Dislexia na Criança: Sinais, Quem Faz o Diagnóstico e o Que a Lei Garante na Escola

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Dislexia, direto ao ponto

A dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento, de base genética e hereditária, que dificulta decifrar a escrita e afeta leitura, escrita e compreensão de texto, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. O diagnóstico é feito por equipe multidisciplinar e a Lei 14.254/2021 garante acompanhamento na escola.

  1. Sinais: leitura lenta e com erros, erros de ortografia, inversão de letras ou sílabas e troca na ordem dos sons ao falar.
  2. Diagnóstico: equipe com neuropsicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, neurologista ou neuropediatra.
  3. Tratamento: acompanhamento multidisciplinar desde cedo. Não existe cura, mas a pessoa pode ter vida normal.
  4. Direito: escolas públicas e privadas devem oferecer acompanhamento específico o mais cedo possível.

Outubro é o Mês de Conscientização sobre a Dislexia, e no Brasil o dia 16 de novembro é o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, criado pela Lei nº 13.085/2015, que destaca o diagnóstico e o tratamento precoces. Este guia explica o que observar em casa, quem procurar e o que a escola é obrigada a fazer.

O que é dislexia?

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde define a dislexia como um “transtorno do neurodesenvolvimento, de base genética e hereditária”, que dificulta a decifração da escrita e, por consequência, prejudica a leitura, a escrita e a compreensão de texto (BVS, Mês de Conscientização sobre a Dislexia). A mesma página cita a estimativa da International Dyslexia Association de que a dislexia afeta entre 10% e 15% da população mundial.

Quais são os sinais de dislexia na criança?

Os sinais aparecem em três frentes, segundo a BVS:

Onde apareceExemplo de sinal
FalaTroca na ordem dos sons, como “popica” em vez de “pipoca”
LeituraDecodificação lenta e erros frequentes
EscritaErros de ortografia e inversões de letras ou sílabas

Um sinal isolado não fecha diagnóstico: quem confirma é a equipe de avaliação. Dificuldades de atenção também podem prejudicar a leitura, e por isso vale conhecer os sintomas de TDAH, que é outra condição.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: o tratamento que o Ministério da Saúde descreve para a dislexia é acompanhamento multidisciplinar, não remédio de prateleira. Desconfie de vitamina ou suplemento vendido como solução para dislexia. O caminho é avaliação com a equipe certa e apoio na escola.

Quem faz o diagnóstico de dislexia?

A BVS descreve o diagnóstico como trabalho de equipe “multi e interdisciplinar”, com neuropsicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, neurologistas e neuropediatras. Testes de audição, visão e cognição ajudam a descartar outras causas para a dificuldade de leitura (BVS). A avaliação neuropsicológica é uma das peças desse processo, e explicamos como ela funciona no guia como funciona a avaliação neuropsicológica.

Quando o relatório da equipe fica pronto, ele orienta a escola e a família. Para entender a diferença entre laudo, relatório e quem pode assinar cada documento, veja o texto sobre quem pode emitir laudo, que segue a mesma lógica de equipe.

Avaliação com neuropsicóloga

A neuropsicóloga Thays Gomes Gama (CRP 24/03693), parceira do FarmaCerto em saúde mental, realiza avaliação neuropsicológica, uma das etapas da investigação de dificuldades de leitura, escrita e atenção.

Conhecer a avaliação com a Thays

Dislexia tem cura? Como é o tratamento

A BVS afirma que, “mesmo que não exista uma ‘cura'”, a pessoa com dislexia pode ter uma vida normal quando é acompanhada desde cedo. O tratamento é multidisciplinar e envolve psicopedagogia, psicologia, neuropsicologia e fonoaudiologia (BVS). Quanto mais cedo começa o apoio, melhor, e é exatamente isso que a lei de 2021 tenta garantir dentro da escola.

O que a Lei 14.254/2021 garante ao aluno com dislexia?

A Lei nº 14.254, de 30 de novembro de 2021, determina que o poder público “deve desenvolver e manter programa de acompanhamento integral” para educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem. Em resumo, a lei prevê:

  1. Identificação precoce do transtorno, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional na rede de ensino e apoio terapêutico na rede de saúde (art. 1º).
  2. Escolas da educação básica, públicas e privadas, com apoio da família e dos serviços de saúde, devem garantir cuidado e proteção ao aluno (art. 2º).
  3. Aluno com alteração na leitura e na escrita tem direito a acompanhamento específico, o mais cedo possível, pelos educadores da própria escola (art. 3º).
  4. Se houver necessidade de intervenção terapêutica, ela deve ser feita em serviço de saúde com avaliação diagnóstica e equipe multidisciplinar (art. 4º).
  5. Professores devem ter acesso a informação e formação continuada para identificar sinais precoces (art. 5º).
Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: leve a conversa para a escola por escrito, cite a Lei 14.254/2021 e peça o plano de acompanhamento do seu filho. Ter o relatório da equipe de saúde em mãos ajuda muito.

Para preparar essa conversa, o roteiro do texto como conversar com a escola serve também para famílias de crianças com dislexia. Quando o problema de leitura aparece junto com desatenção, o guia de diagnóstico de TDAH pelo SUS mostra o caminho na rede pública.

Dúvida se é dislexia, TDAH ou os dois? O guia do FarmaCerto organiza sinais, avaliação e tratamento do TDAH.

Abrir o guia de TDAH

Perguntas frequentes

Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento, de base genética e hereditária, que dificulta decifrar a escrita e, por consequência, afeta a leitura, a escrita e a compreensão de texto.
A BVS cita trocas na ordem dos sons ao falar, como popica em vez de pipoca, leitura lenta e com erros frequentes, erros de ortografia e inversões de letras ou sílabas na escrita.
Uma equipe multi e interdisciplinar, que pode reunir neuropsicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, neurologista e neuropediatra. Testes de audição, visão e cognição ajudam a descartar outras causas.
A BVS explica que não existe uma cura, mas que, com acompanhamento desde cedo, a pessoa com dislexia pode ter uma vida normal. O tratamento é multidisciplinar, com psicopedagogia, psicologia, neuropsicologia e fonoaudiologia.
A International Dyslexia Association, citada pela BVS, estima que a dislexia afete entre 10% e 15% da população mundial.
A lei obriga o poder público a manter um programa de acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, com identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional na escola e apoio terapêutico na rede de saúde.
Sim. O artigo 2º da Lei 14.254/2021 fala em escolas da educação básica das redes pública e privada, com apoio da família e dos serviços de saúde.
Não. São condições diferentes, mas a Lei 14.254/2021 trata das duas no mesmo programa de acompanhamento e elas podem aparecer juntas. Por isso a avaliação por equipe é importante para separar uma da outra.

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