Beatriz Gama, da EMS: o que o paciente precisa saber sobre medicamentos genéricos

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · Farmacêutico · CRF-RO 4509
Entrevista e edição · FarmaCerto Entrevistas

No balcão da farmácia, a pergunta se repete todos os dias: o genérico funciona igual? Em entrevista exclusiva ao FarmaCerto, Beatriz Gama, diretora de Assuntos Regulatórios da EMS, explica o que os estudos exigidos pela Anvisa comprovam, quando a troca da receita é permitida e o que conferir na embalagem antes de levar o medicamento para casa.

Beatriz Gama, diretora de Assuntos Regulatórios da EMS
Entrevista exclusivaBeatriz Gama

Diretora de Assuntos Regulatórios da EMS

A área de Assuntos Regulatórios conduz, junto à Anvisa, os processos de registro e os estudos que um medicamento precisa apresentar para chegar às farmácias.

As dúvidas que mais chegam à empresa

FarmaCertoQuais dúvidas sobre medicamentos genéricos mais aparecem nos canais de atendimento da empresa?

Beatriz Gama

Entre as dúvidas que costumam surgir sobre medicamentos genéricos estão a equivalência em relação aos medicamentos de referência, a eficácia do tratamento, a possibilidade de substituição e as diferenças de preço e apresentação. Também é importante esclarecer como identificar corretamente o medicamento prescrito.

O que os estudos de um genérico comprovam

FarmaCertoComo explicar ao público, com precisão e linguagem simples, o que os estudos exigidos na avaliação de um genérico demonstram?

Beatriz Gama

Para que um medicamento genérico seja aprovado pela Anvisa, ele precisa passar por estudos que comprovem sua qualidade, segurança e eficácia. Esses estudos verificam se o medicamento genérico contém o mesmo princípio ativo, na mesma quantidade e com o mesmo padrão de qualidade do medicamento de referência. O medicamento de referência é o primeiro medicamento aprovado pela Anvisa com base em estudos clínicos e que servirá como padrão para os medicamentos similares (marca) e genérico.

Além disso, quando necessário, são realizados testes que demonstram que o organismo absorve o medicamento de forma semelhante ao medicamento de referência. Esses testes são chamados de bioequivalência e realizados por centros aprovados com a participação de voluntários.

Em outras palavras, esses estudos ajudam a garantir que o genérico tenha o mesmo efeito terapêutico esperado, oferecendo ao paciente uma alternativa segura, eficaz e de qualidade.

“Esses estudos ajudam a garantir que o genérico tenha o mesmo efeito terapêutico esperado.”

Beatriz Gama, diretora de Assuntos Regulatórios da EMS

Quando a troca na farmácia é permitida

FarmaCertoQuais situações exigem esclarecer a prescrição com o farmacêutico ou prescritor, em vez de escolher apenas pelo preço?

Beatriz Gama

É fundamental sempre solicitar a orientação do farmacêutico em caso de dúvidas. O farmacêutico pode propor substituir um medicamento de marca por um genérico correspondente porque essa equivalência foi previamente comprovada e aprovada pela Anvisa. No entanto, essa substituição deve respeitar a legislação vigente.

Quando a prescrição é feita pelo nome do princípio ativo, por exemplo, rosuvastatina cálcica ao invés do nome comercial, o farmacêutico pode dispensar o medicamento genérico correspondente. Já quando houver orientação médica específica restringindo a substituição, essa indicação deve ser observada.

Na visão do farmacêuticoComo a troca funciona no balcão
  • A troca é pelo correspondente. O genérico substitui o medicamento de referência com o mesmo princípio ativo, a mesma concentração e a mesma forma farmacêutica. Comprimido não vira cápsula, e 10 mg não vira 20 mg.
  • A substituição fica registrada na receita. Quando troca a marca pelo genérico, o farmacêutico anota na receita qual medicamento foi entregue, com data e assinatura.
  • Uso contínuo pede atenção. Se a caixa mudou de cor ou de fabricante, confira o princípio ativo e a dose antes de tomar, para não duplicar nem pular o tratamento.
  • Dúvida não se resolve pelo preço. Se a receita traz a orientação de não substituir, ou se você não tem certeza do que foi prescrito, pergunte ao farmacêutico antes de levar.

