Polilaminina: Como Está o Estudo em Humanos e Quem Pode Participar

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Polilaminina hoje, direto ao ponto

A polilaminina ainda não é um medicamento aprovado: a Anvisa autorizou somente um estudo de fase 1, com cinco voluntários, para confirmar a segurança em pessoas com lesão aguda e completa da medula espinhal. Em 18 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde mobilizou o SAMU 192 de São Paulo para encaminhar candidatos ao Hospital das Clínicas da USP.

  1. Fase atual: fase 1, focada em segurança, autorizada pela Anvisa em 5 de janeiro de 2026.
  2. Quem entra: adultos de 18 a 72 anos, lesão completa entre T2 e T10, há menos de 72 horas, com indicação de cirurgia.
  3. Onde: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, com apoio do SAMU 192 de São Paulo.
  4. Acompanhamento: seis meses depois da aplicação.
  5. Venda: não existe. Não há polilaminina registrada em farmácia.

O que o Ministério da Saúde anunciou sobre a polilaminina?

O Ministério da Saúde anunciou que o SAMU 192 de São Paulo vai ajudar a encontrar os voluntários do estudo. Em reunião de 18 de setembro de 2026, ficou definido que o serviço adaptará o protocolo de atendimento e treinará as equipes para reconhecer, ainda no socorro, quem atende aos critérios da pesquisa e levar esse paciente ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, segundo a nota oficial do Ministério da Saúde. A previsão divulgada era de início dos ensaios em 24 de setembro.

A razão é o relógio. O protocolo só aceita lesões com menos de 72 horas, então a identificação precisa acontecer no primeiro atendimento. Em qualquer trauma grave, o caminho é acionar o 192, e vale conhecer o básico de primeiros socorros para saber como agir até a equipe chegar.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido a partir da laminina, uma proteína que o próprio corpo humano produz e que participa da estrutura das células e da regeneração do tecido nervoso, de acordo com o Ministério da Saúde. No estudo autorizado, a Anvisa informa que será usada laminina extraída de placenta humana, em solução injetável na concentração de 100 microgramas por mL.

A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderados pela professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália, que patrocina o estudo. É mais um caso de desenvolvimento feito no país, assim como o acordo para produzir imunoglobulina no Brasil.

Quem pode participar do estudo com polilaminina?

Podem participar apenas pessoas que se encaixem em todos os critérios do protocolo aprovado. A tabela resume o que a Anvisa e o Ministério da Saúde divulgaram.

CritérioO que o protocolo exige
Número de voluntáriosCinco, nesta etapa
Idade18 a 72 anos
Tipo de lesãoAguda e completa da medula espinhal torácica
LocalizaçãoEntre as vértebras T2 e T10
Tempo desde o traumaMenos de 72 horas
CirurgiaPrecisa ter indicação cirúrgica
AcompanhamentoSeis meses após a aplicação
Lesão antiga não entra nesta faseQuem convive com lesão medular há meses ou anos não se encaixa nos critérios divulgados para a fase 1. Não existe lista de espera para comprar o produto, e nenhuma clínica está autorizada a vender polilaminina.

A polilaminina já está aprovada pela Anvisa?

Não. O que a Anvisa autorizou, em 5 de janeiro de 2026, foi a pesquisa clínica, e não o medicamento. A agência deixou claro que a fase 1 serve para avaliar segurança e que o estudo, neste momento, ainda é insuficiente para avaliar a eficácia. O avanço para as fases 2 e 3 depende dos primeiros resultados. A Anvisa também registrou que o mecanismo de ação da polilaminina no trauma de medula ainda não está totalmente esclarecido.

Esse é o caminho normal de qualquer remédio novo. O Aquipta, para prevenir enxaqueca, e o arpraziquantel, para esquistossomose em crianças, passaram por estudos clínicos antes de receber registro.

EtapaO que respondeSituação da polilaminina
Fase 1O uso é seguro em poucas pessoas?Autorizada, em andamento
Fases 2 e 3Funciona? Em que dose? Em quantas pessoas?Dependem dos resultados da fase 1
Registro na AnvisaPode ser vendido e usado no país?Ainda não existe
Orientação do farmacêuticoSe alguém da sua família sofreu lesão na medula, converse com a equipe médica que acompanha o caso e pergunte sobre pesquisas clínicas abertas. Esse é o único caminho legítimo hoje. Não compre nada anunciado como polilaminina em rede social ou site de venda: produto sem registro não tem garantia de origem, de dose nem de esterilidade, e injetável sem procedência é um risco sério.

Dá para comprar polilaminina?

Não dá. Sem registro, a polilaminina não pode ser fabricada para venda, receitada para compra em farmácia nem importada como medicamento comum. O uso previsto é o da pesquisa, em hospital, com acompanhamento de seis meses. Se encontrar anúncio de venda, o correto é denunciar, do mesmo jeito que se faz com qualquer suspeita envolvendo medicamento, como explico no texto sobre como notificar problemas à Anvisa.

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Perguntas frequentes

Não. A Anvisa autorizou em janeiro de 2026 apenas uma pesquisa clínica de fase 1, que avalia a segurança do uso em humanos. A polilaminina não tem registro sanitário e não pode ser vendida como medicamento no Brasil.
Segundo a Anvisa e o Ministério da Saúde, a fase 1 prevê cinco voluntários de 18 a 72 anos, com lesão aguda e completa da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação de cirurgia.
Não nesta etapa. O protocolo autorizado só inclui lesões ocorridas há menos de 72 horas. Lesões antigas ficam fora dos critérios da fase 1 divulgados pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde informou em 18 de setembro de 2026 que os pacientes elegíveis serão encaminhados ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, com apoio do SAMU 192.
O SAMU 192 de São Paulo vai adaptar o protocolo de atendimento e treinar as equipes para identificar, já no socorro, pacientes que atendam aos critérios da pesquisa e encaminhar rapidamente ao Hospital das Clínicas.
Não. Não existe polilaminina registrada para venda no Brasil. O acesso previsto hoje é dentro da pesquisa clínica autorizada. Desconfie de qualquer oferta de venda e não pague por produto anunciado com esse nome.
Ainda não há essa resposta. A fase 1 foi desenhada para confirmar a segurança do medicamento. Segundo a Anvisa, o estudo autorizado ainda é insuficiente para avaliar a eficácia, que depende das fases 2 e 3.
A pesquisa é desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália, que patrocina o estudo clínico.

Fontes: Ministério da Saúde, “Ministério da Saúde mobiliza SAMU 192 para treinar equipes e apoiar estudo clínico com polilaminina”, 18 de setembro de 2026. Anvisa, “Anvisa autoriza pesquisa clínica para avaliar a segurança do uso da polilaminina em humanos”, 5 de janeiro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.


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