Da madrugada no hospital a quase 300 mil seguidores: a trajetória de Bianca Balbino, da Oifarmas

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 4509
Entrevista e edição · FarmaCerto

Ensinar um cálculo de medicamento em um vídeo curto exige mais do que chegar à resposta certa. Para a farmacêutica Bianca Balbino, criadora da Oifarmas, simplificar nunca pode custar a precisão técnica. Nesta entrevista, ela fala de formação, cálculos, inteligência artificial e transparência nas parcerias com marcas.

Bianca Balbino de Oliveira, farmacêutica e criadora da Oifarmas
Bianca Balbino de Oliveira · CRF-SP 109.183Farmacêutica clínica e hospitalar, professora de pós-graduação em Farmacologia Clínica e criadora da Oifarmas.
oifarmas.com.br · @oifarmass
~300 milpessoas acompanham a Oifarmas
+10 milparticipantes na Imersão em Cálculo Farmacêutico
~25 milespectadores no Workshop Farmacêutico

Como nasceu a Oifarmas

Como surgiu a Oifarmas e em que momento você percebeu que a produção de conteúdo poderia ampliar o alcance do seu trabalho como farmacêutica?

A Oifarmas nasceu em outubro de 2023, quando eu estava vivendo uma nova fase da minha carreira, após conquistar minha primeira oportunidade como farmacêutica clínica em um hospital, trabalhando durante a madrugada.

Foi na vontade de aproximar o conhecimento técnico da realidade de quem estuda e trabalha na área que comecei a produzir conteúdo.

No início, não existia um grande planejamento. Eu simplesmente compartilhava aquilo que aprendia, estudava e vivenciava na profissão. Com o tempo, comecei a receber mensagens de pessoas dizendo que finalmente tinham entendido determinado assunto, que haviam descoberto uma área de atuação ou que meus conteúdos estavam ajudando na graduação e na vida profissional. Foi aí que percebi que aquilo estava ultrapassando as telas.

Hoje, quase 300 mil pessoas acompanham a Oifarmas, e essa troca também se transformou em projetos educacionais, como o Cálculo na Saúde, desenvolvido para tornar o aprendizado de cálculos aplicados à prática profissional mais acessível.

Atualmente, além de farmacêutica clínica e hospitalar, sou professora de pós-graduação em Farmacologia Clínica. Enxergo a produção de conteúdo como uma extensão da minha atuação profissional. A diferença é que, enquanto no ambiente hospitalar meu trabalho alcançava os pacientes e as equipes com quem eu atuava, na internet tenho a oportunidade de compartilhar conhecimento com milhares de pessoas, em diferentes lugares do Brasil.

Além disso, a Oifarmas passou a promover grandes eventos educacionais gratuitos, como a Imersão em Cálculo Farmacêutico, que reuniu mais de 10 mil participantes, e o Workshop Farmacêutico, que alcançou quase 25 mil espectadores em dois dias de programação, com palestras e minicursos de diferentes áreas da profissão.

O que não pode faltar em um conteúdo curto

Ao explicar cálculos, doses ou situações clínicas em um formato curto, quais informações você considera indispensáveis para evitar interpretações equivocadas?

Minha principal preocupação é garantir que a simplificação do conteúdo não comprometa a precisão técnica.

Considero indispensável contextualizar a informação, explicar o raciocínio por trás dela e utilizar referências científicas confiáveis. Em um cálculo, por exemplo, não basta apresentar o resultado. É importante demonstrar como chegamos até ele, quais unidades de medida estão sendo utilizadas, qual é a concentração do medicamento e quais fatores podem interferir na aplicação daquele conhecimento na prática.

Também procuro deixar claro que uma informação apresentada em um vídeo não deve ser interpretada como uma orientação universal. Doses e condutas podem variar conforme as características do paciente, a indicação clínica e os protocolos adotados.

“Nem todo conhecimento cabe em um vídeo de um minuto, principalmente quando estamos falando de saúde.”Bianca Balbino

Quando percebo que determinado assunto exige explicações mais aprofundadas, prefiro desdobrá-lo em outros conteúdos ou abordá-lo em materiais educacionais mais completos. Nem todo conhecimento cabe em um vídeo de um minuto, principalmente quando estamos falando de saúde. Meu objetivo não é apenas facilitar o entendimento, mas garantir que essa informação seja transmitida com responsabilidade.

