ANVISA Aprova Ozivy: Primeira Semaglutida Nacional Após Fim da Patente da Novo Nordisk

ANVISA Aprova Ozivy: Primeira Semaglutida Nacional Após Fim da Patente da Novo Nordisk

Por Wagner Fernandes, CRF-RO 4509 · 26 de maio de 2026

🔴 Notícia, Hoje, 26/05/2026
Wagner Fernandes CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 4509 Fundador do FarmaCerto · 4 anos como RT da maior rede farmacêutica da América Latina · RT Hospitalar

O que mudou hoje com a aprovação do Ozivy

  • O que é: Ozivy é a primeira semaglutida nacional aprovada pela ANVISA, fabricada pela EMS
  • Quando: aprovação publicada hoje, 26 de maio de 2026
  • Por que agora: a patente da Novo Nordisk expirou em março de 2026 por decisão do STJ
  • É genérico do Ozempic? Não exatamente, foi aprovado como “medicamento novo” por desenvolvimento abreviado
  • O preço vai cair? A tendência é sim, gradualmente, com mais concorrentes entrando no mercado
  • Já está nas farmácias? Ainda não, a aprovação é o primeiro passo; distribuição leva tempo

A notícia: ANVISA aprova o Ozivy

A ANVISA aprovou nesta manhã de 26 de maio o registro do Ozivy, medicamento à base de semaglutida fabricado pela EMS, maior farmacêutica nacional em volume de vendas. É a primeira versão nacional da semaglutida a receber registro no Brasil após o fim da patente da Novo Nordisk, ocorrido em março de 2026.

A semaglutida é o princípio ativo do Ozempic (para diabetes tipo 2) e do Wegovy e Mounjaro no segmento de obesidade. Com a queda da patente e agora a primeira aprovação de um concorrente, o mercado bilionário das chamadas canetas emagrecedoras começa a se abrir para a competição nacional.

O que é “desenvolvimento abreviado”? O Ozivy não foi aprovado como genérico tradicional, categoria que exige apenas bioequivalência. Foi aprovado como “medicamento novo” por desenvolvimento abreviado, uma modalidade regulatória para produtos baseados em substâncias já conhecidas que ainda precisam comprovar individualmente qualidade, segurança e eficácia. É mais rigoroso que um genérico simples.

Por que a patente acabou em março de 2026

A decisão que encerrou a exclusividade da Novo Nordisk no Brasil veio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em dezembro de 2025. A Novo Nordisk havia pedido a extensão da patente até 2038, argumentando que o INPI havia demorado 13 anos para conceder o registro da patente originalmente depositada em 2006. O STJ rejeitou o pedido por unanimidade, a lei brasileira não prevê extensão de prazo por demora do INPI.

Com isso, a patente original expirou em 20 de março de 2026, abrindo caminho para outros fabricantes. Desde então, a ANVISA estava analisando ao menos 17 pedidos de registro de medicamentos com semaglutida. O Ozivy foi o primeiro aprovado.

O que muda na prática para o paciente

SituaçãoAntesAgora
Fabricantes no BrasilSó Novo NordiskEMS aprovada, mais na fila
ConcorrênciaMonopólio de fatoInício da competição
Preço tendênciaEstável ou em altaQueda gradual esperada
DisponibilidadeFrequentes desabastecimentosDeve melhorar com o tempo
EficáciaSemaglutida Novo NordiskMesma molécula, comprovada
O preço não cai da noite para o dia. A aprovação é o passo regulatório. A EMS ainda precisa produzir, distribuir e precificar o Ozivy. A competição real que derruba preços depende de vários fabricantes no mercado simultaneamente. Com 17 pedidos em análise na ANVISA, outros devem ser aprovados nos próximos meses.
Perspectiva do Farmacêutico Wagner

Isso era esperado desde que o STJ manteve o fim da patente. A EMS foi a mais rápida, pediu o registro ainda em 2023, antes mesmo da patente expirar. Para o paciente que paga R$800 a R$1.200 por mês em Ozempic, a notícia é positiva no médio prazo. Mas não espere redução imediata. O processo de entrada no mercado e formação de preço leva meses. A novidade mais impactante nos próximos 12 meses ainda pode ser a orforgliprona, o primeiro GLP-1 em comprimido sem restrição de jejum, que aguarda registro na ANVISA com previsão para 2027.

Ozivy vs Ozempic: é a mesma coisa?

O princípio ativo é o mesmo: semaglutida. Mas o Ozivy não é um genérico no sentido estrito, foi aprovado por uma via que exige demonstração própria de qualidade, segurança e eficácia, não apenas bioequivalência com o produto original. Isso significa que a ANVISA analisou independentemente se o produto da EMS funciona, não apenas se é “igual” ao Ozempic.

O Ozivy foi aprovado em versões injetáveis para aplicação subcutânea, com canetas aplicadoras e agulhas. O formato é similar ao Ozempic, caneta injetável semanal.

Outros fabricantes na fila

A ANVISA tinha ao menos 17 pedidos de medicamentos com semaglutida em análise desde antes do fim da patente. A agência havia sinalizado capacidade de aprovar até 3 registros por semestre. Isso significa que novos concorrentes devem surgir ainda em 2026, intensificando a competição e acelerando a queda de preços.

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Conteúdo escrito por Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509. Ji-Paraná, Rondônia.
Fontes: ANVISA, Brasil 247, Metrópoles, RDM Online, 26/05/2026.
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada.

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