
Nomes comerciais: Zentel (GSK), Alben, Albezon, Vermizol, albendazol genérico (EMS, Teuto, Prati-Donaduzzi, Geolab)
Vídeo do Farmacêutico Wagner
Albendazol: as respostas que você veio buscar
- Para que serve: trata lombriga, oxiúro, ancilostomídeo, giárdia e outras verminoses intestinais
- Dose adulto e criança acima de 2 anos: 400mg em dose única (1 comprimido ou 10ml suspensão)
- Quando tomar: com alimento gorduroso — aumenta a absorção do remédio
- Os vermes saem vivos? Podem sair ainda se movendo, mas estão morrendo. É sinal que funcionou.
- Pode beber álcool? Melhor evitar — álcool prejudica a imunidade e a recuperação
- Na gravidez: contraindicado, especialmente no primeiro trimestre
- A lua importa? Não. Não há evidência científica nenhuma para isso
- Segunda dose: para oxiúros, repetir após 2 semanas
- Receita: tarja vermelha com retenção obrigatória (RDC 20/2011)
Para que serve o albendazol
O albendazol é um anti-helmíntico benzimidazólico de amplo espectro indicado para o tratamento de diversas verminoses intestinais. Segundo a bula aprovada pela ANVISA, as indicações incluem: Ascaris lumbricoides (lombriga), Enterobius vermicularis (oxiúro), Necator americanus e Ancylostoma duodenale (ancilostomídeos), Trichuris trichiura (tricocéfalo), Strongyloides stercoralis, Taenia spp., Hymenolepis nana, larva migrans cutânea e giardíase em crianças.
No balcão da farmácia, as dúvidas mais comuns chegam sobre a lombriga e o oxiúro, que são os parasitas mais prevalentes no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo têm infecção por helmintos transmitidos pelo solo, sendo as crianças em idade escolar o grupo mais afetado.
Como funciona o albendazol no corpo
O albendazol age por dois mecanismos simultâneos. Primeiro, bloqueia a absorção de glicose pelo parasita, privando-o de energia. Segundo, inibe a formação dos microtúbulos, que são estruturas essenciais para o citoesqueleto e para a divisão celular do verme. Sem energia e sem estrutura, o parasita primeiro é paralisado e depois morre progressivamente ao longo de horas ou dias.
Esse mecanismo explica por que os vermes não morrem instantaneamente e por que alguns saem ainda com movimentos residuais nas fezes. Quando metabolizado, o albendazol se transforma em sulfóxido de albendazol, o metabólito ativo responsável pelo efeito terapêutico. Tomar o medicamento com alimento gorduroso, como leite integral ou queijo, aumenta a absorção do sulfóxido em até 5 vezes em comparação ao jejum, conforme estudo publicado no British Journal of Clinical Pharmacology.
Todo dia alguém pergunta se pode tomar albendazol em jejum. A resposta é: pode, mas a eficácia cai. O sulfóxido de albendazol é lipossolúvel, precisa de gordura para ser absorvido pelo intestino. Tomar com leite integral, um iogurte ou uma fatia de queijo não é preferência, é farmacologia básica. A diferença de absorção pode ser de até 5 vezes.
Como tomar albendazol: dose completa por faixa etária
| Faixa etária | Dose | Apresentação | Frequência |
|---|---|---|---|
| Abaixo de 1 ano | Não usar | Contraindicado | Contraindicado |
| 1 a 2 anos | 200mg | 5ml de suspensão | Dose única, com orientação médica |
| Acima de 2 anos e adultos | 400mg | 1 comprimido OU 10ml suspensão | Dose única |
| Oxiúro (qualquer idade acima de 2 anos) | 400mg | 1 comprimido | Dose única + repetir em 2 semanas |
| Neurocisticercose | 15mg/kg/dia | Conforme prescrição | Ciclos de 28 dias (uso hospitalar) |
Os vermes saem vivos depois do albendazol?
Essa é a dúvida que mais aparece nos comentários do vídeo sobre albendazol no YouTube e que gerou quase 1 milhão de visualizações no TikTok. A resposta depende do tipo de verme.
Lombrigas (Ascaris lumbricoides), que podem ter de 10 a 35 cm, podem sair ainda com movimentos residuais nas fezes entre 1 e 3 dias após a dose. Isso acontece porque o albendazol paralisa o verme primeiro, bloqueando sua absorção de glicose, e só depois ele morre completamente. O movimento que você vê é reflexo muscular de um parasita fatalmente comprometido, não sinal de que o remédio não funcionou.
