Leqembi (Lecanemabe) Chega ao Brasil em Junho: Primeiro Remédio que Retarda o Alzheimer

Leqembi (Lecanemabe) Chega ao Brasil em Junho: Primeiro Remédio que Retarda o Alzheimer

Por Wagner Fernandes, CRF-RO 4509 · 7 de junho de 2026

Chega ao Brasil em junho de 2026
Wagner Fernandes CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 4509 Fundador FarmaCerto · Empresário · RT Farmácia e Hospital

Leqembi: o que você precisa saber

  • O que é: lecanemabe (Leqembi) é um anticorpo monoclonal que reduz as placas beta-amiloide no cérebro
  • Para quem: pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada por Alzheimer
  • O que faz: retarda a progressão, não cura. Reduziu 27% o declínio cognitivo em 18 meses no estudo CLARITY AD
  • Quando chega: fim de junho de 2026 nas farmácias brasileiras
  • Preço: entre R$8.108 e R$11.075 por mês, dependendo do estado
  • SUS ou plano: sem previsão de cobertura no momento
  • Como é administrado: infusão intravenosa, quinzenal, em hospital ou centro de infusão

O que é o Alzheimer e por que esse medicamento é histórico

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, afetando mais de 1,7 milhão de brasileiros, segundo estimativas da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Por décadas, os medicamentos disponíveis, como donepezila e memantina, tratavam apenas os sintomas, sem nenhuma ação sobre o mecanismo biológico que causa a doença.

O lecanemabe, comercializado como Leqembi pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, muda isso. É o primeiro medicamento aprovado no Brasil que age diretamente no mecanismo da doença, reduzindo o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, principal marcador patológico do Alzheimer. A ANVISA concedeu o registro em dezembro de 2025 e a CMED aprovou o preço em abril de 2026.

O lecanemabe não cura o Alzheimer. O medicamento retarda a progressão da doença em pacientes em estágio inicial. O estudo clínico CLARITY AD mostrou redução de 27% no declínio cognitivo ao longo de 18 meses em comparação com placebo. Isso representa meses a mais de função cognitiva preservada, o que tem impacto real na qualidade de vida e autonomia do paciente.

Como funciona o lecanemabe

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que se liga seletivamente às formas solúveis e insolúveis do peptídeo beta-amiloide, reduzindo as placas amiloide no cérebro. Essas placas são consideradas pela literatura científica como um dos principais fatores na destruição dos neurônios em pacientes com Alzheimer.

O mecanismo é diferente dos medicamentos tradicionais para Alzheimer. Donepezila e memantina, amplamente usados hoje, inibem enzimas ou bloqueiam receptores para compensar a perda de neurônios, mas não agem nas placas em si. O lecanemabe ataca diretamente o acúmulo de beta-amiloide, que é considerado um evento precoce no processo da doença.

O estudo que embasou a aprovação

A eficácia do lecanemabe foi avaliada no estudo CLARITY AD (Study 301), um ensaio clínico de fase 3 multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 1.795 participantes com Alzheimer em estágio inicial. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo.

ParâmetroResultado
Redução no declínio cognitivo27% em comparação ao placebo em 18 meses
Redução das placas amiloideSignificativa, confirmada por PET scan
Pacientes no estudo1.795 com Alzheimer em estágio inicial
Duração do estudo18 meses
Principal efeito adversoARIA (anomalias de imagem relacionadas ao amiloide)
Perspectiva do Farmacêutico Wagner

Do ponto de vista prático, 27% de redução no declínio cognitivo representa meses a mais de função preservada. Para uma família que cuida de um ente com Alzheimer, isso é meses a mais de reconhecimento, de conversa, de autonomia. Não é pouco. O maior desafio agora é o acesso: R$8 mil a R$11 mil por mês torna o tratamento inacessível para a maioria dos brasileiros sem cobertura de plano ou SUS.

Para quem é indicado

O lecanemabe é indicado para pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, com confirmação da presença de patologia amiloide. Isso significa que o diagnóstico precisa ser confirmado por exames específicos, como PET scan de amiloide ou análise do líquido cefalorraquidiano, antes do início do tratamento.

Contraindicação crítica: mutação ApoE4. O lecanemabe não é indicado para pacientes portadores de dois alelos do gene ApoE4, por risco aumentado de anomalias de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA), que inclui inchaço e pequenos sangramentos cerebrais. Teste genético é obrigatório antes do início do tratamento.

Preço e acesso no Brasil

O preço foi definido pela CMED em abril de 2026. O custo mensal varia entre R$8.108,94 e R$11.075,62, dependendo da carga tributária estadual, considerando um paciente de 70 kg. Cada aplicação quinzenal pode custar cerca de R$5.500.

EstadoFaixa de preço mensal
Estados com menor tributaçãoA partir de R$8.108,94
Estados com maior tributaçãoAté R$11.075,62
Custo por aplicaçãoCerca de R$5.500
Sem cobertura pelo SUS ou planos de saúde no momento. Até a publicação deste artigo, não há previsão de incorporação ao SUS pela CONITEC nem de inclusão obrigatória na cobertura dos planos de saúde regulados pela ANS. A discussão sobre acesso ao medicamento ainda está no início.

Como é administrado

O lecanemabe é administrado por infusão intravenosa quinzenal (a cada duas semanas), em ambiente hospitalar ou centro de infusão especializado. Por ser um anticorpo monoclonal de alta complexidade, o acompanhamento médico durante o tratamento é obrigatório, com monitoramento por exames de imagem (ressonância magnética) para detectar precocemente qualquer anomalia.

Efeito adverso mais relevante: ARIA

As anomalias de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA) são o principal efeito adverso do lecanemabe. Incluem ARIA-E (edema, inchaço em regiões cerebrais) e ARIA-H (pequenos sangramentos cerebrais). Na maioria dos casos são assintomáticas e detectadas apenas por ressonância magnética. Casos sintomáticos podem causar cefaleia, confusão mental e tonturas. O monitoramento por imagem é parte obrigatória do protocolo de tratamento.

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Por Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509. Ji-Paraná, Rondônia.
Fontes: ANVISA (registro dez/2025), New England Journal of Medicine (CLARITY AD), CMED (preço abr/2026), Eisai e Biogen (fabricantes).
Informativo. Não substitui orientação médica ou farmacêutica individualizada.

Leqembi: primeiro remédio que retarda o Alzheimer chega ao Brasil

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