanhã?” A resposta depende. Se for a primeira vez, nunca tome um medicamento novo antes de um evento importante sem saber como seu corpo vai reagir. Pode causar queda de pressão, tontura ou lentidão excessiva. Sempre teste antes em uma situação de menor risco.
Contraindicações importantes
O propranolol bloqueia os receptores beta-2 dos brônquios, o que pode causar broncoespasmo grave em asmáticos e pacientes com DPOC. Essa é a contraindicação mais crítica e absoluta. Pacientes com asma que precisam de betabloqueador devem usar um betabloqueador seletivo (como atenolol ou bisoprolol), que age primariamente no coração sem efeito significativo nos brônquios.
Propranolol para ansiedade: o que o farmacêutico vê no balcão
A ansiedade de desempenho gera sintomas físicos pelo excesso de adrenalina: coração acelerado, tremor nas mãos, voz trêmula, suor frio. O propranolol bloqueia esses efeitos físicos da adrenalina sem afetar o raciocínio ou causar sonolência. Por isso músicos, atores e apresentadores usam há décadas.
Mas atenção: o propranolol não trata a ansiedade em si, apenas mascara os sintomas físicos. Para quem tem transtorno de ansiedade generalizada ou fobia social, o tratamento adequado envolve psicoterapia e, quando necessário, medicamento ansiolítico com prescrição psiquiátrica.
O efeito mais comum que vejo no balcão é o paciente reclamar que o coração ficou “lento demais”. A frequência cardíaca ideal em repouso é entre 60 e 100 bpm. Com propranolol, valores de 50 a 60 bpm são esperados e normais em pacientes em tratamento. Abaixo de 50, o médico precisa ser avisado para avaliar ajuste de dose.
Como tomar propranolol
A dose e a frequência variam muito conforme a indicação. Para hipertensão, geralmente 2 a 3 vezes ao dia com doses de 40 a 160 mg. Para prevenção de enxaqueca, doses menores 1 a 2 vezes ao dia. Para ansiedade de desempenho off-label, dose única de 10 a 40 mg 30 a 60 minutos antes do evento.
Nunca parar propranolol abruptamente: em pacientes com angina ou pós-infarto, a retirada brusca pode causar angina de rebote, infarto ou morte súbita. A suspensão deve ser gradual com redução progressiva da dose ao longo de 1 a 2 semanas.
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Perguntas Frequentes
Hipertensão, arritmia, angina, prevenção de enxaqueca e tremor essencial. Off-label: ansiedade de desempenho e taquicardia situacional.
Sim, off-label. Bloqueia os sintomas físicos da ansiedade como taquicardia e tremor. Não trata a ansiedade em si. Requer prescrição médica.
Não. Contraindicação absoluta. O propranolol bloqueia os receptores beta-2 dos brônquios e pode causar broncoespasmo grave. Asmáticos que precisam de betabloqueador devem usar seletivos como atenolol.
Não. A retirada abrupta em cardiopatas pode causar angina de rebote e infarto. A suspensão deve ser gradual com orientação médica.
Sim. Reduzir a frequência cardíaca é parte do mecanismo de ação. Valores de 50 a 60 bpm em repouso são esperados. Abaixo de 50, avisar o médico.
Propranolol é não seletivo, age em coração e brônquios. Atenolol é seletivo, age primariamente no coração. Para asmáticos, o atenolol é mais seguro.
1. ANVISA. Bula propranolol. 2024.
2. Prichard BNC. Propranolol: a pharmacological review. Heart. 1992.
3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Hipertensão. 2020.
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada.
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