Oxiúros são pequenos (5 a 13mm) e podem aparecer nas fezes como fios finos brancos ou passar despercebidos. Parasitas microscópicos como Giardia jamais são visíveis a olho nu. Ver vermes nas fezes é confirmação de que havia infestação e que está sendo eliminada. Não ver vermes também não significa falha do tratamento: muitos são digeridos pelo próprio intestino antes de serem eliminados. Para entender mais detalhes sobre cada tipo, veja o artigo os vermes saem vivos ou mortos depois do albendazol.
Albendazol e álcool: pode beber?
Diferente do que muitos pensam, não há interação farmacológica grave comprovada entre albendazol e álcool. O albendazol não causa a reação disulfiram-like que o metronidazol causa com álcool. No entanto, o álcool compromete o sistema imunológico, aumenta a permeabilidade intestinal e prejudica a resposta inflamatória contra os parasitas. Para uma infecção que já está sendo tratada, o álcool pode atrasar a recuperação. A orientação padrão é evitar bebida alcoólica durante o período de tratamento.
Albendazol na gravidez
Contraindicado. O albendazol mostrou efeito teratogênico em estudos com animais (ratos e coelhos), causando malformações fetais em doses terapêuticas. Embora não existam estudos controlados em humanos por razões éticas óbvias, a precaução é total: o medicamento é classificado como categoria C pelo FDA e sua bula proíbe uso em gestantes. Mulheres em idade fértil devem fazer teste de gravidez antes de iniciar o tratamento. Para verminoses durante a gravidez, o médico avalia alternativas caso a caso. Para mais detalhes sobre uso durante a gestação e alternativas, veja a análise completa em albendazol: guia completo do farmacêutico.
Qual a melhor lua para tomar albendazol?
Não existe evidência científica de nenhum tipo que suporte a teoria de que a fase lunar interfere na eficácia do albendazol ou no comportamento dos vermes intestinais. Essa crença popular é amplamente difundida no Brasil, especialmente em regiões rurais, mas não tem base farmacológica nem biológica comprovada. O albendazol age por mecanismo bioquímico no intestino, bloqueando enzimas do parasita, e esse mecanismo não é influenciado pela posição da lua. Tome albendazol quando o médico ou farmacêutico recomendar, em qualquer fase lunar. Para ver a análise completa com as explicações de por que essa crença persiste, leia o artigo qual lua tomar albendazol.
O melhor horário para tomar albendazol
Não existe um horário farmacologicamente superior. O que importa é tomar com alimento gorduroso para maximizar a absorção. Se for mais fácil tomar pela manhã no café da manhã, tome pela manhã. Se for mais fácil no almoço, tome no almoço. O que aumenta a eficácia é a gordura da refeição, não o horário. Para ver a discussão completa com as teorias populares sobre horário, veja o artigo melhor horário para tomar albendazol.
Albendazol antes ou depois do almoço?
Junto com o almoço ou logo após, se a refeição tiver gordura. O objetivo é aproveitar a bile que é secretada durante a digestão de gorduras para aumentar a solubilização e absorção do sulfóxido de albendazol. Não tem diferença entre antes ou depois, desde que seja junto com a refeição gordurosa. Tomar em jejum reduz significativamente a absorção. Para mais detalhes, acesse o artigo completo sobre albendazol antes ou depois do almoço.
Segunda dose de albendazol: quando é necessária
Para a maioria das verminoses tratadas com albendazol, uma dose única de 400mg é suficiente. A exceção mais comum é o oxiúro (Enterobius vermicularis), um verme que tem ciclo de vida rápido e cujos ovos sobrevivem fora do hospedeiro por até 2 semanas. A primeira dose elimina os vermes adultos, mas não os ovos. A segunda dose, feita 2 semanas após a primeira, elimina a nova geração que eclodiu dos ovos sobreviventes. Para infestações intensas ou recorrentes, o médico pode recomendar esquemas mais longos. Para neurocisticercose ou hidatidose, o esquema é completamente diferente e envolve ciclos de 28 dias.
