Arritmia Cardíaca: Sintomas, Fibrilação Atrial e o Que Fazer Diante de uma Morte Súbita

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Arritmia cardíaca: a resposta direta

Arritmia cardíaca é uma alteração no ritmo do coração, que pode bater rápido, devagar ou de forma irregular; ela causa palpitação, tontura e desmaio, muitas vezes não dá sintoma e, segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, leva à morte súbita de 250 mil a 300 mil brasileiros por ano.

  1. Cerca de 95% das mortes súbitas acontecem fora de hospitais e postos de saúde.
  2. A fibrilação atrial é a arritmia recorrente mais comum e aumenta em média quatro vezes a chance de AVC.
  3. O exame que confirma o diagnóstico é o eletrocardiograma.
  4. Diante de alguém que caiu e não respira: ligue 192 e comece a massagem cardíaca na hora.
  5. Pressão alta, colesterol, diabetes, obesidade e infarto prévio aumentam o risco.

Em 12 de novembro é lembrado o Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, data do calendário de saúde do Ministério da Saúde. O assunto interessa a todo mundo por um motivo prático: quase todas as mortes súbitas acontecem em casa, no trabalho ou na rua, e quem está ao lado é quem pode agir primeiro. Abaixo estão os sintomas, os fatores de risco, o exame que confirma o problema e o passo a passo da massagem cardíaca.

O que é arritmia cardíaca?

Arritmia é qualquer alteração no ritmo normal dos batimentos. O coração pode acelerar demais, ficar lento ou bater de forma irregular. Algumas arritmias são benignas; outras podem fazer o coração parar de bombear sangue, o que provoca a morte súbita. A Secretaria da Saúde do Paraná, com dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), lembra que em alguns casos a morte súbita é a primeira e única manifestação do problema, e que sem socorro imediato e uso de um desfibrilador as chances de sobrevivência são mínimas.

DadoNúmero
Brasileiros que morrem subitamente por arritmias a cada ano (Sobrac)250 mil a 300 mil
Mortes súbitas que acontecem fora de unidades de saúde (Sobrac)Cerca de 95%
Incidência de morte súbita em jovens1 caso por 100 mil
Incidência acima dos 50 anos50 casos por 100 mil
Incidência depois dos 80 anos200 casos por 100 mil

Os números de incidência por idade foram divulgados pela Secretaria da Saúde do Paraná em 12/11/2025. Eles mostram que a idade é um fator determinante, mas a morte súbita também atinge jovens.

Quais são os sintomas de arritmia?

Os sinais mais citados pela Secretaria da Saúde do Paraná são:

  • palpitações (sensação de coração disparado, falhando ou batendo forte);
  • tontura;
  • desmaio;
  • falta de ar;
  • dor no peito;
  • suor e palidez.

Muitas pessoas com arritmia não sentem nada. Por isso o acompanhamento na Atenção Primária, com medida de pressão, peso e glicose, é a porta de entrada para descobrir o problema antes de uma complicação.

Nem toda palpitação é doença do coração. Excesso de café e energéticos, ansiedade e crises de pânico também aceleram os batimentos. O FarmaCerto explica quando o café passa do ponto e como reconhecer os sintomas de uma crise de pânico. Mesmo assim, palpitação que vem com desmaio, dor no peito ou falta de ar precisa de avaliação no mesmo dia.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: coração disparando junto com tontura ou desmaio não é para esperar passar nem para resolver com calmante por conta própria. Anote quando acontece, quanto tempo dura e o que você estava fazendo, e leve essas informações à consulta. Elas ajudam muito o médico a decidir qual exame pedir.

O que é fibrilação atrial e por que ela causa AVC?

A fibrilação atrial é a arritmia recorrente mais comum na prática clínica, segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. No estudo brasileiro ELSA-Brasil, 2,5% dos participantes tinham fibrilação ou flutter atrial; entre idosos da cidade de São Paulo, a frequência foi de 2,9% nos homens e 2,0% nas mulheres.

Com o ritmo irregular, o sangue pode formar coágulos dentro do coração, que viajam até o cérebro. A diretriz afirma que a fibrilação atrial aumenta em média quatro vezes a chance de AVC. Por isso o médico avalia em cada caso a necessidade de remédio para afinar o sangue. Os sinais de um AVC e o que fazer na hora estão no guia do FarmaCerto sobre como reconhecer um AVC, e as diferenças entre coágulo no cérebro e na perna estão no texto sobre trombose.

Qual exame detecta arritmia?

O exame básico é o eletrocardiograma. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que o diagnóstico de fibrilação atrial clínica deve ser feito pelo eletrocardiograma de 12 derivações. Quando a arritmia vem e vai, o médico pode pedir exames que registram o ritmo por mais tempo.

Relógios e pulseiras inteligentes que avisam sobre ritmo irregular podem ajudar: a mesma diretriz cita sensibilidade de 67,7% a 100% desses dispositivos vestíveis para fibrilação atrial. Eles servem como alerta, não como diagnóstico. Se o relógio avisar, procure o médico com o histórico salvo no aparelho.

Quem tem mais risco de arritmia e morte súbita?

Os fatores de risco citados pela Secretaria da Saúde do Paraná são hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade, além de doença cardíaca e infarto prévio. Quase todos podem ser acompanhados de graça no SUS. Os remédios para pressão e diabetes estão entre os oferecidos sem custo pelo programa, como mostra o guia da Farmácia Popular.

Quem já usa remédio para o coração, como o propranolol, não deve parar nem mudar a dose por conta própria: qualquer ajuste é feito com o médico que acompanha o tratamento.

Peso também conta para o coração.
A obesidade é um dos fatores de risco para arritmia. Confira o seu índice de massa corporal em menos de um minuto.

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O que fazer se alguém cair e não respirar?

A morte súbita acontece quando o coração para de bombear sangue. Cada minuto sem ajuda conta, e quem está perto é quem pode manter o sangue circulando até a ambulância chegar. O passo a passo abaixo segue as orientações do SAMU 192 e os parâmetros do fluxo de parada cardiorrespiratória da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (2024):

  1. Chame a pessoa em voz alta. Se ela não responder e não respirar normalmente, peça ajuda e ligue para o SAMU 192.
  2. Deite a pessoa de barriga para cima em superfície rígida, como o chão.
  3. Apoie uma mão sobre a outra na parte inferior do osso central do peito.
  4. Com os braços esticados, comprima o peito pelo menos 5 cm, num ritmo de 100 a 120 compressões por minuto.
  5. Deixe o peito voltar totalmente à posição normal entre uma compressão e outra.
  6. Se houver outra pessoa, revezem a cada 2 minutos para não perder a força.
  7. Se houver um desfibrilador no local, peça que alguém traga o aparelho enquanto você continua as compressões.
Não espere para agirPessoa que desmaiou e não respira normalmente é emergência: ligue 192 e comece a massagem cardíaca imediatamente.

Perguntas frequentes

Palpitações, tontura, desmaio, falta de ar, dor no peito, suor e palidez. Muitas pessoas não sentem nada, e em alguns casos a morte súbita é a primeira manifestação, alerta a Secretaria da Saúde do Paraná com dados da Sobrac.
Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, citada pela Secretaria da Saúde do Paraná, entre 250 mil e 300 mil brasileiros morrem subitamente a cada ano por arritmias, e cerca de 95% dessas mortes acontecem fora de unidades de saúde.
É a arritmia recorrente mais comum na prática clínica, segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025. O coração bate de forma irregular, e a fibrilação atrial aumenta em média quatro vezes a chance de AVC.
O eletrocardiograma. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que o diagnóstico de fibrilação atrial clínica deve ser feito pelo eletrocardiograma de 12 derivações.
Pode dar um sinal de alerta. A diretriz de 2025 cita sensibilidade de 67,7% a 100% dos dispositivos vestíveis para fibrilação atrial, mas a confirmação continua sendo o eletrocardiograma avaliado por um médico.
Ligue para o SAMU 192, deite a pessoa de costas em superfície rígida e comece a massagem cardíaca no centro do peito, com 100 a 120 compressões por minuto e pelo menos 5 cm de profundidade, até a equipe chegar.
Quem tem pressão alta, colesterol alto, diabetes, obesidade, doença do coração ou já teve infarto. A idade também pesa: a incidência de morte súbita sobe de 1 caso por 100 mil jovens para 200 por 100 mil depois dos 80 anos.
Não. Café, ansiedade e crise de pânico também aceleram o coração. Palpitação que vem com desmaio, dor no peito ou falta de ar, ou que se repete, precisa de avaliação médica e eletrocardiograma.

Fontes: Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, Paraná reforça alerta no Dia Nacional de Prevenção às Arritmias e à Morte Súbita, 12/11/2025 (dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas). Sociedade Brasileira de Cardiologia, Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial 2025, Arq Bras Cardiol 2025;122(9):e20250618. Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Fluxo de atendimento da parada cardiorrespiratória, versão de 25/06/2024. SAMU 192 Ceará, Primeiros socorros. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, calendário de datas da saúde (Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, 12 de novembro). Páginas consultadas em 24/10/2026.


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