Doença Renal Crônica no SUS: o Que Muda e Como Proteger os Rins

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Doença renal crônica no SUS, direto ao ponto

Desde 17 de setembro de 2026, o SUS passou a organizar o cuidado da doença renal crônica em Ofertas de Cuidado Integrado, que juntam consultas, exames e procedimentos em um só pacote, com valores de 263% a 360% maiores que os anteriores, segundo o Ministério da Saúde. A porta de entrada continua sendo a Unidade Básica de Saúde.

  1. O que mudou: consultas, exames de laboratório e de imagem e acompanhamento multiprofissional passam a ser pagos juntos.
  2. Exemplo de valor: a preparação para hemodiálise foi de R$ 940,22 para R$ 3.000,63.
  3. Quem tem mais risco: pessoas com diabetes, pressão alta, obesidade, mais idade, tabagismo ou parente com a doença.
  4. Como descobrir: exame de sangue para estimar a filtração dos rins e exame de urina.
  5. Onde começar: na Unidade Básica de Saúde.

O que muda no atendimento da doença renal crônica no SUS?

Muda a forma de organizar e pagar o cuidado. Em vez de cada consulta e cada exame serem tratados em separado, as Ofertas de Cuidado Integrado reúnem em um único percurso as consultas especializadas, os exames laboratoriais e de imagem, o acompanhamento multiprofissional e outros procedimentos, dentro do programa Agora Tem Especialistas, conforme a nota do Ministério da Saúde de 17 de setembro de 2026.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, explicou que a pessoa com doença renal não precisa só de uma consulta com o nefrologista: precisa de avaliação, exames, acompanhamento e definição da conduta, e que etapas desconectadas obrigam o paciente a peregrinar pela rede.

Medida anunciadaO que o Ministério da Saúde informou
Ofertas de Cuidado IntegradoConsultas, exames e procedimentos em um só pacote
Reajuste dos valoresDe 263% a 360% acima do que era pago
Preparação para hemodiáliseDe R$ 940,22 para R$ 3.000,63
Anemia na doença renalProtocolo clínico atualizado, com carboximaltose férrica e derisomaltose férrica
Serviços habilitados62 habilitações entre janeiro de 2025 e agosto de 2026
Transporte para diálise963 veículos disponibilizados

O que é doença renal crônica?

Doença renal crônica é a redução da função dos rins que se mantém por pelo menos três meses. Os rins filtram o sangue, eliminam toxinas, produzem hormônios e ajudam a controlar a pressão arterial. Segundo a página do Ministério da Saúde sobre a doença, ela evolui de forma silenciosa, em geral sem sinais aparentes, e por isso muita gente descobre tarde.

Quem tem mais risco de doença renal crônica?

O risco é maior em quem tem diabetes ou pressão alta. A lista oficial de fatores de risco inclui:

  1. Diabetes tipo 1 ou tipo 2.
  2. Hipertensão, com pressão acima de 140 por 90 mmHg.
  3. Idade avançada.
  4. Obesidade, com IMC acima de 30 kg/m².
  5. Doença coronariana, AVC ou insuficiência cardíaca.
  6. Parente com doença renal crônica.
  7. Tabagismo.
  8. Uso de medicamentos nefrotóxicos, ou seja, que agridem os rins.

Para saber se o peso entra na faixa de risco, use a calculadora de IMC. Quem trata diabetes precisa manter o remédio em dia e conhecer os cuidados com ele, como os que descrevo em metformina e álcool. Na pressão alta, chá não substitui tratamento, e mostro o que tem evidência em chá para pressão alta.

Orientação do farmacêuticoSe você tem diabetes ou pressão alta e nunca fez exame para avaliar os rins, peça na Unidade Básica de Saúde a creatinina no sangue e o exame de urina. São exames simples, e a doença não avisa. E não tome remédio por conta própria por muitos dias seguidos: antes de combinar medicamentos, pergunte ao farmacêutico ou ao médico.

Como é feito o diagnóstico e quais são os estágios?

