Lorazepam e Clonazepam São a Mesma Coisa? Diferenças Explicadas

Por Wagner Fernandes, Farmacêutico (CRF-RO 4509) · Revisado em outubro de 2026
Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner Fernandes · CRF-RO 4509Fundador FarmaCerto · Empresário · RT Farmácia e Hospital

Lorazepam e clonazepam, direto ao ponto

  1. Não são a mesma coisa: são dois benzodiazepínicos diferentes
  2. O clonazepam é usado principalmente em convulsões e no transtorno de pânico
  3. O lorazepam é usado principalmente na ansiedade
  4. O clonazepam costuma ter ação mais prolongada; o lorazepam, mais curta
  5. Os dois exigem receita azul (Notificação de Receita B) e não devem ser trocados ou interrompidos por conta própria

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Por que tanta gente confunde os dois

Lorazepam e clonazepam pertencem à mesma família, os benzodiazepínicos, a mesma do diazepam, do alprazolam e do bromazepam. Todos aumentam a ação de um neurotransmissor que acalma o sistema nervoso, por isso produzem efeitos parecidos: redução da ansiedade, relaxamento muscular e sonolência. Os nomes terminados em “azepam” reforçam a confusão no balcão.

A semelhança termina aí. Cada substância tem indicação aprovada, tempo de ação e dose próprios. Para conhecer cada um em detalhe, veja o guia do lorazepam e o guia do clonazepam.

As diferenças que importam na prática

PontoLorazepamClonazepam
Uso principalAnsiedade; insônia associada à ansiedadeConvulsões e transtorno de pânico
Duração do efeitoMais curtaMais prolongada
Frequência habitualDuas ou três vezes ao dia, conforme prescriçãoUma a três vezes ao dia, conforme prescrição
ReceitaNotificação de Receita B (azul), lista B1 da Portaria 344/1998
InterrupçãoSempre gradual, com orientação médica

As indicações e a frequência de uso seguem as fichas oficiais da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos para o lorazepam e para o clonazepam. No Brasil, a bula do produto registrado e a prescrição do médico são a referência final.

Se estivesse no balcão com você agoraDiria exatamente isso: o fato de os dois “acalmarem” não quer dizer que um pode entrar no lugar do outro. Já vi paciente que, na falta de um, tomou o do parente. É assim que acontecem sonolência excessiva, queda e mistura perigosa com álcool.

Quando o médico escolhe um ou outro

A escolha depende do diagnóstico. No transtorno de pânico, o clonazepam é uma opção conhecida por ter efeito mais duradouro ao longo do dia. Na ansiedade generalizada, benzodiazepínicos como o lorazepam costumam ser usados por períodos curtos, muitas vezes enquanto o tratamento de base, como a sertralina, começa a fazer efeito. Se a queixa principal é dormir mal, vale entender as causas da insônia antes de pensar em calmante.

Ansiedade e pânico também são tratados com psicoterapia. A psicóloga e neuropsicóloga Thays Gomes Gama (CRP 24/03693) atua nessa área, e o teste de ansiedade GAD-7 ajuda a organizar o que você está sentindo antes da consulta.

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Riscos que valem para os dois

Desde 2020, a FDA exige um alerta em destaque na bula de todos os benzodiazepínicos sobre abuso, uso indevido, dependência física e reações de abstinência. Na prática, isso significa:

  • Não aumentar a dose nem prolongar o uso sem falar com o médico
  • Não parar de uma vez: a retirada deve ser gradual
  • Não misturar com álcool, outros sedativos ou opioides, pela soma de efeitos sobre a respiração; veja mais sobre álcool e medicamentos
  • Evitar dirigir até saber como o remédio afeta você
Procure atendimento imediatoSe houver sonolência extrema, dificuldade para respirar, respiração lenta ou a pessoa não responder, principalmente se o medicamento foi usado junto com álcool ou outros remédios.

Receita azul: o que muda na farmácia

Lorazepam e clonazepam estão na lista B1 da Portaria SVS/MS nº 344/1998. A dispensação exige a Notificação de Receita B, de cor azul, que vale por 30 dias a partir da emissão e somente no estado em que foi emitida. A farmácia retém a notificação. Para entender os tipos de receita, veja o guia de receitas de medicamentos.

Se estivesse no balcão com você agoraSe você usa um desses há meses e quer parar, isso é possível e comum. Só não faça sozinho. Leve ao médico um plano de redução gradual e conte com o farmacêutico para organizar os horários.

Perguntas Frequentes

Não. Os dois são benzodiazepínicos e agem de forma parecida no cérebro, mas são substâncias diferentes, com indicações, duração de efeito e doses diferentes. Um não substitui o outro sem orientação médica.
Não existe resposta única, porque a potência depende da dose e da indicação. O que muda na prática é o perfil: o clonazepam costuma ter ação mais prolongada e o lorazepam ação mais curta. A escolha e a dose são decisão do médico.
O clonazepam é usado principalmente no controle de alguns tipos de convulsão e no tratamento do transtorno de pânico, conforme a indicação médica.
O lorazepam é usado principalmente no tratamento da ansiedade e, em algumas situações, da insônia associada à ansiedade, sempre com prescrição.
Não. As doses não são equivalentes de forma simples e a troca sem acompanhamento pode causar sedação excessiva ou sintomas de abstinência. Qualquer troca deve ser feita pelo médico.
Sim. Lorazepam e clonazepam são psicotrópicos da lista B1 da Portaria 344/1998 e exigem Notificação de Receita B, de cor azul, válida por 30 dias e só no estado onde foi emitida.
Não é recomendado. Álcool soma o efeito sedativo e aumenta o risco de sonolência intensa, quedas e depressão da respiração.
Não. A interrupção abrupta pode causar abstinência, incluindo ansiedade de rebote, tremores e até convulsões. A retirada deve ser gradual e orientada pelo médico.

Fontes: MedlinePlus, Lorazepam e MedlinePlus, Clonazepam (U.S. National Library of Medicine). FDA, “Benzodiazepine Drug Class: Drug Safety Communication, Boxed Warning Updated to Improve Safe Use”, 23/09/2020. Ministério da Saúde, Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998.


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