Malária: Sintomas, Exame da Gota Espessa e o Tratamento Grátis no SUS

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Malária: a resposta direta

A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasito Plasmodium e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles; provoca febre alta, calafrios, tremores e suor, tem cura e é tratada com comprimidos fornecidos de graça nas unidades do SUS, segundo o Ministério da Saúde.

  1. Mais de 99% dos casos no Brasil acontecem na região amazônica, que inclui Rondônia.
  2. Em 2025 o país registrou 118.037 casos autóctones, o menor número desde 1979.
  3. O exame oficial é a gota espessa, feita com uma gota de sangue; o teste rápido é usado onde o resultado não sai em menos de 24 horas.
  4. O tratamento depende da espécie do parasito e dura de 3 a 14 dias, conforme o caso.
  5. Gestantes, mulheres até um mês de amamentação e bebês com menos de 6 meses não podem usar primaquina.

Em 6 de novembro é lembrado o Dia da Malária nas Américas, data do calendário de saúde do Ministério da Saúde. Para quem mora ou viaja para a Amazônia, a regra prática é simples: febre depois de passar por área de malária pede exame de sangue no mesmo dia. Abaixo estão os sintomas, como o exame é feito, os remédios que o SUS usa e os cuidados para tomar cada um deles.

O que é a malária e como ela é transmitida?

A malária é causada por um parasito do gênero Plasmodium e passa para as pessoas pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, informa a página de malária do Ministério da Saúde. Ela não passa de pessoa para pessoa no convívio e não é transmitida pela água. Formas raras de transmissão incluem transfusão de sangue, seringa contaminada, acidente de laboratório e transmissão da mãe para o bebê.

O Ministério da Saúde informa que não há vacina contra a malária disponível no Brasil. Uma candidata brasileira está em fase de pesquisa, e o FarmaCerto explicou o estudo da vacina Vivaxin contra a malária vivax.

Onde a malária acontece no Brasil?

A região amazônica concentra mais de 99% dos casos autóctones, aqueles em que a pessoa se infectou no próprio país, segundo a situação epidemiológica publicada pelo Ministério da Saúde. Os estados da região são Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Dado de 2025Número
Casos autóctones de malária no Brasil118.037 (queda de 14,8% em relação a 2024, menor número desde 1979)
Casos autóctones por P. falciparum18.714 (queda de 30,7% em relação a 2024)
Participação da região amazônicaMais de 99% dos casos autóctones

Fora da Amazônia os casos são poucos, mas o Ministério da Saúde alerta que a letalidade fora da região amazônica é maior. Quem voltou de viagem à região e tem febre deve contar isso ao profissional que fizer o atendimento.

Quais são os sintomas da malária?

Os sintomas mais comuns, segundo o Ministério da Saúde, são:

  • febre alta;
  • calafrios e tremores;
  • suor intenso (sudorese);
  • dor de cabeça.

Náusea, vômito, cansaço e falta de apetite podem aparecer antes. Na malária grave surgem convulsões e alteração da consciência, e a pessoa precisa ser internada imediatamente. Gestantes, crianças e quem pega malária pela primeira vez têm mais risco de complicação.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: febre com calafrio depois de pescaria, garimpo, sítio ou viagem pela Amazônia não é para tratar em casa. Remédio para febre pode baixar a temperatura por algumas horas, mas não elimina o parasito. O que resolve é o exame no mesmo dia e o tratamento certo para a espécie encontrada.

Na região amazônica, febre também pode ser dengue, e as duas doenças pedem cuidados diferentes. Para pais, o guia de dengue em crianças mostra os sinais de alerta, e o exame de sangue é o que separa uma doença da outra.

Como é feito o exame de malária?

O diagnóstico exige encontrar o parasito, ou antígenos dele, no sangue, explica o Ministério da Saúde na página de tipos de diagnóstico. São três exames:

ExameComo é usado
Gota espessaMétodo oficialmente adotado no Brasil; cerca de 30 vezes mais eficaz que o esfregaço para detectar a infecção
Esfregaço delgadoTem baixa sensibilidade
Teste rápidoUsado para confirmar o diagnóstico onde não é possível garantir resultado em menos de 24 horas, como áreas rurais de difícil acesso, garimpos e áreas indígenas

A sorologia, o exame de anticorpos, não deve ser feita quando há suspeita de malária, segundo a mesma página.

Qual é o tratamento da malária no SUS?

