Laudo de TDAH: Quem Pode Emitir, Como Conseguir e Para Que Serve

TDAH · Diagnóstico e documentos
Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Laudo de TDAH, direto ao ponto

O laudo de TDAH não é um documento único. O diagnóstico é feito pelo médico, em geral psiquiatra, neurologista ou pediatra, segundo o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde (Portaria Conjunta nº 14/2022). Já o laudo psicológico ou neuropsicológico é emitido por psicóloga ou psicólogo, conforme a Resolução CFP nº 06/2019, e descreve os resultados da avaliação que apoia esse diagnóstico.

  1. Quem diagnostica: médico, em avaliação clínica e psicossocial completa
  2. Quem emite o laudo psicológico: psicóloga ou psicólogo, depois de um processo de avaliação
  3. Como conseguir: consulta médica e, quando indicada, avaliação neuropsicológica, no particular ou pelo SUS
  4. Para que serve: orientar o tratamento e apresentar à escola, ao trabalho ou a uma banca quando houver pedido formal
  5. O que não existe: laudo comprado, laudo sem avaliação e teste online com valor de diagnóstico

Fontes: Ministério da Saúde, PCDT do TDAH e Conselho Federal de Psicologia, Resolução nº 06/2019.

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A triagem gratuita leva poucos minutos. Ela não é diagnóstico e não gera laudo: serve para você decidir o próximo passo.

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Quem procura por “laudo de TDAH” quase sempre precisa entregar um papel para alguém: a escola do filho, o RH, uma banca de concurso, o médico que vai acompanhar o tratamento. O problema é que a palavra “laudo” é usada no dia a dia para vários documentos diferentes, assinados por profissionais diferentes. Entender qual deles pediram a você evita gastar tempo e dinheiro com o documento errado.

Quem pode dar laudo de TDAH?

O médico conduz o diagnóstico e o psicólogo emite o laudo psicológico da avaliação. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do TDAH, aprovado pela Portaria Conjunta nº 14, de 29 de julho de 2022, afirma que o diagnóstico deve ser realizado por médico psiquiatra, pediatra ou outro profissional de saúde, como neurologista ou neuropediatra, depois de uma avaliação clínica e psicossocial completa.

Do lado da psicologia, a Resolução CFP nº 06/2019 lista cinco modalidades de documento psicológico (declaração, atestado, relatório, laudo e parecer) e define o laudo como “o resultado de um processo de avaliação psicológica, com finalidade de subsidiar decisões relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda”. Na conclusão, o laudo pode trazer hipótese diagnóstica ou diagnóstico, desde que com base técnica e científica.

O próprio CFP esclarece, no Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (2025), que o diagnóstico psicológico citado no atestado psicológico não corresponde a diagnóstico nosológico, e sim à descrição do estado psicológico avaliado. Na prática, os dois trabalhos se somam: o laudo psicológico mostra como estão atenção, memória e funções executivas, e o médico usa esse material, junto com a história clínica, para concluir o diagnóstico e definir o tratamento.

DocumentoQuem emiteO que o documento atestaNorma
Relatório médico (circunstanciado ou especializado)Médico que atende o pacienteQuadro clínico, diagnóstico, tratamento indicado e evolução. O CID entra quando o paciente autoriza de forma expressaResolução CFM nº 2.381/2024
Atestado médicoMédicoDocumento simplificado sobre o atendimento, a condição de saúde ou o afastamentoResolução CFM nº 2.381/2024
Laudo médicoMédicoDescrição e conclusão sobre um exame complementar realizadoResolução CFM nº 2.381/2024
Laudo psicológico (pode ter o subtítulo “Avaliação neuropsicológica”)Psicóloga ou psicólogoProcedimentos, análise e conclusão de um processo de avaliação psicológica, com hipótese diagnóstica ou diagnóstico de base técnica e científicaResolução CFP nº 06/2019, art. 13
Relatório psicológicoPsicóloga ou psicólogoO trabalho realizado ou em andamento, com orientações e encaminhamentos. Não tem a finalidade de produzir diagnóstico psicológicoResolução CFP nº 06/2019, art. 11
Atestado psicológicoPsicóloga ou psicólogoCertifica, de forma resumida, uma situação, estado ou funcionamento psicológico verificado em avaliaçãoResolução CFP nº 06/2019, art. 10
Declaração psicológicaPsicóloga ou psicólogoComparecimento e acompanhamento. É vedado registrar sintomas ou estados psicológicosResolução CFP nº 06/2019, art. 9

Fontes: Resolução CFM nº 2.381/2024 e Resolução CFP nº 06/2019 comentada.

Qual a diferença entre laudo médico, laudo psicológico, relatório e atestado?

A diferença está em quem assina e no que o documento descreve. Um detalhe pouco conhecido: pela Resolução CFM nº 2.381/2024, que normatiza os documentos médicos, “laudo médico” é a descrição e conclusão do médico sobre um exame complementar. O documento em que o médico registra diagnóstico, tratamento e evolução do paciente se chama relatório médico. Quando uma escola ou empresa pede “laudo médico de TDAH”, o que o médico costuma entregar é, tecnicamente, um relatório ou um atestado.

