Osteoporose no SUS: Quem Deve Fazer Densitometria e Quais Remédios o Protocolo Prevê

Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Osteoporose no SUS, direto ao ponto

O protocolo de osteoporose do Ministério da Saúde, de 22 de outubro de 2025, indica densitometria óssea para todas as mulheres a partir de 65 anos e todos os homens a partir de 70 anos, e define como primeira opção de tratamento cálcio e vitamina D associados a um bisfosfonato oral, alendronato ou risedronato.

  1. Quem é mais jovem faz o exame se tiver fator de risco: baixo peso, fratura anterior, uso de certos medicamentos ou doenças que afetam os ossos.
  2. Osteoporose: T-escore menor ou igual a -2,5 ou fratura por fragilidade, com qualquer T-escore.
  3. Bisfosfonato oral: cinco anos de tratamento, até dez nos casos de risco elevado.
  4. Cálcio: 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia. Vitamina D: pelo menos 800 a 1.000 UI por dia.
  5. Exercício com carga, prevenção de quedas, nada de cigarro e pouco álcool fazem parte do tratamento.

Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, Ministério da Saúde.

Dia 20 de outubro é o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose. A doença deixa os ossos frágeis e quebradiços e raramente dá sintoma antes da primeira fratura, como resume a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Abaixo está o que o protocolo oficial do SUS diz sobre exame, remédios e cuidados.

O que é osteoporose e quantas pessoas ela atinge?

Osteoporose é a perda de massa e de qualidade do osso, que passa a quebrar com traumas pequenos, como uma queda da própria altura. O protocolo do Ministério da Saúde estima que a doença afete mais de 200 milhões de pessoas no mundo e cita um estudo brasileiro, o BRAZOS, em que fraturas de baixo impacto foram identificadas em 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens avaliados (PCDT da Osteoporose, 2025).

Os sinais de alerta, quando existem, são diminuição da altura, costas curvadas e dor nas costas. Fraturas na coluna muitas vezes passam sem diagnóstico.

Quem deve fazer densitometria óssea?

Todas as mulheres com 65 anos ou mais e todos os homens com 70 anos ou mais, segundo o protocolo. Antes dessa idade, o exame é indicado para quem tem fatores de risco. O documento não recomenda rastrear toda a população.

SituaçãoO que o protocolo diz
Mulher com 65 anos ou maisDensitometria indicada
Homem com 70 anos ou maisDensitometria indicada
Pessoa mais jovem com baixo peso, fratura anterior, uso de medicamentos ou doenças que afetam os ossosDensitometria indicada conforme avaliação
T-escore menor ou igual a -2,5 (homem acima de 50 anos ou mulher na pós-menopausa)Osteoporose, mesmo sem fratura
Fratura por fragilidadeOsteoporose, com qualquer T-escore
T-escore menor ou igual a -2,5 com uma ou mais fraturas por fragilidadeOsteoporose grave

O cálculo de risco de fratura usado pelos médicos considera, entre outros pontos, história de fratura de quadril nos pais, tabagismo atual ou passado e uso prolongado de glicocorticoides. Quem está na fase da menopausa e quer entender as opções para os outros sintomas pode ler sobre o Veoza, remédio sem hormônio para os fogachos.

Quais remédios para osteoporose o protocolo do SUS prevê?

A primeira linha é cálcio e vitamina D associados a um bisfosfonato oral. Os demais medicamentos têm critérios próprios. A lista do protocolo de 2025 é esta:

MedicamentoApresentação no protocoloQuando entra
Alendronato de sódioComprimidos de 10 mg e 70 mgPrimeira linha
Risedronato de sódioComprimido de 35 mgPrimeira linha
Carbonato de cálcio, com ou sem colecalciferol (vitamina D)ComprimidosJunto com o bisfosfonato
Ácido zoledrônicoSolução para infusão de 5 mg/100 mLIntolerância ao comprimido ou dificuldade para engolir
Pamidronato dissódicoPó para solução injetável de 60 mgIntolerância ao comprimido ou dificuldade para engolir
RaloxifenoComprimido de 60 mgCritérios específicos do protocolo
Estrogênios conjugadosComprimidos de 0,3 mg e 0,625 mgCritérios específicos do protocolo
CalcitoninaSolução nasal de 200 UI por doseCritérios específicos do protocolo
CalcitriolCápsula de 0,25 mcgConforme indicação médica
RomosozumabeSolução injetável de 90 mg/mLMulheres na pós-menopausa com osteoporose grave e falha do tratamento anterior, por no máximo 1 ano

A teriparatida não está entre as opções do protocolo atual. Todos os medicamentos da lista dependem de prescrição, e o acesso pelo SUS segue as regras da farmácia pública de cada estado e município. Vale pedir ao médico ou à unidade de saúde a relação de documentos exigidos.

Como tomar alendronato do jeito certo?

O protocolo descreve o alendronato na dose de 10 mg por dia ou 70 mg uma vez por semana, por via oral, e o risedronato na dose de 35 mg uma vez por semana. A dose de cada paciente é a que está na receita. O que não muda é a forma de tomar:

  1. Em jejum, pelo menos meia hora antes da primeira refeição e de outros medicamentos.
  2. Com um copo cheio de água.
  3. Sem deitar depois: ficar sentado ou em pé por pelo menos 30 a 60 minutos.

