
Osteoporose no SUS, direto ao ponto
O protocolo de osteoporose do Ministério da Saúde, de 22 de outubro de 2025, indica densitometria óssea para todas as mulheres a partir de 65 anos e todos os homens a partir de 70 anos, e define como primeira opção de tratamento cálcio e vitamina D associados a um bisfosfonato oral, alendronato ou risedronato.
- Quem é mais jovem faz o exame se tiver fator de risco: baixo peso, fratura anterior, uso de certos medicamentos ou doenças que afetam os ossos.
- Osteoporose: T-escore menor ou igual a -2,5 ou fratura por fragilidade, com qualquer T-escore.
- Bisfosfonato oral: cinco anos de tratamento, até dez nos casos de risco elevado.
- Cálcio: 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia. Vitamina D: pelo menos 800 a 1.000 UI por dia.
- Exercício com carga, prevenção de quedas, nada de cigarro e pouco álcool fazem parte do tratamento.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, Ministério da Saúde.
Dia 20 de outubro é o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose. A doença deixa os ossos frágeis e quebradiços e raramente dá sintoma antes da primeira fratura, como resume a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Abaixo está o que o protocolo oficial do SUS diz sobre exame, remédios e cuidados.
O que é osteoporose e quantas pessoas ela atinge?
Osteoporose é a perda de massa e de qualidade do osso, que passa a quebrar com traumas pequenos, como uma queda da própria altura. O protocolo do Ministério da Saúde estima que a doença afete mais de 200 milhões de pessoas no mundo e cita um estudo brasileiro, o BRAZOS, em que fraturas de baixo impacto foram identificadas em 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens avaliados (PCDT da Osteoporose, 2025).
Os sinais de alerta, quando existem, são diminuição da altura, costas curvadas e dor nas costas. Fraturas na coluna muitas vezes passam sem diagnóstico.
Quem deve fazer densitometria óssea?
Todas as mulheres com 65 anos ou mais e todos os homens com 70 anos ou mais, segundo o protocolo. Antes dessa idade, o exame é indicado para quem tem fatores de risco. O documento não recomenda rastrear toda a população.
| Situação | O que o protocolo diz |
|---|---|
| Mulher com 65 anos ou mais | Densitometria indicada |
| Homem com 70 anos ou mais | Densitometria indicada |
| Pessoa mais jovem com baixo peso, fratura anterior, uso de medicamentos ou doenças que afetam os ossos | Densitometria indicada conforme avaliação |
| T-escore menor ou igual a -2,5 (homem acima de 50 anos ou mulher na pós-menopausa) | Osteoporose, mesmo sem fratura |
| Fratura por fragilidade | Osteoporose, com qualquer T-escore |
| T-escore menor ou igual a -2,5 com uma ou mais fraturas por fragilidade | Osteoporose grave |
O cálculo de risco de fratura usado pelos médicos considera, entre outros pontos, história de fratura de quadril nos pais, tabagismo atual ou passado e uso prolongado de glicocorticoides. Quem está na fase da menopausa e quer entender as opções para os outros sintomas pode ler sobre o Veoza, remédio sem hormônio para os fogachos.
Quais remédios para osteoporose o protocolo do SUS prevê?
A primeira linha é cálcio e vitamina D associados a um bisfosfonato oral. Os demais medicamentos têm critérios próprios. A lista do protocolo de 2025 é esta:
| Medicamento | Apresentação no protocolo | Quando entra |
|---|---|---|
| Alendronato de sódio | Comprimidos de 10 mg e 70 mg | Primeira linha |
| Risedronato de sódio | Comprimido de 35 mg | Primeira linha |
| Carbonato de cálcio, com ou sem colecalciferol (vitamina D) | Comprimidos | Junto com o bisfosfonato |
| Ácido zoledrônico | Solução para infusão de 5 mg/100 mL | Intolerância ao comprimido ou dificuldade para engolir |
| Pamidronato dissódico | Pó para solução injetável de 60 mg | Intolerância ao comprimido ou dificuldade para engolir |
| Raloxifeno | Comprimido de 60 mg | Critérios específicos do protocolo |
| Estrogênios conjugados | Comprimidos de 0,3 mg e 0,625 mg | Critérios específicos do protocolo |
| Calcitonina | Solução nasal de 200 UI por dose | Critérios específicos do protocolo |
| Calcitriol | Cápsula de 0,25 mcg | Conforme indicação médica |
| Romosozumabe | Solução injetável de 90 mg/mL | Mulheres na pós-menopausa com osteoporose grave e falha do tratamento anterior, por no máximo 1 ano |
A teriparatida não está entre as opções do protocolo atual. Todos os medicamentos da lista dependem de prescrição, e o acesso pelo SUS segue as regras da farmácia pública de cada estado e município. Vale pedir ao médico ou à unidade de saúde a relação de documentos exigidos.
Como tomar alendronato do jeito certo?
O protocolo descreve o alendronato na dose de 10 mg por dia ou 70 mg uma vez por semana, por via oral, e o risedronato na dose de 35 mg uma vez por semana. A dose de cada paciente é a que está na receita. O que não muda é a forma de tomar:
- Em jejum, pelo menos meia hora antes da primeira refeição e de outros medicamentos.
- Com um copo cheio de água.
- Sem deitar depois: ficar sentado ou em pé por pelo menos 30 a 60 minutos.
O motivo da terceira regra está no próprio protocolo: reduzir o risco de ferida no esôfago.
O tratamento não é para sempre. Com bisfosfonato oral, o protocolo prevê cinco anos, com possibilidade de chegar a dez em pacientes de risco elevado. Com bisfosfonato na veia, três anos, podendo chegar a seis.
Quanto de cálcio e vitamina D é recomendado?
De 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia, somando alimentação e suplemento, e pelo menos 800 a 1.000 UI de vitamina D por dia, ou 7.000 UI por semana, para a maioria dos pacientes. O protocolo orienta suplementar o cálcio quando o consumo de leite e derivados é insuficiente, em tomadas de até 500 mg de cálcio elementar por vez.
Mais não é melhor. Dose de vitamina D acima dessas faixas é decisão médica, baseada em exame de sangue. Para entender o exame e as apresentações vendidas em farmácia, veja nosso guia de vitamina D, dose e exame.
Corticoide e outros fatores enfraquecem os ossos?
Sim. O protocolo trata como caso especial quem usa glicocorticoide em dose diária acima de 5 mg de prednisona ou equivalente, e a classificação da doença inclui a osteoporose induzida por medicamentos. Se você usa prednisona ou outro corticoide por períodos longos, não interrompa por conta própria: leve a pergunta sobre os ossos para a próxima consulta.
O que fazer além do remédio?
O tratamento sem medicamento faz parte do protocolo e vale para todos os pacientes:
- exercício físico regular, principalmente com carga e de força, mais treino de equilíbrio para reduzir quedas;
- prevenção de quedas: revisar remédios que causam tontura, cuidar da visão e da audição e deixar a casa mais segura;
- não fumar e evitar o excesso de álcool.
Para a prevenção de quedas, o protocolo remete à caderneta da pessoa idosa, distribuída pelo SUS. Sobre força muscular depois dos 60, temos um texto sobre creatina e sarcopenia em idosos. E, se o álcool é uma dúvida, o teste AUDIT mostra em poucos minutos se o seu consumo está em faixa de risco.
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Perguntas frequentes
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Conteúdo informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição de profissional de saúde.
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