Na psicologia, a diferença entre laudo e relatório é a finalidade. O laudo nasce de um processo de avaliação psicológica e detalha procedimentos, análise e conclusão. O relatório comunica o trabalho que a psicóloga vem fazendo, como uma psicoterapia, e não tem a finalidade de produzir diagnóstico. O atestado é curto: certifica a conclusão sem expor todo o raciocínio técnico. E a declaração só confirma comparecimento ou acompanhamento.

Orientação do farmacêuticoAntes de marcar qualquer consulta, pergunte a quem pediu o documento exatamente o que precisa constar nele e quem deve assinar. Escola, empresa e banca de concurso usam a palavra “laudo” para coisas diferentes. Leve esse pedido por escrito ao profissional: isso evita refazer documento.

Como conseguir laudo de TDAH no particular?

O caminho particular tem duas frentes que se completam: a consulta médica e, quando indicada, a avaliação neuropsicológica. Não existe ordem obrigatória entre elas.

1

Organize o histórico

O protocolo do Ministério da Saúde pede que os sintomas apareçam em mais de um contexto e causem prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou profissional. Separe boletins antigos, relatos de familiares e exemplos concretos do trabalho e de casa. Se a dúvida ainda é saber se os sinais batem, o guia sobre como saber se você tem TDAH ajuda a organizar o que observar.

2

Consulte o médico

Psiquiatra, neurologista ou, para crianças, pediatra ou neuropediatra. É ele quem faz a avaliação clínica, investiga outras causas para os sintomas e, se for o caso, emite o relatório médico e define o tratamento. A prescrição de medicamento, quando indicada, é ato médico: laudo psicológico não substitui receita.

3

Faça a avaliação neuropsicológica quando houver indicação

O médico pode solicitar a avaliação, ou você pode procurá-la diretamente. O PCDT do TDAH registra que os testes psicológicos são frequentemente úteis porque ajudam a determinar componentes específicos do funcionamento cognitivo.

4

Receba o laudo na devolutiva

A Resolução CFP nº 06/2019 determina que o laudo seja entregue em entrevista devolutiva, com assinatura e número de inscrição profissional da psicóloga, e que as páginas sejam numeradas e rubricadas.

5

Leve o laudo ao médico

Com o laudo em mãos, o médico integra os resultados à avaliação clínica, conclui o diagnóstico e emite o documento médico que a instituição pediu.

Como conseguir laudo de TDAH pelo SUS?

Pelo SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde. O protocolo do Ministério da Saúde define que a porta de entrada para o cuidado em saúde mental são os serviços da Atenção Primária à Saúde, os CAPS e os serviços de urgência.

  1. Marque consulta na UBS do seu bairro e relate os sintomas e os prejuízos no dia a dia.
  2. A equipe avalia e, se necessário, encaminha para o serviço especializado disponível na rede do município.
  3. O diagnóstico é feito em avaliação clínica e psicossocial, e o médico do serviço emite o documento médico correspondente.
  4. A oferta de avaliação neuropsicológica varia conforme a rede local. Pergunte na unidade o que existe na sua cidade.

O passo a passo completo, com o que o SUS oferece e o que não oferece, está no artigo sobre diagnóstico de TDAH pelo SUS.

O que a avaliação neuropsicológica acrescenta ao laudo?

A avaliação neuropsicológica transforma a queixa em um mapa do funcionamento cognitivo: atenção, memória, funções executivas e outros domínios, comparados com padrões de referência. É esse detalhamento que ajuda o médico a diferenciar TDAH de outras condições que também prejudicam a concentração.

  • Tempo: costuma levar de 8 a 10 sessões em média, variando conforme o caso. Não é um teste único de uma tarde.
  • Laudo assinado: o documento final é um laudo psicológico, com identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências, como exige a Resolução CFP nº 06/2019.
  • Sessão de devolutiva: a norma obriga ao menos uma entrevista devolutiva para a entrega do laudo. É o momento de entender os resultados e os próximos passos.
  • Validade indicada no próprio documento: o prazo de validade do conteúdo vem escrito no último parágrafo do laudo.

Cada etapa está explicada em detalhe no artigo sobre como funciona a avaliação neuropsicológica.

Thays Gomes Gama, psicóloga clínica e neuropsicóloga CRP 24/03693
Thays Gomes GamaPsicóloga clínica e neuropsicóloga · CRP 24/03693

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Quanto custa um laudo de TDAH?

O laudo não é vendido como um papel avulso: o valor corresponde a todo o processo de avaliação, que envolve as sessões, a correção e a análise dos resultados, a redação do documento e a devolutiva. Por isso o preço varia conforme o número de sessões necessárias, a cidade e o profissional. Não há tabela oficial única que possamos citar aqui, e por isso este artigo não traz valores. Peça o orçamento completo antes de começar e confirme se a devolutiva e o laudo estão incluídos.