O tratamento é feito em casa, com comprimidos fornecidos gratuitamente nas unidades do SUS; só os casos graves vão direto para o hospital, informa o Ministério da Saúde. O esquema muda conforme a espécie do parasito, a idade, o peso, a gravidez e outras condições, e a dose é sempre definida pelo profissional de saúde. Os medicamentos e a duração, segundo a página de esquemas de tratamento, são:

EspécieMedicamentosDuração
P. vivax ou P. ovaleCloroquina + primaquinaCloroquina por 3 dias e primaquina por 7 dias
P. vivax ou P. ovale com recorrênciaCombinação com derivado de artemisinina (ACT) + primaquinaACT por 3 dias e primaquina por 14 dias
P. malariaeCloroquina, sem primaquina3 dias
P. falciparumACT (artemeter + lumefantrina ou artesunato + mefloquina) + primaquina em dose única3 dias
Infecção mista (P. falciparum com P. vivax ou P. ovale)ACT + primaquinaACT por 3 dias e primaquina por 7 dias
Malária graveArtesunato na veia ou no músculo, no hospitalNo mínimo 24 horas, até ser possível passar para o remédio oral

Na malária vivax, a primaquina é usada contra as formas do parasito que ficam latentes no fígado e podem causar recaída. Depois do tratamento, o Ministério da Saúde recomenda a lâmina de verificação de cura para todos os casos, um novo exame de sangue que confirma que o parasito foi eliminado.

Gestantes e crianças podem tomar primaquina?

Não. Gestantes, puérperas com até um mês de amamentação e crianças menores de 6 meses não podem usar primaquina, segundo a orientação oficial de esquemas. Nesses grupos, a malária por P. falciparum é tratada só com ACT. Gestantes com P. vivax ou P. ovale recebem cloroquina por 3 dias e depois cloroquina preventiva até o fim do primeiro mês de amamentação, para evitar recaídas. Na malária grave, o artesunato é indicado também para bebês e gestantes em todos os trimestres.

Em criança, a dose de cada remédio é calculada pela idade e pelo peso. Para entender por que a dose infantil nunca é uma fração “a olho” da dose de adulto, veja o guia abaixo.

Tem criança em casa?
O guia pediátrico do FarmaCerto explica como funcionam as doses por peso e os cuidados com remédios em crianças.

Abrir o guia pediátrico

Como tomar os remédios da malária corretamente?

As orientações do Ministério da Saúde ao paciente em tratamento são:

  1. Tomar os comprimidos de preferência depois de uma refeição, para evitar vômito.
  2. Completar o tratamento até o fim, mesmo que os sintomas desapareçam.
  3. Se vomitar até 60 minutos depois de tomar, repetir toda a medicação daquela dose; se o vômito vier depois de 60 minutos, não é preciso repetir.
  4. Se surgir urina escura, pele e olhos amarelados (icterícia), tontura ou falta de ar, suspender a primaquina imediatamente e procurar o médico.
  5. Sempre que possível, as doses são supervisionadas pela equipe de saúde, e o acompanhante ou responsável também recebe as orientações.
Sinal de alerta durante o tratamentoUrina escura, pele ou olhos amarelados, tontura ou falta de ar em quem toma primaquina: pare o remédio e procure atendimento com urgência, conforme orienta o Ministério da Saúde.

Como prevenir a malária?

As medidas individuais recomendadas pelo Ministério da Saúde são usar mosquiteiro, roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas e repelente. O guia de proteção e repelentes do FarmaCerto ajuda a escolher e aplicar o repelente do jeito certo. Nas comunidades, o SUS faz borrifação dentro das casas, distribui mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração e atua na drenagem e limpeza de criadouros.

Perguntas frequentes

Febre alta, calafrios, tremores, suor intenso e dor de cabeça. Náusea, vômito, cansaço e falta de apetite podem aparecer antes, segundo o Ministério da Saúde.
Não pelo convívio. A malária é transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Formas raras incluem transfusão de sangue, seringa contaminada e transmissão da mãe para o bebê. Ela não é transmitida pela água.
Sim. A malária tem cura, e o tratamento é feito com comprimidos fornecidos gratuitamente nas unidades do SUS. Só os casos graves precisam de internação.
A gota espessa, método oficial no Brasil, feita com uma gota de sangue. O teste rápido é usado onde não dá para garantir o resultado em menos de 24 horas. A sorologia não deve ser usada na suspeita de malária.
Depende da espécie. Na malária vivax, cloroquina por 3 dias e primaquina por 7 dias. Na falciparum, combinação com derivado de artemisinina por 3 dias e primaquina em dose única. Em recaída, a primaquina pode ir a 14 dias.
Não. Gestantes, puérperas com até um mês de amamentação e bebês com menos de 6 meses não usam primaquina. A gestante com malária vivax recebe cloroquina por 3 dias e cloroquina preventiva até o fim do primeiro mês de amamentação.
Se o vômito acontecer até 60 minutos depois da dose, repita toda a medicação daquela dose. Depois de 60 minutos, não é preciso repetir.
Não. O Ministério da Saúde informa que não há vacina contra a malária disponível no Brasil. A prevenção é feita com mosquiteiro, roupas compridas, telas e repelente.
Na rede do SUS. Na região amazônica, procure a unidade de saúde mais próxima no mesmo dia da febre; o diagnóstico rápido e o tratamento no tempo certo reduzem os casos graves e as mortes.

Fontes: Ministério da Saúde, Malária (Saúde de A a Z), Tipos de diagnóstico, Esquemas de tratamento, Orientações ao paciente e Situação epidemiológica da malária, páginas consultadas em 24/10/2026. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, calendário de datas da saúde (Dia da Malária nas Américas, 6 de novembro).


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