O motivo da terceira regra está no próprio protocolo: reduzir o risco de ferida no esôfago.

Orientação do farmacêuticoO erro que mais atrapalha esse tratamento é simples: tomar o comprimido semanal com café, suco ou leite, ou voltar para a cama em seguida. Escolha um dia fixo da semana, deixe o comprimido ao lado de um copo de água e só tome café da manhã depois de meia hora, já de pé. Se você usa outros remédios em jejum, pergunte ao médico ou ao farmacêutico como organizar os horários.

O tratamento não é para sempre. Com bisfosfonato oral, o protocolo prevê cinco anos, com possibilidade de chegar a dez em pacientes de risco elevado. Com bisfosfonato na veia, três anos, podendo chegar a seis.

Quanto de cálcio e vitamina D é recomendado?

De 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia, somando alimentação e suplemento, e pelo menos 800 a 1.000 UI de vitamina D por dia, ou 7.000 UI por semana, para a maioria dos pacientes. O protocolo orienta suplementar o cálcio quando o consumo de leite e derivados é insuficiente, em tomadas de até 500 mg de cálcio elementar por vez.

Mais não é melhor. Dose de vitamina D acima dessas faixas é decisão médica, baseada em exame de sangue. Para entender o exame e as apresentações vendidas em farmácia, veja nosso guia de vitamina D, dose e exame.

Corticoide e outros fatores enfraquecem os ossos?

Sim. O protocolo trata como caso especial quem usa glicocorticoide em dose diária acima de 5 mg de prednisona ou equivalente, e a classificação da doença inclui a osteoporose induzida por medicamentos. Se você usa prednisona ou outro corticoide por períodos longos, não interrompa por conta própria: leve a pergunta sobre os ossos para a próxima consulta.

Orientação do farmacêuticoLeve à consulta a lista completa do que você toma, inclusive suplementos e remédios sem receita. Alguns medicamentos pesam nos ossos e outros aumentam o risco de queda, e os dois problemas se somam em quem tem osteoporose. Essa lista é o que permite ao médico ajustar o tratamento.

O que fazer além do remédio?

O tratamento sem medicamento faz parte do protocolo e vale para todos os pacientes:

  • exercício físico regular, principalmente com carga e de força, mais treino de equilíbrio para reduzir quedas;
  • prevenção de quedas: revisar remédios que causam tontura, cuidar da visão e da audição e deixar a casa mais segura;
  • não fumar e evitar o excesso de álcool.

Para a prevenção de quedas, o protocolo remete à caderneta da pessoa idosa, distribuída pelo SUS. Sobre força muscular depois dos 60, temos um texto sobre creatina e sarcopenia em idosos. E, se o álcool é uma dúvida, o teste AUDIT mostra em poucos minutos se o seu consumo está em faixa de risco.

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Perguntas frequentes

O protocolo do Ministério da Saúde indica o exame para todas as mulheres com 65 anos ou mais e todos os homens com 70 anos ou mais. Pessoas mais jovens fazem quando têm fatores de risco, como baixo peso, fratura anterior, uso de medicamentos ou doenças que afetam os ossos.
T-escore menor ou igual a -2,5 em homens acima de 50 anos e em mulheres na pós-menopausa, mesmo sem fratura. Uma fratura por fragilidade também define osteoporose, qualquer que seja o T-escore.
A primeira linha do protocolo é cálcio e vitamina D associados a um bisfosfonato oral, alendronato ou risedronato. Quem não tolera o comprimido ou tem dificuldade para engolir pode receber bisfosfonato na veia, ácido zoledrônico ou pamidronato.
Segundo o protocolo, 10 mg por dia ou 70 mg uma vez por semana, por via oral, em jejum, pelo menos meia hora antes da primeira refeição e de outros medicamentos, com um copo cheio de água. Depois é preciso ficar sentado ou em pé por pelo menos 30 a 60 minutos. A dose de cada pessoa é definida na receita.
Com bisfosfonato oral, o protocolo prevê cinco anos de tratamento, que podem ser estendidos até dez anos em pacientes de risco elevado. Com bisfosfonato na veia são três anos, que podem chegar a seis. Quem decide a pausa é o médico.
O protocolo recomenda manter a ingestão de cálcio entre 1.000 e 1.200 mg de cálcio elementar por dia, somando alimentação e suplemento, e pelo menos 800 a 1.000 UI de vitamina D por dia ou 7.000 UI por semana para a maioria dos pacientes.
O uso prolongado de glicocorticoides entra no cálculo do risco de fratura, e o protocolo trata como caso especial quem usa dose diária acima de 5 mg de prednisona ou equivalente. Quem usa corticoide por muito tempo deve perguntar ao médico sobre a saúde dos ossos.
Quase nunca antes da primeira fratura, por isso é chamada de doença silenciosa. Diminuição da altura, costas curvadas e dor nas costas são sinais de alerta citados pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

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