Para a faixa de preço praticada no Brasil, veja quanto custa a avaliação neuropsicológica.

Laudo não se compraOferta de “laudo de TDAH em uma consulta”, “laudo garantido” ou documento emitido sem avaliação é sinal de alerta. Pela Resolução CFP nº 06/2019, o profissional só pode atestar o que verificou no processo de avaliação. E vídeos ou questionários de internet não substituem esse processo, como mostramos no artigo sobre os riscos do autodiagnóstico de TDAH pelas redes sociais.

Para que serve o laudo de TDAH?

O laudo serve, antes de tudo, para orientar o cuidado. Os outros usos dependem de quem pede o documento e da regra de cada instituição. Ter um laudo não garante, sozinho, nenhum benefício.

  • Acompanhamento médico: o laudo psicológico dá ao médico uma base objetiva para concluir o diagnóstico, escolher o tratamento e comparar a evolução ao longo do tempo.
  • Escola: a Lei nº 14.254/2021 determina que o poder público mantenha programa de acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, incluindo identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico e apoio educacional. O texto da lei não menciona laudo como condição para esse acompanhamento, mas o documento ajuda a escola a entender a necessidade do aluno. Veja como conversar com a escola sobre o TDAH do seu filho.
  • Trabalho: o documento pode embasar a conversa com o médico do trabalho ou com o RH sobre ajustes na rotina. O que a empresa vai aceitar depende das regras internas e da avaliação de quem recebe o pedido.
  • Concurso e provas: cada edital define se aceita pedido de condição especial, qual documento exige e de qual profissional. Leia o edital antes de solicitar o laudo, para pedir o documento certo.
  • Enquadramento como pessoa com deficiência: é um tema à parte, com regras próprias, que explicamos no artigo TDAH é PCD?.
Orientação do farmacêuticoGuarde cópia de tudo: relatório médico, laudo psicológico e receitas. O laudo descreve o seu funcionamento, mas quem define e ajusta o tratamento é o médico, em consultas de acompanhamento. Se o diagnóstico vier, não use medicamento de outra pessoa nem ajuste dose por conta própria.

Perguntas Frequentes

Depende do documento. O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde (Portaria Conjunta nº 14/2022) diz que o diagnóstico deve ser realizado por médico psiquiatra, pediatra ou outro profissional de saúde, como neurologista ou neuropediatra. Já o laudo psicológico, que descreve os resultados da avaliação, é emitido por psicóloga ou psicólogo, conforme a Resolução CFP nº 06/2019.
Sim, o laudo psicológico. A Resolução CFP nº 06/2019 define o laudo como resultado de um processo de avaliação psicológica e permite que ele traga hipótese diagnóstica ou diagnóstico com base técnica e científica. Na avaliação neuropsicológica, o documento pode levar o subtítulo “Avaliação neuropsicológica”. Esse laudo apoia o médico, que conduz o diagnóstico clínico e o tratamento.
O caminho começa na Unidade Básica de Saúde. Segundo o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para TDAH, a porta de entrada do cuidado em saúde mental são os serviços da Atenção Primária, os CAPS e os serviços de urgência. A partir da consulta, a equipe avalia e encaminha para o serviço especializado disponível no município.
O laudo psicológico traz o prazo de validade indicado pelo próprio profissional no último parágrafo, como determina o artigo 17 da Resolução CFP nº 06/2019. A norma não fixa um prazo único: a validade considera as regras da área em que o documento será usado e a natureza do que foi avaliado. Quem recebe o documento, como escola ou banca, pode ter exigência própria.
Não. Teste online é triagem: indica se vale a pena procurar avaliação. O Protocolo do Ministério da Saúde prevê avaliação clínica e psicossocial completa, e as escalas entram apenas como apoio para dar mais rigor. Laudo psicológico só existe depois de um processo de avaliação conduzido por profissional habilitado.
Na psicologia, o laudo resulta de um processo de avaliação e detalha procedimentos, análise e conclusão. O relatório descreve o trabalho realizado e não tem a finalidade de produzir diagnóstico psicológico. O atestado certifica de forma resumida uma situação ou estado psicológico. Na medicina, a Resolução CFM nº 2.381/2024 chama de laudo médico a descrição e conclusão sobre exame complementar e de relatório médico o documento com diagnóstico e tratamento.
Não obrigatoriamente. No laudo psicológico, o uso da CID ou do DSM fica a critério do profissional, segundo a Resolução CFP nº 06/2019. No relatório médico circunstanciado, a Resolução CFM nº 2.381/2024 prevê o diagnóstico com CID quando expressamente autorizado pelo paciente. Se a instituição que pediu o documento exigir o código, avise o profissional antes.
Laudo não se compra. Pela Resolução CFP nº 06/2019, o laudo psicológico é o resultado de um processo de avaliação, e o profissional só pode atestar o que verificou nesse processo. Uma avaliação neuropsicológica costuma levar de 8 a 10 sessões em média. Oferta de laudo pronto, sem avaliação, é sinal de alerta.

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