
Leqembi: o que você precisa saber
- O que é: lecanemabe (Leqembi) é um anticorpo monoclonal que reduz as placas beta-amiloide no cérebro
- Para quem: pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada por Alzheimer
- O que faz: retarda a progressão, não cura. Reduziu 27% o declínio cognitivo em 18 meses no estudo CLARITY AD
- Quando chega: fim de junho de 2026 nas farmácias brasileiras
- Preço: entre R$8.108 e R$11.075 por mês, dependendo do estado
- SUS ou plano: sem previsão de cobertura no momento
- Como é administrado: infusão intravenosa, quinzenal, em hospital ou centro de infusão
O que é o Alzheimer e por que esse medicamento é histórico
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, afetando mais de 1,7 milhão de brasileiros, segundo estimativas da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Por décadas, os medicamentos disponíveis, como donepezila e memantina, tratavam apenas os sintomas, sem nenhuma ação sobre o mecanismo biológico que causa a doença.
O lecanemabe, comercializado como Leqembi pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, muda isso. É o primeiro medicamento aprovado no Brasil que age diretamente no mecanismo da doença, reduzindo o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, principal marcador patológico do Alzheimer. A ANVISA concedeu o registro em dezembro de 2025 e a CMED aprovou o preço em abril de 2026.
Como funciona o lecanemabe
O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que se liga seletivamente às formas solúveis e insolúveis do peptídeo beta-amiloide, reduzindo as placas amiloide no cérebro. Essas placas são consideradas pela literatura científica como um dos principais fatores na destruição dos neurônios em pacientes com Alzheimer.
O mecanismo é diferente dos medicamentos tradicionais para Alzheimer. Donepezila e memantina, amplamente usados hoje, inibem enzimas ou bloqueiam receptores para compensar a perda de neurônios, mas não agem nas placas em si. O lecanemabe ataca diretamente o acúmulo de beta-amiloide, que é considerado um evento precoce no processo da doença.
O estudo que embasou a aprovação
A eficácia do lecanemabe foi avaliada no estudo CLARITY AD (Study 301), um ensaio clínico de fase 3 multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 1.795 participantes com Alzheimer em estágio inicial. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo.
| Parâmetro | Resultado |
|---|---|
| Redução no declínio cognitivo | 27% em comparação ao placebo em 18 meses |
| Redução das placas amiloide | Significativa, confirmada por PET scan |
| Pacientes no estudo | 1.795 com Alzheimer em estágio inicial |
| Duração do estudo | 18 meses |
| Principal efeito adverso | ARIA (anomalias de imagem relacionadas ao amiloide) |
Do ponto de vista prático, 27% de redução no declínio cognitivo representa meses a mais de função preservada. Para uma família que cuida de um ente com Alzheimer, isso é meses a mais de reconhecimento, de conversa, de autonomia. Não é pouco. O maior desafio agora é o acesso: R$8 mil a R$11 mil por mês torna o tratamento inacessível para a maioria dos brasileiros sem cobertura de plano ou SUS.
Para quem é indicado
O lecanemabe é indicado para pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, com confirmação da presença de patologia amiloide. Isso significa que o diagnóstico precisa ser confirmado por exames específicos, como PET scan de amiloide ou análise do líquido cefalorraquidiano, antes do início do tratamento.
Preço e acesso no Brasil
O preço foi definido pela CMED em abril de 2026. O custo mensal varia entre R$8.108,94 e R$11.075,62, dependendo da carga tributária estadual, considerando um paciente de 70 kg. Cada aplicação quinzenal pode custar cerca de R$5.500.
| Estado | Faixa de preço mensal |
|---|---|
| Estados com menor tributação | A partir de R$8.108,94 |
| Estados com maior tributação | Até R$11.075,62 |
| Custo por aplicação | Cerca de R$5.500 |
Como é administrado
O lecanemabe é administrado por infusão intravenosa quinzenal (a cada duas semanas), em ambiente hospitalar ou centro de infusão especializado. Por ser um anticorpo monoclonal de alta complexidade, o acompanhamento médico durante o tratamento é obrigatório, com monitoramento por exames de imagem (ressonância magnética) para detectar precocemente qualquer anomalia.
Efeito adverso mais relevante: ARIA
As anomalias de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA) são o principal efeito adverso do lecanemabe. Incluem ARIA-E (edema, inchaço em regiões cerebrais) e ARIA-H (pequenos sangramentos cerebrais). Na maioria dos casos são assintomáticas e detectadas apenas por ressonância magnética. Casos sintomáticos podem causar cefaleia, confusão mental e tonturas. O monitoramento por imagem é parte obrigatória do protocolo de tratamento.
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Fontes: ANVISA (registro dez/2025), New England Journal of Medicine (CLARITY AD), CMED (preço abr/2026), Eisai e Biogen (fabricantes).
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada.
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