Radioterapia pelo SUS: Como Funciona, Efeitos na Pele e o Prazo de 60 Dias para Começar

Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Radioterapia pelo SUS, direto ao ponto

A radioterapia é o tratamento do câncer com radiação, feito de graça pelo SUS em hospitais habilitados em oncologia; segundo o INCA, cerca de 70% dos pacientes com câncer recebem radiação em algum momento, e a lei garante o início do primeiro tratamento em até 60 dias após o laudo.

  1. Na radioterapia externa, as aplicações são geralmente diárias, de segunda a sexta, e o paciente não sente nada durante a sessão
  2. O número de sessões não é fixo: depende do tipo, do tamanho e do local do tumor
  3. Os efeitos na pele costumam aparecer por volta da terceira semana e são passageiros
  4. A Lei 12.732/2012 dá prazo de até 60 dias, contados do laudo patológico, para começar cirurgia, radioterapia ou quimioterapia no SUS
  5. O Ministério da Saúde informou em 17/10/2026 que 105 novos aceleradores lineares estão sendo instalados no país

O que é radioterapia e para que serve?

Radioterapia é o tratamento que usa radiações ionizantes para destruir as células do tumor ou impedir que elas se multipliquem. A página do Instituto Nacional de Câncer (INCA) explica que essas radiações não são vistas e que, durante a aplicação, o paciente não sente nada. Ela pode ser usada sozinha ou junto com cirurgia e quimioterapia, e mesmo quando a cura não é possível ajuda a controlar sintomas como dor e sangramento.

Os remédios orais e injetáveis do tratamento oncológico seguem outro caminho dentro do SUS. Explicamos esse fluxo no texto sobre remédios para câncer no SUS e a AF-Onco.

Por que o governo está instalando novos aceleradores lineares?

O acelerador linear é o aparelho que emite a radiação na radioterapia externa. Em nota de 17/10/2026, o Ministério da Saúde informou que a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa de Santos (SP) vão receber um aparelho cada, com capacidade de 720 procedimentos por ano por equipamento, dentro de um conjunto de 105 novos aceleradores em instalação em todas as regiões. O investimento em Santos foi de R$ 17,5 milhões pelo PAC Saúde e pelo programa Agora Tem Especialistas, e a meta declarada é reduzir a fila de espera por radioterapia.

Na mesma nota, o ministério cita estimativa do INCA de 3.896 casos novos de câncer por ano entre os usuários do SUS da região, dos quais 72% têm indicação de radioterapia. O número mostra por que a falta de aparelho vira fila.

Como conseguir radioterapia pelo SUS?

Ninguém marca radioterapia direto. O caminho começa na Unidade Básica de Saúde ou no médico que investigou o caso, segue para o especialista e, com o diagnóstico confirmado, o paciente é encaminhado pela regulação para um hospital habilitado em oncologia. O passo a passo da regulação, do pedido de consulta até o agendamento, está no nosso guia de consulta com especialista, exames e cirurgias pelo SUS.

EtapaO que acontece
1. Suspeita e examesUBS ou especialista pede os exames; com suspeita forte de câncer, a lei prevê até 30 dias para os exames de diagnóstico
2. Laudo patológicoA biópsia confirma o diagnóstico; a partir daqui começa a contar o prazo de 60 dias
3. EncaminhamentoA regulação envia o paciente ao hospital habilitado em oncologia
4. Consulta com o radio-oncologistaO médico define se a radioterapia entra no plano e em qual fase
5. PlanejamentoSimulador e exames de imagem delimitam a área; a física médica calcula a dose
6. AplicaçõesSessões agendadas, com revisão médica semanal e consulta de enfermagem para a pele

Qual é o prazo para começar o tratamento do câncer no SUS?

A Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012 garante ao paciente com câncer o direito de começar o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias contados do dia em que o diagnóstico é firmado em laudo patológico, ou em prazo menor se o caso exigir. A lei considera o tratamento iniciado com a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia, conforme a necessidade do caso. Um parágrafo incluído pela Lei nº 13.896/2019 fixa ainda até 30 dias para os exames de diagnóstico quando a principal suspeita é câncer, mediante pedido fundamentado do médico.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: guarde a data do laudo da biópsia e uma cópia dele. É essa data que conta para os 60 dias. Se o prazo estiver estourando, registre o caso na Ouvidoria-Geral do SUS, pelo telefone 136 ou na ouvidoria da secretaria de saúde, com o laudo e os encaminhamentos em mãos.

Como é feita a radioterapia e quantas sessões são?

Existem dois tipos principais, descritos pelo INCA:

  1. Radioterapia externa (teleterapia): o aparelho fica afastado do corpo, o paciente fica deitado e as aplicações são geralmente diárias, de segunda a sexta.
  2. Braquiterapia: aplicadores ficam em contato com a região tratada e a fonte de radiação passa por cateteres. É feita no ambulatório, às vezes com sedação ou anestesia, de uma a duas vezes por semana.

Não existe número padrão de sessões. A quantidade depende da extensão e da localização do tumor, dos exames e do estado de saúde de cada pessoa. Antes da primeira aplicação, a área é marcada na pele e, às vezes, é feito um molde de plástico, segundo o INCA.

Quem faz radioterapia fica radioativo?

Na braquiterapia, o INCA afirma que, quando termina o tratamento, o paciente não sai “transmitindo” radiação aos outros. A orientação de cuidados com a família, com crianças ou na gravidez deve ser confirmada com a equipe que acompanha o caso, porque depende do tipo de tratamento.

Quais são os efeitos colaterais da radioterapia?

Os efeitos dependem da dose, da região tratada e dos cuidados do paciente. Segundo as perguntas frequentes do INCA, costumam surgir por volta da terceira semana e melhoram algumas semanas depois do fim do tratamento. Os mais comuns são:

Região tratadaEfeitos citados pelo INCA
Pele da área irradiadaVermelhidão, escurecimento, descamação, coceira e queda de pelos no local
Cabeça e pescoçoDificuldade para engolir
PelveDiarreia e irritação urinária
GeralCansaço, falta de apetite e náusea

A pele volta ao normal, em geral, um ou dois meses após o fim do tratamento. Avise a equipe se tiver febre de 38 °C ou mais, dor, bolhas, assaduras ou secreção na área tratada.

Como cuidar da pele durante a radioterapia?

As recomendações do INCA para reduzir a irritação são simples e fazem diferença:

  1. Beber de 2 a 3 litros de líquidos por dia, salvo restrição médica.
  2. Usar só o creme hidratante indicado pela equipe, em camada fina, depois da sessão.
  3. Chegar para a aplicação com a pele limpa, sem creme.
  4. Tomar banho morno, com sabonete neutro e sem perfume, sem jato forte do chuveiro na área.
  5. Secar com leves toques, sem esfregar nem coçar.
  6. Não expor a área ao sol, ao mar ou à piscina e não usar esparadrapo no local.
  7. Usar roupas largas de algodão e não depilar a área com lâmina ou cera.
  8. Não fumar e não beber álcool durante o tratamento.
Orientação do farmacêuticoNa farmácia, é comum a pessoa em radioterapia pedir pomada de assadura, óleo ou creme com perfume para a pele vermelha. Não use nada por conta própria na área irradiada: alguns produtos aumentam a irritação ou atrapalham a sessão seguinte. Leve o rótulo para a enfermagem da radioterapia aprovar antes.

Prevenção e diagnóstico precoce ainda contam

Quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores as chances de um tratamento menos agressivo. Dois exemplos do SUS: a mamografia de rastreamento do câncer de mama e a vacina do HPV, que previne o câncer do colo do útero. Todo o conteúdo do FarmaCerto segue a nossa política editorial, com fontes oficiais citadas no texto.

Perguntas frequentes

Sim. Pacientes com câncer encaminhados pela regulação fazem radioterapia sem custo em hospitais habilitados em oncologia do SUS.
Não. Segundo o INCA, as radiações não são vistas e o paciente não sente nada durante a aplicação. Na braquiterapia, alguns casos usam sedação para a colocação dos aplicadores.
Não há número fixo. Depende da extensão e da localização do tumor, dos exames e do estado de saúde. Na radioterapia externa, as aplicações costumam ser diárias, de segunda a sexta.
A Lei 12.732/2012 garante até 60 dias, contados do laudo patológico, para começar o primeiro tratamento (cirurgia, radioterapia ou quimioterapia), ou prazo menor se o caso exigir.
Na braquiterapia, o INCA afirma que, ao fim do tratamento, o paciente não sai transmitindo radiação aos outros. Dúvidas sobre convívio com crianças e gestantes devem ser tiradas com a equipe.
Costumam surgir por volta da terceira semana e melhorar algumas semanas após o fim. A pele em geral volta ao normal em um ou dois meses.
Só o hidratante indicado pela equipe, em camada fina, depois da sessão. Antes da aplicação a pele deve estar limpa e sem creme.
Depende do cansaço e do tipo de trabalho. O INCA cita que algumas pessoas se afastam e outras reduzem a carga horária; combine com o médico.

Fontes: INCA, Radioterapia. INCA, Perguntas frequentes sobre radioterapia. Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012 (com o § 3º incluído pela Lei nº 13.896/2019). Ministério da Saúde, Santos (SP) passa a contar com dois aceleradores lineares para tratar pacientes com câncer, 17/10/2026.

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação do médico ou do farmacêutico que acompanha o seu caso.


Descubra mais sobre FarmaCerto

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *