Psoríase: Sintomas, o Que Piora as Placas e os Remédios que o SUS Oferece

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Psoríase, direto ao ponto

A psoríase é uma doença inflamatória crônica e não contagiosa que forma placas avermelhadas com escamas esbranquiçadas ou prateadas, mais comuns em cotovelos, joelhos e couro cabeludo. No SUS, o protocolo do Ministério da Saúde prevê pomadas nos casos leves e fototerapia, comprimidos ou biológicos nos casos moderados a graves.

  1. Não tem cura, mas pode ser controlada quase por completo com tratamento regular.
  2. Não passa de uma pessoa para outra: conviver, abraçar e dividir objetos é seguro.
  3. Frio, infecções, estresse, banhos longos e quentes, álcool e alguns remédios podem piorar as placas.
  4. O SUS classifica a gravidade pelos índices PASI, superfície corporal atingida e DLQI (impacto na qualidade de vida).
  5. Cerca de um terço dos pacientes pode ter artrite psoriásica, que exige acompanhamento para evitar deformidade nas articulações.

O que é psoríase e ela pega?

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Psoríase do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta nº 18, de 14 de outubro de 2021, a psoríase é uma doença inflamatória crônica, não contagiosa, que atinge principalmente a pele, as unhas e as articulações e tende a ter fases de melhora e piora. O protocolo estima que ela afete cerca de 2% da população mundial; um estudo brasileiro citado no documento encontrou prevalência de 1,31% em uma amostra de 8.947 pessoas.

A causa não é totalmente conhecida, mas há predisposição genética. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde reforça o ponto que mais pesa no dia a dia de quem tem a doença: a psoríase não é contagiosa.

Quais são os sintomas de psoríase?

O sinal típico são placas vermelhas, elevadas, cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas. Segundo a BVS, nas formas leves elas aparecem nos cotovelos, nos joelhos ou no couro cabeludo; nos casos graves, espalham-se pelo corpo. A psoríase pode causar coceira, dor e rigidez nas articulações, e as unhas também podem ser afetadas.

A maioria dos pacientes, entre 70% e 80% segundo especialista ouvido pela BVS, tem a forma leve. A doença, porém, não fica só na pele: está associada a obesidade, hipertensão, síndrome metabólica, doenças do coração, diabetes e transtornos mentais. Quem tem psoríase e notou ganho de peso ou glicose alta deve conversar com o médico; o texto sobre diabetes e peso ajuda a entender essa ligação.

O que piora a psoríase?

O PCDT e a BVS listam gatilhos que podem desencadear ou piorar as crises:

  • clima frio e banhos longos e muito quentes;
  • infecções, como as causadas por estreptococo (dor de garganta bacteriana);
  • estresse;
  • consumo de álcool;
  • alguns medicamentos: betabloqueadores, antimaláricos, lítio e inibidores da enzima conversora de angiotensina (usados na pressão alta);
  • a retirada de corticoide, que pode provocar a forma pustulosa da doença como rebote.

Esse último ponto explica por que corticoide nunca deve ser iniciado ou suspenso por conta própria, como detalhamos no guia da prednisona. Para o álcool, que também é contraindicação de um dos remédios do protocolo, vale fazer o teste AUDIT sobre consumo de álcool.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: se você usa remédio para pressão, coração ou humor e a psoríase piorou, não pare o remédio por conta própria. Leve a lista do que toma ao médico. Muitas vezes existe troca possível, mas suspender sozinho um betabloqueador ou o lítio pode trazer um problema maior do que as placas.

Como o SUS define se a psoríase é leve ou grave?

O PCDT da Psoríase usa três medidas para decidir o tratamento:

MedidaPsoríase leveModerada a grave
PASI (extensão e intensidade das lesões)Igual ou inferior a 10Superior a 10
Superfície corporal atingidaIgual ou inferior a 10%Acima de 10%
DLQI (impacto na qualidade de vida)Igual ou inferior a 10Superior a 10

Segundo o protocolo, a psoríase leve pode ser acompanhada na Atenção Primária por médico não especialista. Quem precisa de fototerapia ou de medicamento sistêmico deve ser acompanhado, de preferência, em serviço especializado com dermatologista.

Quais remédios para psoríase o SUS oferece?

O tratamento segue etapas. Nos casos leves, o protocolo usa medicamentos aplicados na pele. Nos casos moderados a graves, entram a fototerapia e os medicamentos sistêmicos.

EtapaO que o PCDT prevê
Tópicos (na pele)Clobetasol creme 0,5 mg/g e solução capilar 0,5 mg/g; dexametasona creme 1 mg/g; calcipotriol pomada 50 mcg/g; ácido salicílico pomada 5%; alcatrão mineral pomada 1%
FototerapiaUVB de faixa estreita como primeira linha; PUVA em geral com 20 a 25 sessões, 2 a 3 vezes por semana
Sistêmicos de primeira linhaMetotrexato, acitretina e ciclosporina
Biológicos, primeira etapa da segunda linhaAdalimumabe
Biológicos, segunda etapaSecuquinumabe, ustequinumabe ou risanquizumabe

O calcipotriol é um derivado da vitamina D usado na pele, com receita. Ele não equivale a tomar suplemento por conta própria, e o que a vitamina D em cápsula faz ou não faz é outra conversa. Da mesma forma, suplementos como o ômega-3 não substituem o tratamento; o que os estudos dizem sobre ômega-3 e inflamação está explicado em outro guia do FarmaCerto.

Gravidez e remédios para psoríaseSegundo o PCDT, o metotrexato é contraindicado na gestação, na lactação e durante a tentativa de engravidar, para homens e mulheres. A acitretina é considerada altamente insegura na gestação, e o teste de gravidez deve ser repetido todo mês por até 2 anos depois de parar o remédio. O uso de álcool é contraindicação absoluta da acitretina.

Por que é preciso fazer exame de tuberculose antes do biológico?

Os medicamentos biológicos mexem com a imunidade, e o protocolo exige investigar tuberculose ativa e infecção latente antes de começar. Para isso, são usados a radiografia de tórax e a prova tuberculínica (PPD) ou o teste de liberação de interferon-gama (IGRA). O documento também lembra que o paciente, ou seu responsável, deve ser informado dos riscos e efeitos adversos de qualquer tratamento.

Orientação do farmacêuticoNa pomada de corticoide, o erro mais comum é usar demais por muito tempo ou parar de repente quando melhora. Siga a quantidade e o tempo que o médico indicou e volte à consulta se a placa não responder, em vez de trocar de pomada por indicação de conhecido.

Como cuidar da pele com psoríase no dia a dia?

A BVS do Ministério da Saúde recomenda:

  1. manter a pele bem hidratada;
  2. tomar sol com moderação, com creme hidratante ou terapêutico aplicado antes;
  3. evitar bebidas alcoólicas e buscar ajuda para lidar com o estresse;
  4. não se afastar de encontros sociais por causa das lesões;
  5. consultar o dermatologista com regularidade e seguir as orientações.

O isolamento por vergonha das placas é comum, e a psoríase está ligada a transtornos mentais. Se a tristeza ficou constante, leia sobre sintomas de depressão e quando buscar ajuda. O Dia Mundial e Nacional da Psoríase é lembrado em 29 de outubro.

Estresse é um dos gatilhos de crise da psoríase. Veja em poucos minutos como está o seu nível de estresse.

Fazer o teste de estresse

Perguntas frequentes

Não. A psoríase é uma doença inflamatória crônica que não passa de uma pessoa para outra, nem pelo contato com a pele, nem por objetos compartilhados.
Não tem cura, mas pode ser controlada quase por completo com tratamento regular, segundo a BVS do Ministério da Saúde.
Placas vermelhas e elevadas com escamas esbranquiçadas ou prateadas, geralmente em cotovelos, joelhos e couro cabeludo, que podem coçar. Unhas e articulações também podem ser afetadas.
Frio, infecções como as por estreptococo, estresse, banhos longos e muito quentes, álcool, alguns medicamentos (betabloqueadores, antimaláricos, lítio e alguns remédios de pressão) e a retirada de corticoide.
O PCDT prevê pomadas e cremes como clobetasol, dexametasona e calcipotriol, fototerapia, os medicamentos sistêmicos metotrexato, acitretina e ciclosporina e os biológicos adalimumabe, secuquinumabe, ustequinumabe e risanquizumabe.
Pelo PASI, pela porcentagem da superfície corporal atingida e pelo DLQI. Valores acima de 10 no PASI e no DLQI indicam psoríase moderada a grave.
Não. O metotrexato é contraindicado na gestação, na lactação e na tentativa de engravidar. Com a acitretina, o teste de gravidez deve ser repetido todo mês por até 2 anos depois de parar o remédio.
Pode. Cerca de um terço dos pacientes pode ter artrite psoriásica, uma inflamação das articulações que causa dor e rigidez e pode levar a deformidades sem tratamento.

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