Quem não pode tomar albendazol
- Gestantes: contraindicação absoluta, especialmente no primeiro trimestre
- Crianças abaixo de 1 ano: contraindicado
- Hipersensibilidade ao albendazol: reação alérgica prévia ao medicamento
- Doença hepática grave: o albendazol é metabolizado no fígado; hepatopatia grave exige avaliação médica
Efeitos colaterais do albendazol
Em dose única para verminoses simples, os efeitos colaterais são raros e leves. Os mais relatados incluem dor abdominal leve, náusea, diarreia e cefaleia transitória. Esses efeitos geralmente aparecem nas primeiras horas após a tomada e regridem sozinhos. Em tratamentos prolongados para parasitoses teciduais, como neurocisticercose, os efeitos são mais frequentes e podem incluir elevação de enzimas hepáticas, leucopenia e alopecia reversível.
Interações medicamentosas do albendazol
Segundo a bula aprovada pela ANVISA, as interações mais relevantes do albendazol incluem:
- Cimetidina, praziquantel e dexametasona: aumentam os níveis plasmáticos do sulfóxido de albendazol, podendo intensificar efeitos e toxicidade
- Ritonavir, fenitoína, carbamazepina e fenobarbital: reduzem as concentrações plasmáticas do metabólito ativo, podendo diminuir a eficácia do tratamento
Na prática do balcão, a interação mais relevante para o paciente comum é com medicamentos antiepilépticos. Quem usa fenitoína ou carbamazepina pode precisar de dose ajustada ou avaliação médica antes de tomar albendazol.
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Trata verminoses intestinais: lombriga (Ascaris), oxiúro (Enterobius), ancilostomídeo, tricocéfalo, Strongyloides, Taenia e Giardia em crianças. É anti-helmíntico benzimidazólico aprovado pela ANVISA.
400mg em dose única, adultos e crianças acima de 2 anos. Tomar com alimento gorduroso (leite, queijo) aumenta a absorção em até 5 vezes. Comprimido mastigável ou 10ml da suspensão são equivalentes.
Podem sair ainda com movimentos residuais, especialmente lombrigas. Mas estão paralisados e morrendo. Ver vermes nas fezes é sinal que o remédio funcionou, não que falhou.
Não. Contraindicado especialmente no primeiro trimestre pelo risco de malformações fetais. Mulheres em idade fértil devem fazer teste de gravidez antes do uso.
Não há interação grave comprovada, mas o álcool compromete a imunidade e prejudica a recuperação. Evitar durante o tratamento é a recomendação mais segura.
Não. Não existe evidência científica de nenhum tipo que suporte essa crença popular. Tome quando o médico ou farmacêutico recomendar, em qualquer fase lunar.
Acima de 2 anos: 400mg (dose única). Entre 1 e 2 anos: 200mg com orientação médica. Abaixo de 1 ano: contraindicado. A dose não varia por peso acima dos 2 anos.
Para oxiúros: sim, repetir após 2 semanas. Para outras verminoses: geralmente não. Para oxiúros, tratar toda a família ao mesmo tempo é fundamental para evitar reinfestação.
Sim. É medicamento de tarja vermelha com retenção obrigatória da receita, regulado pela RDC 20/2011 da ANVISA. Não é medicamento controlado pela Portaria 344.
1. ANVISA. Bula albendazol 400mg comprimido e 40mg/mL suspensão. Brasília: ANVISA, 2024.
2. World Health Organization. Soil-transmitted helminthiases fact sheet. Genebra: OMS, 2023.
3. Horton J. Albendazole: a review of anthelmintic efficacy and safety in humans. Parasitology. 2000;121(Suppl):S113-S132.
4. Dayan AD. Albendazole, mebendazole and praziquantel: review of non-clinical toxicity and pharmacokinetics. Acta Tropica. 2003;86(2):141-159.
5. Sinniah B, Sinniah D. The anthelmintic effects of pyrantel pamoate, oxantel-pyrantel pamoate, levamisole and mebendazole in the treatment of intestinal nematodes. Annals of Tropical Medicine and Parasitology. 1983;77(5):511-522.
6. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Controle de Verminoses. Brasília: MS, 2022.
7. ANVISA. RDC 20/2011 — Dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos. Brasília: ANVISA, 2011.
8. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Doenças tropicais negligenciadas: helmintíases transmitidas pelo solo. Washington: OPAS, 2023.
9. Bethony J et al. Soil-transmitted helminth infections: ascariasis, trichuriasis, and hookworm. The Lancet. 2006;367(9521):1521-1532.
10. Keiser J, Utzinger J. Efficacy of current drugs against soil-transmitted helminth infections. JAMA. 2008;299(16):1937-1948.
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada. Em caso de dúvida, consulte seu farmacêutico ou médico.