Chá da Mamãe: Para Que Serve, Se Pode Amamentar e O Que Está Por Trás do Pedido

Chá da Mamãe: Para Que Serve, Se Pode Amamentar e O Que Está Por Trás do Pedido

Por Wagner Fernandes, CRF-RO 4509 · Julho de 2026

🌸 Maternidade · Chás · Farmácia e Psicologia
Wagner Fernandes CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 4509 Fundador FarmaCerto · Farmacêutico RT · Com Thays Gomes Gama, CRP 24/03693

O Chá da Mamãe pode durante a amamentação?

Sim. O Chá da Mamãe Weleda é composto por funcho, erva-doce, melissa, alcarávia e rosa silvestre, todas plantas com uso tradicional seguro na amamentação e com evidência moderada para estimular a produção de leite. Além disso, a melissa contribui com efeito calmante real. Para a mãe que amamenta e precisa desacelerar, a fórmula foi pensada exatamente para isso.

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A mãe que chegava no balcão pedindo o Chá da Mamãe

Durante os anos que trabalhei na maior rede de farmácias da América Latina, o Chá da Mamãe Weleda era um dos pedidos que eu via com olhos diferentes dos outros produtos. A mãe que chegava pedindo esse chá raramente era só uma compradora. Era uma pessoa que havia acabado de atravessar o parto, que dormia duas horas por vez, que tinha o corpo transformado, que amamentava com dor e exaustão, que se perguntava se estava fazendo tudo certo, e que tinha encontrado num chá de farmácia uma forma de cuidar um pouco de si mesma no meio de cuidar de outra vida.

O chá era um pedido. Mas por trás do pedido havia um ser humano precisando de um respiro.

A pergunta que ela fazia não era só “posso tomar esse chá?”. Era, nas entrelinhas, “tem alguém aqui que me vê, que entende o que estou passando, e que pode me dizer que está tudo bem?”

O farmacêutico não é terapeuta. Mas aquele minuto no balcão, explicando com cuidado o que tinha no chá, que era seguro, que ia ajudar, que ela podia parar e respirar, era um ato de acolhimento. E acolhimento, a Thays me ensinou, é o primeiro passo de qualquer cuidado de saúde mental.

O que tem no Chá da Mamãe Weleda

Composição e o que cada planta faz

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Funcho (Foeniculum vulgare): galactagogo com evidência moderada. O anetol tem estrutura similar ao estrogênio e estimula a produção de leite. Também tem ação carminativa, ajudando a reduzir cólica no bebê quando a mãe amamenta. O bebê recebe os compostos pelo leite.
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Erva-doce (Pimpinella anisum): mesmo mecanismo do funcho, também contém anetol. Reforça o efeito galactagogo e carminativo. As duas plantas juntas potencializam o estímulo à produção de leite.
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Melissa (Melissa officinalis): o componente calmante da fórmula. O ácido rosmarínico inibe a degradação do GABA, produzindo efeito ansiolítico e sedativo suave. Para a mãe exausta e ansiosa do pós-parto, esse é o componente que cuida dela, não do leite.
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Alcarávia (Carum carvi): carminativo potente. Reduz gases e cólica, tanto na mãe quanto, pelos compostos que passam para o leite, no bebê. Clássico em fórmulas para amamentação exatamente por esse duplo benefício.
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Rosa silvestre (Rosa canina): rica em vitamina C e flavonoides com ação antioxidante e imunológica. Contribui com a recuperação do organismo materno pós-parto e com a qualidade do leite. Não tem ação galactagoga direta.

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O Chá da Mamãe Weleda combina funcho, erva-doce, melissa, alcarávia e rosa silvestre em sachês práticos. A Weleda é uma das marcas mais respeitadas em fitoterápicos na Europa e no Brasil, com formulação sem aditivos artificiais.

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O Chá da Mamãe realmente aumenta o leite?

Pode contribuir. O funcho e a erva-doce contêm anetol com ação galactagoga moderada documentada. Mas é importante ser honesto: o que tem evidência mais robusta para aumentar a produção de leite é a frequência da amamentação ou ordenha, hidratação adequada e o manejo do estresse.

O estresse é especialmente importante. O cortisol alto inibe a ocitocina, que é o hormônio que ativa a descida do leite. Uma mãe ansiosa e com cortisol elevado pode ter leite produzido mas com dificuldade na descida. A melissa, com sua ação sobre o GABA e redução da ansiedade, atua exatamente nesse ponto. Não no volume de leite, mas na condição para que o leite desça.

Esse é um exemplo concreto de como a farmacologia e a saúde mental se conectam. O chá não é só o chá. É a soma das ações de cada planta no corpo e na mente da mãe.

Como preparar o Chá da Mamãe

Preparo correto

1
Ferva 250ml de água. Desligue o fogo.
2
Adicione 1 sachê do Chá da Mamãe Weleda ou 1 colher de sopa da mistura de ervas.
3
Tampe e deixe em infusão por 5 a 8 minutos. Os óleos essenciais do funcho e da melissa são voláteis. Tampar é fundamental.
4
Coe e beba em temperatura morna. Pode adicionar mel mínimo.
5
Para estimular o leite: tome 2 a 3 xícaras ao longo do dia, especialmente antes das mamadas ou ordenhas. Para o efeito calmante: tome 1 xícara à tarde ou à noite, no momento que escolher para você.

