
Nomes comerciais: Amytril, Tryptanol, Amitriptilina EMS, Amitriptilina Teuto
Amitriptilina: resposta direta
- O que é: antidepressivo tricíclico com ação também analgésica e sedativa
- Para que serve: depressão, dor neuropática, fibromialgia, prevenção de enxaqueca, insônia crônica
- Dose para dor: geralmente 10 a 25 mg, muito menor que a dose antidepressiva (75 a 150 mg)
- Tomada: à noite, pois causa sonolência
- Efeito colateral mais frequente: boca seca, sonolência, constipação, ganho de peso
- Interação crítica: não combinar com ISRS, IRSN ou IMAO sem avaliação médica
- Receita: tarja preta (C1), receita de controle especial com retenção
Atenção à classificação: a amitriptilina é antidepressivo da lista C1 da Portaria 344/98. Exige receita de controle especial (tarja preta) com retenção na farmácia.
Para que serve a amitriptilina
A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico (ATC), uma das classes mais antigas de antidepressivos. Age bloqueando a recaptação de serotonina e noradrenalina, além de ter efeito anticolinérgico e anti-histamínico, o que explica a sedação e os efeitos colaterais de boca seca.
Como antidepressivo, foi amplamente substituída pelos ISRS como sertralina e escitalopram, que têm melhor perfil de efeitos colaterais. Mas a amitriptilina mantém indicações importantes onde os ISRS são menos eficazes: dor neuropática, fibromialgia e prevenção de enxaqueca.
Todo dia alguém chega com receita de amitriptilina 10 mg perguntando “eu tenho depressão?”. Na maioria das vezes, não. O médico prescreveu para dor neuropática ou enxaqueca. A amitriptilina em doses baixas tem ação analgésica independente da ação antidepressiva. A dose para dor (10 a 25 mg) é muito menor que a dose para depressão (75 a 150 mg).
Amitriptilina para dor: como funciona
Na dor neuropática, a amitriptilina age em vias descendentes inibitórias de dor na medula espinal, reduzindo a transmissão dos sinais de dor. Esse efeito aparece com doses menores que as antidepressivas e em 1 a 2 semanas, antes do efeito antidepressivo completo. Por isso é usada em neuropatia diabética, fibromialgia, dor pós-herpética e dor crônica em geral.
Efeitos colaterais
Os efeitos anticolinérgicos são os mais frequentes e derivam do bloqueio de receptores muscarínicos no organismo. Boca seca, constipação, retenção urinária, visão turva e taquicardia são esperados, especialmente no início. A sedação é intensa, por isso a tomada é sempre à noite.
Interações perigosas
A amitriptilina tem interação grave com ISRS como sertralina e fluoxetina, podendo causar síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal com agitação, hipertermia, taquicardia e convulsões. A combinação com álcool potencializa a sedação de forma perigosa. Com IMAO (inibidores da monoamino oxidase), a combinação é contraindicada.
A amitriptilina bloqueia receptores histamínicos H1, o que estimula o apetite e favorece ganho de peso. Em doses antidepressivas, é um dos antidepressivos com maior associação com ganho de peso. Em doses baixas para dor, o efeito no peso é menor mas existe. Quem tem preocupação com peso pode conversar com o médico sobre alternativas como pregabalina para dor neuropática.
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Perguntas Frequentes
Depressão, dor neuropática, fibromialgia, prevenção de enxaqueca e insônia crônica. A dose para dor é muito menor que a dose antidepressiva.
Causa sonolência intensa por efeito anti-histamínico. Tomar à noite aproveita esse efeito para melhorar o sono e evita que prejudique as atividades do dia.
Sim. Bloqueia receptores H1 que regulam o apetite. Em doses antidepressivas, é um dos antidepressivos com maior associação com ganho de peso.
Combinação de risco. Pode causar síndrome serotoninérgica. Só com prescrição médica consciente e monitoramento rigoroso.
Com ressalvas. Está na lista de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos por risco de quedas, confusão mental e retenção urinária.
1 a 2 semanas para dor neuropática. Para depressão, 3 a 6 semanas. O efeito na insônia costuma aparecer já na primeira dose.
1. ANVISA. Bula amitriptilina. 2024.
2. Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain. Lancet Neurol. 2015.
3. American Geriatrics Society. Beers Criteria. 2023.
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada.
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