
Ácido fólico antes da gravidez, direto ao ponto
Para prevenir a espinha bífida e outros defeitos do tubo neural, o Ministério da Saúde recomenda 400 microgramas (0,4 mg) de ácido fólico por dia, começando pelo menos um mês antes de engravidar e mantendo até a 12ª semana de gestação.
- Dose geral: 0,4 mg de ácido fólico, por via oral, uma vez ao dia.
- Início: pelo menos 4 semanas antes da concepção, ou seja, ainda no planejamento.
- Duração para essa prevenção: até a 12ª semana de gestação.
- Dose maior (acima de 4 mg) só com indicação médica, como em quem já teve gestação com defeito do tubo neural.
- No SUS, ferro e ácido fólico são gratuitos nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde.
O dia 25 de outubro marca o Dia Mundial da Espinha Bífida e Hidrocefalia, e a mensagem mais útil dessa data cabe em um comprimido pequeno: o ácido fólico tomado antes da gravidez. Este guia reúne o que o Ministério da Saúde e a Anvisa dizem sobre dose, prazo e acesso gratuito.
Qual a dose de ácido fólico para quem quer engravidar?
A publicação Saúde Brasil 2020/2021, do Ministério da Saúde, descreve como medida de prevenção do primeiro caso de defeito do tubo neural “o uso materno de 400 µg de ácido fólico, via oral, uma vez ao dia” (Saúde Brasil 2020/2021: anomalias congênitas, Ministério da Saúde). Em linguagem de farmácia, 400 microgramas é o mesmo que 0,4 mg.
O ácido fólico não substitui a vitamina B12, que é outro nutriente, com outra função, e às vezes aparece junto em polivitamínicos.
Quando começar e até quando tomar ácido fólico?
O mesmo documento do Ministério indica o uso “pelo menos quatro semanas (um mês) antes da concepção até a 12ª semana de gestação” (Ministério da Saúde, 2021). O detalhe que mais passa despercebido é o começo: a recomendação vale para quem está tentando engravidar, e não só para quem já está grávida. Quem descobre a gestação e ainda não tomava deve procurar a UBS ou o pré-natal e começar o quanto antes, conforme a orientação da equipe.
Depois da 12ª semana, a suplementação pode continuar por outro motivo. A Conitec registra que a orientação do Ministério para prevenir anemia é manter o suplemento durante toda a gestação (Relatório Conitec nº 377, 2018). Quem decide é o pré-natal.
| Situação | O que o Ministério da Saúde descreve |
|---|---|
| Planejando engravidar, sem histórico | 0,4 mg por dia, desde 4 semanas antes da concepção até a 12ª semana |
| Já teve gestação com defeito do tubo neural | Doses maiores que 4 mg, pelo mesmo período, com indicação médica |
| Usa anticonvulsivante ou tem história familiar de defeito do tubo neural | Situações em que dose mais alta também é recomendada, definida pelo médico |
Quem precisa de dose maior de ácido fólico?
Para prevenir a repetição do problema em quem já teve um bebê com defeito do tubo neural, o Ministério da Saúde cita “doses maiores são recomendadas (>4 mg), pelo mesmo período”. O texto também lista o “uso de anticonvulsivantes durante a gestação” e a história familiar de defeito do tubo neural entre as situações de dose mais alta (Saúde Brasil 2020/2021).
O que é espinha bífida e por que o ácido fólico importa
A espinha bífida faz parte dos defeitos do tubo neural, um dos oito grupos de anomalias congênitas que o Ministério da Saúde considera prioritários para vigilância ao nascimento (Ministério da Saúde). O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde registrou 13.327 casos de defeitos do tubo neural notificados ao nascimento entre 2010 e 2019, com prevalência de 4,57 por 10 mil nascidos vivos (Boletim Epidemiológico vol. 52, nº 6, fevereiro de 2021). O próprio boletim compara esse número com a média latino-americana de 16,66 por 10 mil e o considera muito abaixo do esperado, o que sugere casos sem registro.
A farinha de trigo já tem ácido fólico?
Sim. No Brasil, as farinhas de trigo e de milho são obrigatoriamente enriquecidas com ferro e ácido fólico. A Anvisa exige “no mínimo 140 microgramas e no máximo de 220 microgramas de ácido fólico em 100 gramas” de farinha (Anvisa, perguntas e respostas sobre enriquecimento de farinhas, 3ª edição, 2021). A regra veio da RDC 150/2017, revisada e consolidada na RDC 604/2022 (Anvisa, 2022). O mesmo documento da Anvisa relata redução de cerca de 30% na prevalência de defeitos do tubo neural nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul depois do enriquecimento.
A farinha ajuda a população inteira, mas não garante a dose de 0,4 mg por dia que o Ministério recomenda no período antes da gravidez. Por isso o comprimido continua sendo a orientação.
Quer conferir se um suplemento vitamínico tem registro e composição confiável antes de comprar?
Ver suplementos verificadosO SUS dá ácido fólico de graça?
Sim. O relatório da Conitec de 2018 registra que, pelo Programa Nacional de Suplementação de Ferro, os suplementos de ferro e ácido fólico “deverão estar gratuitamente disponíveis nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde”, conforme a Portaria nº 1.977/2014 (Conitec, 2018). Na prática, procure a UBS do seu bairro, de preferência já na consulta de planejamento ou no início do pré-natal. Nessa mesma fase vale conferir as vacinas indicadas para a gestação, como a vacina contra a bronquiolite para gestantes.
A mesma Conitec avaliou e decidiu não incorporar ao SUS uma associação de ácido fólico com vitamina E (DTN-Fol). Ou seja, o SUS oferece o ácido fólico isolado, que é o que a recomendação pede.
Outros suplementos na gravidez
O ácido fólico é a recomendação central para a prevenção de defeitos do tubo neural. Outros suplementos, como o ômega-3, têm outras finalidades e evidências próprias, que explicamos no guia de ômega-3 na gravidez. Qualquer suplemento extra deve ser combinado com quem acompanha o pré-natal.
Depois do nascimento, consulte doses e cuidados com remédios para crianças no guia do FarmaCerto.
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Leia também
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- Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2020/2021: anomalias congênitas prioritárias para a vigilância ao nascimento. Brasília, 2021.
- Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico vol. 52, nº 6: Anomalias congênitas no Brasil, 2010 a 2019. Fevereiro de 2021.
- Anvisa. Enriquecimento de farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico. Perguntas e respostas, 3ª edição, janeiro de 2021.
- Anvisa. Anvisa revisa e consolida normas da área de alimentos (RDC 604/2022). 2022.
- Conitec. Relatório de recomendação nº 377: ácido fólico 400 mcg associado a vitamina E 10 mg (DTN-Fol). Agosto de 2018.
Conteúdo informativo, revisado por Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509. Não substitui a consulta de pré-natal.
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