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⚠️ Atenção antes de usar
  • Na gestação: o funcho e a erva-doce contêm anetol, que pode ter efeito uterotônico em doses altas. O chá na amamentação é seguro, mas na gestação deve ser usado com cautela e orientação médica.
  • Bebê com histórico de convulsão: o anetol em doses muito altas pode ter efeitos neurológicos em bebês vulneráveis. Consulte o pediatra antes de usar regularmente se o bebê tem condição neurológica.
  • Alergia a Apiaceae: funcho, erva-doce e alcarávia pertencem à família Apiaceae. Quem tem alergia a cenoura, salsinha ou aipo pode ter reação cruzada.
  • Dose moderada: o anetol se acumula no leite e no organismo do bebê. Máximo 3 xícaras por dia e respeitar o intervalo entre doses.

Quando o chá não é suficiente

O puerpério é um dos períodos mais intensos da vida de uma mulher. A reorganização hormonal, a privação de sono, a responsabilidade da amamentação, as mudanças no corpo e na identidade, tudo acontece ao mesmo tempo e em velocidade que o mundo ao redor raramente acompanha.

Muitas mães chegam ao balcão em busca de um chá quando o que precisam, e têm todo o direito de ter, é um espaço para falar. Para ser escutada sem julgamento. Para entender que o cansaço que sentem não é fraqueza, que a ambivalência da maternidade é real, que pedir ajuda é parte do cuidado e não sinal de fracasso.

Se você está no puerpério e sente que o cansaço vai além do físico, que a ansiedade não passa, que está difícil se conectar com o bebê ou consigo mesma, isso merece atenção profissional. Não amanhã. Agora.

Thays Gomes Gama Neuropsicóloga CRP 24/03693
Thays Gomes Gama · CRP 24/03693 Neuropsicóloga · Psicóloga Clínica · TG Clínica Acolher · Ji-Paraná, RO

O puerpério mexe com a identidade, com o corpo, com os relacionamentos e com a saúde mental de formas que muitas vezes não são nomeadas. A depressão pós-parto afeta entre 10% e 20% das mães e frequentemente passa despercebida. A ansiedade puerperal é ainda mais comum e igualmente negligenciada. O chá ajuda a desacelerar. A psicologia ajuda a entender, processar e atravessar esse período com mais recursos internos. Os dois têm lugar. Um não substitui o outro.

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Do farmacêutico Wagner

Quando uma mãe chegava pedindo o Chá da Mamãe, eu nunca entregava só a caixa. Perguntava como ela estava. Se estava conseguindo dormir. Se tinha apoio em casa. Se o bebê estava mamando bem. Não porque fosse obrigação do protocolo, mas porque a farmácia tem uma posição única: é o serviço de saúde com menor barreira de acesso, sem hora marcada, sem julgamento, no caminho de casa. Às vezes aqueles dois minutos faziam diferença para ela saber que não estava sozinha. O chá é real. O acolhimento também é remédio.

Perguntas frequentes

Sim. A composição inclui funcho, erva-doce, melissa, alcarávia e rosa silvestre, todas consideradas seguras na amamentação em doses moderadas de chá. Máximo 3 xícaras por dia.

Pode contribuir. O funcho e a erva-doce contêm anetol com ação galactagoga moderada. Mas o que tem evidência mais robusta para aumentar o leite é a frequência da amamentação, hidratação adequada e manejo do estresse. O chá ajuda, especialmente pelo componente calmante da melissa.

Funcho, erva-doce, melissa, alcarávia e rosa silvestre. Todas plantas com uso tradicional na amamentação. O funcho e a erva-doce estimulam o leite. A melissa calma. A alcarávia reduz gases e cólica. A rosa silvestre contribui com vitamina C e antioxidantes.

Não diretamente. O chá é formulado para a mãe. Os compostos ativos chegam ao bebê pelo leite materno em concentração segura. Não ofereça o chá diretamente ao bebê sem prescrição pediátrica.

Indiretamente. O funcho e a alcarávia passam pelo leite materno e podem reduzir gases e cólica no bebê. Esse efeito é documentado em estudos com mães que tomam chás de funcho durante a amamentação.

Com cautela. O funcho e a erva-doce contêm anetol com potencial efeito uterotônico em doses altas. Na amamentação é seguro. Na gestação, consulte o obstetra antes.

Máximo 3 xícaras por dia. O anetol se acumula no leite e no organismo do bebê em doses excessivas. Respeitar o limite é importante.

Sim, pela melissa. O ácido rosmarínico da melissa inibe a degradação do GABA, produzindo efeito ansiolítico suave. Para ansiedade puerperal significativa, o chá não é suficiente e acompanhamento psicológico é recomendado.

Referências:
1. ANVISA. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. gov.br/anvisa, 2021.
2. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal e puerpério. gov.br/saude, 2024.
3. Ayers S et al. Postnatal mental health and breastfeeding. Matern Child Nutr. 2014. [sem link verificado]

FarmaCerto · Farmácia e Psicologia Integradas

Porque por trás de todo pedido há um ser humano.

Conteúdo escrito por Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509, com parceria clínica de Thays Gomes Gama, Neuropsicóloga CRP 24/03693.
Não substitui avaliação farmacêutica, médica ou psicológica individualizada.

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