O que conferir na embalagem

FarmaCertoQue informação sobre identificação, apresentação e canais oficiais pode reduzir dúvidas e confusões na compra?

Beatriz Gama

Todo medicamento genérico pode ser facilmente identificado pela letra G em uma faixa amarela na embalagem e pela frase Medicamento Genérico. Diferentemente dos medicamentos de marca, ele é identificado pelo nome do princípio ativo. Essa identificação ajuda o paciente a reconhecer que se trata de um produto aprovado pela Anvisa e que teve sua equivalência ao medicamento de referência comprovada por estudos exigidos pela regulamentação brasileira.

Também é importante o paciente conferir o nome do princípio ativo, a concentração, a forma farmacêutica, a quantidade de unidades e seguir corretamente as recomendações do médico e as orientações presentes na bula.

Em caso de dúvidas sobre medicamentos e produtos da EMS, os pacientes podem entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) pelo e-mail sac@ems.com.br ou pelo telefone 0800 019 1914. O atendimento ocorre de segunda a quinta-feira, das 9h às 17h, e às sextas-feiras, das 9h às 16h30. A companhia também disponibiliza o canal Fale Conosco, pelo site ems.com.br/fale-conosco.

G faixa amarelamarca do genérico na embalagem, com a frase Medicamento Genérico
4 itenspara conferir na caixa: princípio ativo, concentração, forma farmacêutica e quantidade
FarmaCerto recomendaTire dúvidas direto com o fabricante

Para dúvidas sobre um medicamento da EMS, o caminho certo é o canal oficial da empresa. Para conferir a bula de qualquer medicamento, use o bulário da Anvisa.

Perguntas rápidas sobre genéricos

O que é bioequivalência?

São testes, feitos por centros aprovados e com voluntários, que mostram que o organismo absorve o genérico de forma semelhante ao medicamento de referência. Junto com os testes de qualidade, ajudam a garantir o mesmo efeito terapêutico.

O farmacêutico pode trocar o remédio da receita por um genérico?

Pode, quando a troca respeita a legislação: o genérico substitui o medicamento de referência correspondente. Se a receita traz o nome do princípio ativo, o farmacêutico pode dispensar o genérico. Se o prescritor restringir a substituição na receita, essa indicação deve ser seguida.

Como identificar um medicamento genérico na embalagem?

Pela letra G em uma faixa amarela e pela frase Medicamento Genérico. O genérico é identificado pelo nome do princípio ativo, e não por um nome comercial.

O que conferir na hora da compra?

O nome do princípio ativo, a concentração, a forma farmacêutica e a quantidade de unidades, além de seguir a orientação do prescritor e a bula.

Genérico é a mesma coisa que similar?

Não. O genérico leva o nome do princípio ativo e tem equivalência ao medicamento de referência comprovada. O similar tem nome comercial próprio. Na dúvida sobre a troca, pergunte ao farmacêutico.

Sobre esta entrevista

Entrevista exclusiva, concedida por escrito ao FarmaCerto e intermediada pela assessoria de imprensa da EMS, em outubro de 2026. As respostas são reproduzidas na íntegra, com ajustes apenas de pontuação. Foto de Beatriz Gama: Jefferson Modesto. Pauta editorial, não patrocinada; o conteúdo é informativo, não representa recomendação de medicamento ou marca e não substitui avaliação individual por profissional de saúde.

Referências: Lei nº 9.787/1999 (Lei dos Genéricos) e normas da Anvisa sobre registro, bioequivalência e intercambialidade. Política editorial do FarmaCerto.


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