
Artrite reumatoide, direto ao ponto
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica que causa dor, inchaço e rigidez ao acordar em várias articulações dos dois lados do corpo, e o SUS trata com metotrexato como primeira escolha, além de outros remédios orais e biológicos, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.
- Sinal típico: dor e inchaço simétricos em mãos, punhos e pés, com rigidez matinal
- Diagnóstico: avaliação clínica somada a fator reumatoide, anti-CCP, VHS e PCR; nenhum exame sozinho confirma
- Primeiro remédio: metotrexato, uma vez por semana, com ácido fólico semanal
- Se não controlar: biológicos ou alvo-específicos, depois de rastrear tuberculose
Em 30 de outubro é lembrado o Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, que consta no calendário de datas da saúde da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério. É uma boa hora para entender a artrite reumatoide e saber o que o SUS oferece.
O que é artrite reumatoide e como ela começa?
É uma doença inflamatória crônica de causa desconhecida que inflama as articulações. O PCDT descreve o quadro como uma poliartrite simétrica e aditiva: várias articulações, dos dois lados do corpo, que vão se somando com o tempo, com dor e rigidez matinal. As mais atingidas são as pequenas articulações das mãos (metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais), os punhos e os dedos dos pés; ombros, cotovelos, quadris, joelhos e tornozelos também podem ser afetados.
Outras doenças inflamatórias crônicas com protocolo próprio no SUS são a psoríase e o lúpus, que ganhou um novo medicamento aprovado pela Anvisa.
Quais exames mostram artrite reumatoide?
Nenhum exame isolado confirma o diagnóstico, afirma o PCDT de Artrite Reumatoide. O médico soma a história e o exame das articulações aos exames de sangue e usa os critérios de classificação ACR/EULAR de 2010, em que uma pontuação de 6 ou mais classifica a doença.
| Exame | O que o PCDT diz |
|---|---|
| Fator reumatoide | Sensibilidade de 75% e especificidade de 85% |
| Anti-CCP | Sensibilidade de 75% e especificidade de 95%; não é obrigatório e costuma ficar para quando o fator reumatoide vem negativo |
| VHS ou PCR | Marcadores de inflamação; alterados somam pontos nos critérios de 2010 |
| Radiografia de tórax | Obrigatória antes de biológico, para afastar tuberculose ativa |
Na prática, o caminho no SUS começa na Unidade Básica de Saúde, que pede os primeiros exames e encaminha ao reumatologista. Explicamos esse trajeto no passo a passo para conseguir consulta com especialista pelo SUS.
Quais remédios o SUS oferece para artrite reumatoide?
O PCDT organiza o tratamento em classes. Os remédios modificadores do curso da doença (MMCD) são os que controlam a inflamação e protegem a articulação; anti-inflamatórios e corticoides aliviam sintomas.
| Classe | Medicamentos listados no PCDT |
|---|---|
| MMCD sintéticos | Metotrexato, leflunomida, sulfassalazina, cloroquina, hidroxicloroquina |
| MMCD biológicos | Abatacepte, adalimumabe, certolizumabe pegol, etanercepte, golimumabe, infliximabe, rituximabe, tocilizumabe |
| MMCD alvo-específicos | Baricitinibe, tofacitinibe, upadacitinibe |
| Glicocorticoides | Prednisona, prednisolona, metilprednisolona |
| Anti-inflamatórios (AINE) | Ibuprofeno, naproxeno |
O anti-inflamatório alivia a dor, mas não muda o curso da doença. Antes de usar por conta própria, veja os cuidados com o ibuprofeno. O corticoide também entra como apoio, e quem usa por tempo prolongado deve conhecer os efeitos da prednisona. Se a dúvida é a saúde dos ossos, veja quem deve fazer densitometria no nosso guia de osteoporose no SUS.
Como funciona o tratamento em etapas?
- Primeira etapa: metotrexato, que o PCDT diz que “deve ser a primeira escolha terapêutica”. Leflunomida, sulfassalazina ou hidroxicloroquina são alternativas.
- Segunda etapa: depois de pelo menos dois esquemas da primeira etapa, de pelo menos 3 meses cada, sem controle, entra um biológico ou alvo-específico, em geral junto com o metotrexato.
- Terceira etapa: depois de pelo menos 3 meses na segunda etapa sem resposta, outro biológico ou alvo-específico ainda não usado.
Antes de biológico ou alvo-específico, o protocolo manda pesquisar tuberculose ativa e latente. A radiografia de tórax é feita mesmo sem sintomas; com prova tuberculínica de 5 mm ou mais ou IGRA reagente, trata-se a infecção latente, e o biológico começa quatro semanas depois. O PCDT também recomenda atualizar a vacinação.
Metotrexato: como é usado e que exames pede?
No quadro de doses do PCDT, o metotrexato aparece de 7,5 a 25 mg, uma vez por semana, por via oral, subcutânea ou intramuscular. O protocolo preconiza ácido fólico 5 mg, uma vez por semana, 36 horas depois do metotrexato. Para as outras opções orais, o quadro traz leflunomida 20 mg uma vez ao dia, sulfassalazina de 1 a 3 g por dia em comprimidos de 500 mg e hidroxicloroquina 400 mg uma vez ao dia. A dose de cada pessoa é definida pelo médico.
O monitoramento do metotrexato inclui hemograma, creatinina e transaminases: a cada 2 a 4 semanas nos primeiros 3 meses, a cada 8 a 12 semanas do terceiro ao sexto mês e a cada 12 semanas depois disso. O medicamento é contraindicado na gestação, na amamentação e na concepção, para mulheres e homens.
O que ajuda além dos remédios?
O PCDT afirma que “exercícios contra resistência são seguros e eficazes na AR” e recomenda parar de fumar, reduzir o álcool, perder peso quando necessário e manter atividade física. Terapia ocupacional, fisioterapia e apoio psicológico também fazem parte do cuidado. Sobre suplementos, o ômega-3 é muito procurado para inflamação; veja o que os estudos mostram no nosso texto sobre ômega-3 para inflamação e converse com o médico antes de associar ao tratamento.
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