O diagnóstico é feito pela taxa de filtração glomerular, a TFG, somada a exames de urina e de imagem. TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por três meses seguidos confirma a doença, de acordo com o Ministério da Saúde.

EstágioTFG (mL/min/1,73 m²)Situação
190 ou maisCom proteína ou sangue na urina, ou alteração em exame de imagem
260 a 89Redução leve
3a45 a 59Redução leve a moderada
3b30 a 44Redução moderada a grave
415 a 29Redução grave
5Abaixo de 15Não dialítico ou em terapia renal substitutiva

Nos estágios 1 a 3, o tratamento é conservador: controlar os fatores de risco para preservar os rins. Nos estágios 4 e 5 sem diálise, começa o preparo para a terapia renal. No estágio 5 com diálise, o SUS oferece hemodiálise em três sessões por semana, diálise peritoneal feita em casa todos os dias e transplante renal.

Quais remédios e suplementos pedem cuidado com os rins?

O Ministério da Saúde inclui o uso de medicamentos nefrotóxicos entre os fatores de risco, por isso a revisão dos remédios em uso faz parte do cuidado. Uma dúvida frequente é a mistura de remédio de pressão com anti-inflamatório, que detalho em losartana e ibuprofeno. Entre os suplementos, a pergunta mais comum é se creatina faz mal para os rins. E quem usa caneta para diabetes ou obesidade encontra a parte renal em pedra no rim e Mounjaro.

Não espere sintoma para investigarA doença renal crônica costuma avançar sem dor e sem sinal claro. Quem está nos grupos de risco deve fazer os exames mesmo se sentindo bem. Não interrompa nem troque remédio de uso contínuo por conta própria.

Como proteger os rins?

A prevenção está ligada ao estilo de vida. O Ministério da Saúde recomenda:

  1. Controlar diabetes, hipertensão e obesidade.
  2. Não fumar.
  3. Tratar doenças cardiovasculares.
  4. Reduzir o consumo de sal.
  5. Aumentar a atividade física.
  6. Comer mais frutas e hortaliças.
O peso é um dos fatores de risco que dá para acompanhar em casa.
Ver o guia completo de emagrecimento

Perguntas frequentes

Em 17 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde criou Ofertas de Cuidado Integrado para a doença renal crônica dentro do programa Agora Tem Especialistas. Elas reúnem consultas, exames e procedimentos em um só pacote, com valores de 263% a 360% maiores que os pagos antes.
É a perda lenta da capacidade dos rins de filtrar o sangue, mantida por pelo menos três meses. Segundo o Ministério da Saúde, a doença costuma evoluir em silêncio, sem sintomas aparentes, o que atrasa o diagnóstico.
O Ministério da Saúde lista como principais fatores de risco o diabetes, a hipertensão, a idade avançada, a obesidade, as doenças cardiovasculares, o histórico familiar da doença, o tabagismo e o uso de medicamentos que agridem os rins.
O diagnóstico usa a taxa de filtração glomerular, calculada a partir de exame de sangue, além de exames de urina e de imagem. Taxa abaixo de 60 mL por minuto por 1,73 m² durante três meses seguidos indica a doença.
A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde. Lá são pedidos os exames e tratados os fatores de risco. Quando há necessidade, a própria unidade encaminha para o especialista da rede.
Nos estágios iniciais, o tratamento é conservador e busca preservar a função dos rins controlando os fatores de risco. No estágio mais avançado, o SUS oferece hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal.
O SUS oferece hemodiálise, feita em clínica em três sessões por semana, e diálise peritoneal, feita todos os dias em casa por um cateter no abdome. O transplante renal também é oferecido pela rede pública.
O Ministério da Saúde orienta controlar diabetes, pressão alta e peso, não fumar, tratar doenças do coração, reduzir o sal, fazer atividade física e comer mais frutas e hortaliças.

Fontes: Ministério da Saúde, “Ministério da Saúde qualifica assistência para prevenir progressão da doença renal”, 17 de setembro de 2026. Ministério da Saúde, Saúde de A a Z: Doença Renal Crônica, consultado em 4 de outubro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.


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