FarmaCerto recomenda

Siga a Bianca no Instagram

Se você estuda Farmácia ou já atua na profissão, vale acompanhar a @oifarmass. A Bianca explica cálculos, farmacologia e rotina hospitalar mostrando o raciocínio completo, com unidades, concentrações e os limites de cada informação. É o tipo de conteúdo que ajuda a transformar teoria em prática segura, e quem ganha no fim é o paciente.

Seguir @oifarmass

Da teoria à prática

Que dúvidas ou dificuldades mais recorrentes do seu público revelam oportunidades de melhorar a formação e a comunicação na profissão?

Uma das dúvidas que mais recebo é sobre como transformar o conhecimento adquirido na graduação em prática profissional. São perguntas como “Como posso me preparar para trabalhar em um hospital?”, “O que realmente preciso saber para atuar na Farmácia Clínica?” ou até mesmo “Por onde começo a estudar?”.

Também percebo uma dificuldade muito grande em conteúdos que exigem raciocínio clínico e aplicação prática, como cálculos de medicamentos, interpretação de prescrições e farmacologia. Muitas vezes, o estudante conhece a teoria, mas encontra dificuldades quando precisa aplicar a uma situação real.

Isso evidencia, na minha percepção, a necessidade de aproximar cada vez mais o ensino acadêmico da realidade dos serviços de saúde. Não basta memorizar mecanismos de ação, fórmulas ou classificações farmacológicas. É preciso compreender como esse conhecimento será utilizado na tomada de decisões e na segurança do paciente.

Outro ponto importante é a comunicação sobre as possibilidades da própria profissão. A Farmácia possui inúmeras áreas de atuação, mas muitos estudantes concluem a graduação sem conhecer boa parte delas ou sem entender como ingressar nesses mercados.

Acredito que temos uma oportunidade enorme de melhorar tanto a formação quanto a educação continuada, com conteúdos mais contextualizados, exemplos práticos e uma comunicação técnica que seja acessível sem perder a profundidade científica. O desafio não é apenas oferecer mais informação, mas ajudar estudantes e profissionais a transformar informação em conhecimento aplicável.

IA, marcas e credibilidade

Como você enxerga o papel dos farmacêuticos criadores de conteúdo nos próximos anos, especialmente diante da inteligência artificial e das parcerias com marcas?

Acredito que os farmacêuticos criadores de conteúdo terão um papel cada vez mais importante na comunicação em saúde, especialmente em um cenário no qual o acesso à informação se tornou muito mais rápido e a inteligência artificial passou a fazer parte da rotina das pessoas.

A inteligência artificial é uma ferramenta extremamente útil para organizar informações, otimizar processos e apoiar o aprendizado, mas também exige um olhar crítico. Ter acesso a uma resposta não significa necessariamente compreender aquela informação ou saber aplicá-la. A tecnologia pode apoiar esse processo, mas não substitui o raciocínio clínico, a experiência profissional e a responsabilidade técnica.

Em relação às parcerias comerciais, acredito que elas podem contribuir para a disseminação de informações de qualidade, desde que exista alinhamento entre os valores do profissional, a proposta da marca e as evidências científicas disponíveis. Tenho critérios muito claros sobre os projetos que aceito e não considero a remuneração um motivo suficiente para divulgar algo em que não acredito ou que não tenha respaldo técnico.

Também considero fundamental que o público consiga identificar quando existe uma relação comercial. A transparência precisa fazer parte dessa comunicação, assim como a liberdade para construir conteúdos tecnicamente corretos, sem transformar a informação em uma simples peça publicitária.

“Quando falamos de saúde, a responsabilidade sobre aquilo que comunicamos precisa ser sempre maior do que o alcance de uma publicação.”Bianca Balbino

Na minha visão, o grande diferencial dos profissionais de saúde que produzem conteúdo nos próximos anos não será apenas a capacidade de alcançar muitas pessoas, mas a credibilidade que conseguem construir e preservar. Afinal, quando falamos de saúde, a responsabilidade sobre aquilo que comunicamos precisa ser sempre maior do que o alcance de uma publicação.

Sobre esta entrevista. Respostas enviadas por e-mail em 10 de outubro de 2026 e revisadas pela entrevistada antes da publicação. Pauta editorial, não patrocinada. Os números de audiência e participação foram informados pela entrevistada. Foto de Bianca Balbino: arquivo pessoal, cedida para uso editorial. Fontes: entrevista escrita com Bianca Balbino de Oliveira e site oficial da Oifarmas, consultado em 10 de outubro de 2026.


Descubra mais sobre FarmaCerto

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *