Ácido Fólico Antes de Engravidar: Dose, Até Quando Tomar e Como Prevenir a Espinha Bífida

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Ácido fólico antes da gravidez, direto ao ponto

Para prevenir a espinha bífida e outros defeitos do tubo neural, o Ministério da Saúde recomenda 400 microgramas (0,4 mg) de ácido fólico por dia, começando pelo menos um mês antes de engravidar e mantendo até a 12ª semana de gestação.

  1. Dose geral: 0,4 mg de ácido fólico, por via oral, uma vez ao dia.
  2. Início: pelo menos 4 semanas antes da concepção, ou seja, ainda no planejamento.
  3. Duração para essa prevenção: até a 12ª semana de gestação.
  4. Dose maior (acima de 4 mg) só com indicação médica, como em quem já teve gestação com defeito do tubo neural.
  5. No SUS, ferro e ácido fólico são gratuitos nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde.

O dia 25 de outubro marca o Dia Mundial da Espinha Bífida e Hidrocefalia, e a mensagem mais útil dessa data cabe em um comprimido pequeno: o ácido fólico tomado antes da gravidez. Este guia reúne o que o Ministério da Saúde e a Anvisa dizem sobre dose, prazo e acesso gratuito.

Qual a dose de ácido fólico para quem quer engravidar?

A publicação Saúde Brasil 2020/2021, do Ministério da Saúde, descreve como medida de prevenção do primeiro caso de defeito do tubo neural “o uso materno de 400 µg de ácido fólico, via oral, uma vez ao dia” (Saúde Brasil 2020/2021: anomalias congênitas, Ministério da Saúde). Em linguagem de farmácia, 400 microgramas é o mesmo que 0,4 mg.

O ácido fólico não substitui a vitamina B12, que é outro nutriente, com outra função, e às vezes aparece junto em polivitamínicos.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: confira na caixa a quantidade de ácido fólico por comprimido. Existem apresentações de 0,4 mg e de 5 mg, e são coisas muito diferentes. Para a prevenção geral, a recomendação é 0,4 mg. A de 5 mg só faz sentido quando o médico indicar.

Quando começar e até quando tomar ácido fólico?

O mesmo documento do Ministério indica o uso “pelo menos quatro semanas (um mês) antes da concepção até a 12ª semana de gestação” (Ministério da Saúde, 2021). O detalhe que mais passa despercebido é o começo: a recomendação vale para quem está tentando engravidar, e não só para quem já está grávida. Quem descobre a gestação e ainda não tomava deve procurar a UBS ou o pré-natal e começar o quanto antes, conforme a orientação da equipe.

Depois da 12ª semana, a suplementação pode continuar por outro motivo. A Conitec registra que a orientação do Ministério para prevenir anemia é manter o suplemento durante toda a gestação (Relatório Conitec nº 377, 2018). Quem decide é o pré-natal.

SituaçãoO que o Ministério da Saúde descreve
Planejando engravidar, sem histórico0,4 mg por dia, desde 4 semanas antes da concepção até a 12ª semana
Já teve gestação com defeito do tubo neuralDoses maiores que 4 mg, pelo mesmo período, com indicação médica
Usa anticonvulsivante ou tem história familiar de defeito do tubo neuralSituações em que dose mais alta também é recomendada, definida pelo médico

Quem precisa de dose maior de ácido fólico?

Para prevenir a repetição do problema em quem já teve um bebê com defeito do tubo neural, o Ministério da Saúde cita “doses maiores são recomendadas (>4 mg), pelo mesmo período”. O texto também lista o “uso de anticonvulsivantes durante a gestação” e a história familiar de defeito do tubo neural entre as situações de dose mais alta (Saúde Brasil 2020/2021).

Não troque nem pare remédio por conta própriaQuem usa anticonvulsivante e quer engravidar não deve suspender o tratamento sozinha. O caminho é conversar com o médico antes, para ajustar o plano e definir a dose de ácido fólico.

O que é espinha bífida e por que o ácido fólico importa

A espinha bífida faz parte dos defeitos do tubo neural, um dos oito grupos de anomalias congênitas que o Ministério da Saúde considera prioritários para vigilância ao nascimento (Ministério da Saúde). O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde registrou 13.327 casos de defeitos do tubo neural notificados ao nascimento entre 2010 e 2019, com prevalência de 4,57 por 10 mil nascidos vivos (Boletim Epidemiológico vol. 52, nº 6, fevereiro de 2021). O próprio boletim compara esse número com a média latino-americana de 16,66 por 10 mil e o considera muito abaixo do esperado, o que sugere casos sem registro.

A farinha de trigo já tem ácido fólico?

Sim. No Brasil, as farinhas de trigo e de milho são obrigatoriamente enriquecidas com ferro e ácido fólico. A Anvisa exige “no mínimo 140 microgramas e no máximo de 220 microgramas de ácido fólico em 100 gramas” de farinha (Anvisa, perguntas e respostas sobre enriquecimento de farinhas, 3ª edição, 2021). A regra veio da RDC 150/2017, revisada e consolidada na RDC 604/2022 (Anvisa, 2022). O mesmo documento da Anvisa relata redução de cerca de 30% na prevalência de defeitos do tubo neural nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul depois do enriquecimento.

A farinha ajuda a população inteira, mas não garante a dose de 0,4 mg por dia que o Ministério recomenda no período antes da gravidez. Por isso o comprimido continua sendo a orientação.

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O SUS dá ácido fólico de graça?

Sim. O relatório da Conitec de 2018 registra que, pelo Programa Nacional de Suplementação de Ferro, os suplementos de ferro e ácido fólico “deverão estar gratuitamente disponíveis nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde”, conforme a Portaria nº 1.977/2014 (Conitec, 2018). Na prática, procure a UBS do seu bairro, de preferência já na consulta de planejamento ou no início do pré-natal. Nessa mesma fase vale conferir as vacinas indicadas para a gestação, como a vacina contra a bronquiolite para gestantes.

A mesma Conitec avaliou e decidiu não incorporar ao SUS uma associação de ácido fólico com vitamina E (DTN-Fol). Ou seja, o SUS oferece o ácido fólico isolado, que é o que a recomendação pede.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, diria exatamente isso: o ácido fólico pode ser retirado de graça na UBS, mas precisa ser tomado no tempo certo. Comece no planejamento, tome todos os dias e leve a caixa para a primeira consulta do pré-natal.

Outros suplementos na gravidez

O ácido fólico é a recomendação central para a prevenção de defeitos do tubo neural. Outros suplementos, como o ômega-3, têm outras finalidades e evidências próprias, que explicamos no guia de ômega-3 na gravidez. Qualquer suplemento extra deve ser combinado com quem acompanha o pré-natal.

Depois do nascimento, consulte doses e cuidados com remédios para crianças no guia do FarmaCerto.

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Perguntas frequentes

Segundo o Ministério da Saúde, a dose para prevenir o primeiro caso de defeito do tubo neural é 400 microgramas (0,4 mg) de ácido fólico por via oral, uma vez ao dia.
Pelo menos quatro semanas, ou um mês, antes da concepção. Por isso a recomendação vale para quem está planejando engravidar, e não só para quem já teve o teste positivo.
Para a prevenção de defeitos do tubo neural, o Ministério da Saúde indica manter até a 12ª semana de gestação. Depois disso, o pré-natal define se a suplementação continua por outros motivos, como a prevenção de anemia.
O Ministério da Saúde cita doses maiores que 4 mg, pelo mesmo período, para prevenir a repetição do problema em quem já teve gestação com defeito do tubo neural, e também dose mais alta em situações como uso de anticonvulsivantes e história familiar de defeito do tubo neural. A dose maior é sempre definida pelo médico.
Sim. Pelo Programa Nacional de Suplementação de Ferro, os suplementos de ferro e ácido fólico devem estar disponíveis gratuitamente nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde, conforme a Portaria nº 1.977/2014 citada pela Conitec.
É um dos defeitos do tubo neural, grupo de anomalias congênitas que o Ministério da Saúde considera prioritário para vigilância ao nascimento. A medida de prevenção descrita pelo Ministério é o ácido fólico desde antes da concepção até a 12ª semana.
Sim. As farinhas de trigo e de milho vendidas no Brasil são obrigatoriamente enriquecidas com 140 a 220 microgramas de ácido fólico a cada 100 gramas, regra da RDC 150/2017, consolidada na RDC 604/2022 da Anvisa. Isso ajuda, mas não substitui o comprimido recomendado antes da gravidez.
A dose de 0,4 mg é a recomendação geral do Ministério da Saúde para quem planeja engravidar, mas o ideal é combinar com a equipe da UBS ou com o médico, principalmente se você usa algum remédio contínuo ou já teve um bebê com defeito do tubo neural.

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