Divalcon (Divalproato de Sódio): Para que Serve, Receita e Efeitos Colaterais | FarmaCerto

Divalcon (Divalproato de Sódio): Para que Serve, Receita e Efeitos Colaterais | FarmaCerto

Por Wagner Fernandes, CRF-RO 4509 · Atualizado em abril de 2026

Wagner Fernandes CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 45094 anos como RT da maior rede farmacêutica da América Latina · RT Hospitalar

Divalcon (divalproato de sódio): o que você precisa saber

  • Princípio ativo: divalproato de sódio (similar ao Depakote, diferente do Depakene)
  • Indicações: epilepsia, transtorno afetivo bipolar e enxaqueca
  • Receita: Controle Especial branca em 2 vias, lista C1 — 1ª via fica na farmácia
  • Risco na gravidez: teratogênico — mulheres em idade fértil precisam de contracepção eficaz
  • Monitoramento obrigatório: valproatemia, função hepática, hemograma

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1. Divalcon foi prescrito para qual condição?

O que é o Divalcon e como funciona?

O Divalcon tem como princípio ativo o divalproato de sódio, um anticonvulsivante e estabilizador de humor que atua aumentando a disponibilidade de GABA (ácido gama-aminobutírico) no sistema nervoso central, reduzindo a excitabilidade neuronal.

É importante diferenciar três produtos da mesma família que causam muita confusão no balcão: o Depakene contém ácido valpróico; o Divalcon e o Depakote contêm divalproato de sódio — que é uma combinação de ácido valpróico com valproato de sódio, causando menos irritação gástrica. Divalcon e Depakote são equivalentes terapêuticos com o mesmo princípio ativo.

🧹 Do balcão do Wagner Receita de Depakote, mas só tinha Divalcon. O paciente ficou na dúvida se podia trocar. Expliquei que são equivalentes terapêuticos com a mesma molécula — mas a substituição na dispensação precisa de autorização do prescritor ou do farmacêutico responsável, com registro na receita. Fiz a intercambialidade com anotação e o paciente saiu com o medicamento. É isso que a consulta farmacêutica resolve.

Para que serve o Divalcon?

  • Epilepsia: controle de crises generalizadas tônico-clônicas, crises de ausência e crises parciais. É um dos antiepilépticos mais utilizados no mundo.
  • Transtorno afetivo bipolar (TAB): tratamento e prevenção de episódios maníacos e mistos. Particularmente eficaz na mania aguda, muitas vezes associado ao lítio.
  • Profilaxia da enxaqueca: uso off-label com evidência robusta para redução da frequência de crises de migrânea.

Receita do Divalcon: regras obrigatórias

O divalproato de sódio está na Lista C1 da Portaria 344/98. Regras para dispensação:

ItemRegra
Tipo de receitaControle Especial branca — lista C1
Número de vias2 vias
1ª viaRetida na farmácia
2ª viaDevolvida ao paciente
Validade30 dias
CPF do pacienteObrigatório (RDC 1.000/2025)
Escrituração SNGPCObrigatória

Divalcon vs Depakote vs Depakene: a diferença que importa

ProdutoPrincípio AtivoDiferencial
DepakeneÁcido valpróicoCápsulas e solução oral, mais irritação gástrica
DivalconDivalproato de sódioComprimidos revestidos, menos irritação gástrica
Depakote ERDivalproato de sódioLiberação prolongada, referência de mercado

Efeitos colaterais do divalproato de sódio

  • Ganho de peso — um dos mais frequentes e incômodos
  • Queda de cabelo (alopecia reversível) — afeta especialmente mulheres
  • Sonolência e sedação, especialmente no início
  • Tremor nas mãos
  • Náusea e desconforto gastrointestinal (menor que o ácido valpróico)
  • Elevação de enzimas hepáticas — monitoramento obrigatório
  • Trombocitopenia (redução de plaquetas)
⚠️ Teratogenicidade — alerta crítico: o divalproato está associado a malformações fetais graves (espinha bífida, cardiopatias) e déficits cognitivos na criança exposta in utero. Mulheres em idade fértil em uso de Divalcon DEVEM usar contracepção eficaz e ser informadas dos riscos. A gravidez deve ser evitada durante o tratamento sempre que possível.

Interações medicamentosas importantes

MedicamentoInteração
Carbamazepina (Tegretol)Reduz o nível de valproato — pode precisar ajuste
Fenitoína (Hidantal)Interação complexa — monitorar ambos
Anticoncepcionais hormonaisRedução mútua de eficácia — discutir método
LamotriginaValproato dobra os níveis de lamotrigina — risco de toxicidade
Aspirina em altas dosesPode elevar os níveis de valproato
Carbapenem (antibióticos)Reduz drasticamente os níveis de valproato — risco de crise
🧹 Do balcão do Wagner Paciente com epilepsia controlada há dois anos. Internou por infecção e recebeu meropenem na UTI. Família veio à farmácia preocupada porque ele teve crises durante a internação. O carbapenem reduz os níveis de valproato em até 80% — é uma interação grave e pouco conhecida fora da neurologia. Levei o impresso da interação para o médico plantonista. Isso salva vidas.

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Monitoramento durante o tratamento

O divalproato exige monitoramento laboratorial regular:

  • Valproatemia: nível sérico terapêutico entre 50 e 100 mcg/mL. Coleta sempre antes da próxima dose (vale mínimo).
  • Função hepática (TGO, TGP): nos primeiros 6 meses, especialmente em crianças menores de 2 anos (maior risco de hepatotoxicidade).
  • Hemograma completo: risco de plaquetopenia.
  • Amônia sérica: em casos de confusão mental durante o tratamento.
Thays Gomes Gama CRP 24/03693
Thays Gomes GamaCRP 24/03693 · Psicóloga e Neuropsicóloga

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Perguntas Frequentes sobre Divalcon

Divalcon precisa de que receita?

Controle Especial branca em 2 vias, lista C1. A 1ª via fica na farmácia, a 2ª vai ao paciente.

Divalcon e Depakote são iguais?

Sim, ambos contêm divalproato de sódio. Divalcon é o similar com equivalência terapêutica aprovada pela ANVISA.

Qual a diferença entre Divalcon e Depakene?

Depakene tem ácido valpróico. Divalcon tem divalproato de sódio — mesma família, menos irritação gástrica.

Divalcon serve para bipolar?

Sim, é primeira linha para episódios maníacos agudos no TAB, muitas vezes combinado com lítio.

Divalcon engorda?

Ganho de peso é efeito colateral frequente, relacionado ao aumento de apetite. Monitoramento do peso e orientação nutricional são recomendados.

Divalcon causa queda de cabelo?

Sim, alopecia reversível é descrita. Geralmente melhora com o tempo. Suplementação de zinco e biotina pode ajudar, sempre com orientação médica.

Divalcon é teratogênico?

Sim, risco grave. Mulheres em idade fértil devem usar contracepção eficaz durante o tratamento. A gravidez deve ser evitada sempre que possível.

Quais exames monitorar?

Valproatemia (50-100 mcg/mL), função hepática, hemograma. Mais frequente nos primeiros 6 meses.

Carbapenem interfere no Divalcon?

Sim, gravemente. Antibióticos carbapenêmicos reduzem os níveis de valproato em até 80%, podendo causar crises. Sempre informar a equipe médica sobre o uso de divalproato em internações.

Referências:
1. ANVISA. Bula do Divalcon (divalproato de sódio). anvisa.gov.br
2. Portaria SVS/MS 344/1998. Lista C1.
3. Johannessen SI et al. Antiepileptic drugs. Epilepsia. 2010.
4. Liga Brasileira de Epilepsia. Diretrizes 2022.
5. Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Diretrizes TAB. 2021.
6. Phiel CJ, Zhang F et al. Histone deacetylase is a direct target of valproic acid. Nat Genet. 2001.
7. FDA Drug Label: Valproate sodium. fda.gov
8. ANVISA. RDC 1.000/2025. anvisa.gov.br
9. Reimers A. New antiepileptic drugs and women. Seizure. 2014.
10. Ministerio da Saúde. RENAME 2024. saude.gov.br

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Conteúdo escrito por Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509. Ji-Paraná, Rondônia.
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