Artrite Reumatoide: Sintomas, Exames e os Remédios que o SUS Oferece

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Artrite reumatoide, direto ao ponto

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica que causa dor, inchaço e rigidez ao acordar em várias articulações dos dois lados do corpo, e o SUS trata com metotrexato como primeira escolha, além de outros remédios orais e biológicos, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.

  1. Sinal típico: dor e inchaço simétricos em mãos, punhos e pés, com rigidez matinal
  2. Diagnóstico: avaliação clínica somada a fator reumatoide, anti-CCP, VHS e PCR; nenhum exame sozinho confirma
  3. Primeiro remédio: metotrexato, uma vez por semana, com ácido fólico semanal
  4. Se não controlar: biológicos ou alvo-específicos, depois de rastrear tuberculose

Em 30 de outubro é lembrado o Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, que consta no calendário de datas da saúde da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério. É uma boa hora para entender a artrite reumatoide e saber o que o SUS oferece.

O que é artrite reumatoide e como ela começa?

É uma doença inflamatória crônica de causa desconhecida que inflama as articulações. O PCDT descreve o quadro como uma poliartrite simétrica e aditiva: várias articulações, dos dois lados do corpo, que vão se somando com o tempo, com dor e rigidez matinal. As mais atingidas são as pequenas articulações das mãos (metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais), os punhos e os dedos dos pés; ombros, cotovelos, quadris, joelhos e tornozelos também podem ser afetados.

Outras doenças inflamatórias crônicas com protocolo próprio no SUS são a psoríase e o lúpus, que ganhou um novo medicamento aprovado pela Anvisa.

Quais exames mostram artrite reumatoide?

Nenhum exame isolado confirma o diagnóstico, afirma o PCDT de Artrite Reumatoide. O médico soma a história e o exame das articulações aos exames de sangue e usa os critérios de classificação ACR/EULAR de 2010, em que uma pontuação de 6 ou mais classifica a doença.

ExameO que o PCDT diz
Fator reumatoideSensibilidade de 75% e especificidade de 85%
Anti-CCPSensibilidade de 75% e especificidade de 95%; não é obrigatório e costuma ficar para quando o fator reumatoide vem negativo
VHS ou PCRMarcadores de inflamação; alterados somam pontos nos critérios de 2010
Radiografia de tóraxObrigatória antes de biológico, para afastar tuberculose ativa

Na prática, o caminho no SUS começa na Unidade Básica de Saúde, que pede os primeiros exames e encaminha ao reumatologista. Explicamos esse trajeto no passo a passo para conseguir consulta com especialista pelo SUS.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, eu diria exatamente isso: dor nas juntas das mãos dos dois lados, com rigidez ao acordar que demora para soltar, merece consulta, e não só analgésico por conta própria. Anote há quanto tempo a dor existe, quais articulações incham e quanto tempo dura a rigidez de manhã. Essa anotação ajuda muito o médico.

Quais remédios o SUS oferece para artrite reumatoide?

O PCDT organiza o tratamento em classes. Os remédios modificadores do curso da doença (MMCD) são os que controlam a inflamação e protegem a articulação; anti-inflamatórios e corticoides aliviam sintomas.

ClasseMedicamentos listados no PCDT
MMCD sintéticosMetotrexato, leflunomida, sulfassalazina, cloroquina, hidroxicloroquina
MMCD biológicosAbatacepte, adalimumabe, certolizumabe pegol, etanercepte, golimumabe, infliximabe, rituximabe, tocilizumabe
MMCD alvo-específicosBaricitinibe, tofacitinibe, upadacitinibe
GlicocorticoidesPrednisona, prednisolona, metilprednisolona
Anti-inflamatórios (AINE)Ibuprofeno, naproxeno

O anti-inflamatório alivia a dor, mas não muda o curso da doença. Antes de usar por conta própria, veja os cuidados com o ibuprofeno. O corticoide também entra como apoio, e quem usa por tempo prolongado deve conhecer os efeitos da prednisona. Se a dúvida é a saúde dos ossos, veja quem deve fazer densitometria no nosso guia de osteoporose no SUS.

Como funciona o tratamento em etapas?

  1. Primeira etapa: metotrexato, que o PCDT diz que “deve ser a primeira escolha terapêutica”. Leflunomida, sulfassalazina ou hidroxicloroquina são alternativas.
  2. Segunda etapa: depois de pelo menos dois esquemas da primeira etapa, de pelo menos 3 meses cada, sem controle, entra um biológico ou alvo-específico, em geral junto com o metotrexato.
  3. Terceira etapa: depois de pelo menos 3 meses na segunda etapa sem resposta, outro biológico ou alvo-específico ainda não usado.

Antes de biológico ou alvo-específico, o protocolo manda pesquisar tuberculose ativa e latente. A radiografia de tórax é feita mesmo sem sintomas; com prova tuberculínica de 5 mm ou mais ou IGRA reagente, trata-se a infecção latente, e o biológico começa quatro semanas depois. O PCDT também recomenda atualizar a vacinação.

Metotrexato: como é usado e que exames pede?

No quadro de doses do PCDT, o metotrexato aparece de 7,5 a 25 mg, uma vez por semana, por via oral, subcutânea ou intramuscular. O protocolo preconiza ácido fólico 5 mg, uma vez por semana, 36 horas depois do metotrexato. Para as outras opções orais, o quadro traz leflunomida 20 mg uma vez ao dia, sulfassalazina de 1 a 3 g por dia em comprimidos de 500 mg e hidroxicloroquina 400 mg uma vez ao dia. A dose de cada pessoa é definida pelo médico.

O monitoramento do metotrexato inclui hemograma, creatinina e transaminases: a cada 2 a 4 semanas nos primeiros 3 meses, a cada 8 a 12 semanas do terceiro ao sexto mês e a cada 12 semanas depois disso. O medicamento é contraindicado na gestação, na amamentação e na concepção, para mulheres e homens.

Atenção com o dia da semanaO metotrexato da artrite reumatoide é de uso semanal no PCDT, não diário. Combine com o médico um dia fixo, escreva na caixa e no calendário e nunca mude a frequência por conta própria. Em caso de dúvida sobre como tomar, pergunte ao farmacêutico na hora de retirar o remédio.
Orientação do farmacêuticoGuarde a receita e o laudo junto com os resultados dos exames de controle. Os tipos de receita e a validade de cada uma estão no guia do FarmaCerto logo abaixo. E, se o ácido fólico estiver na receita, ele entra no dia combinado, separado do metotrexato.

O que ajuda além dos remédios?

O PCDT afirma que “exercícios contra resistência são seguros e eficazes na AR” e recomenda parar de fumar, reduzir o álcool, perder peso quando necessário e manter atividade física. Terapia ocupacional, fisioterapia e apoio psicológico também fazem parte do cuidado. Sobre suplementos, o ômega-3 é muito procurado para inflamação; veja o que os estudos mostram no nosso texto sobre ômega-3 para inflamação e converse com o médico antes de associar ao tratamento.

Dúvida sobre tipo de receita, validade e o que a farmácia pode aceitar? Confira no guia do FarmaCerto.

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Perguntas Frequentes

É uma doença inflamatória crônica, de causa desconhecida, que ataca as articulações dos dois lados do corpo, principalmente mãos, punhos e pés.
Dor e inchaço em várias articulações ao mesmo tempo, de forma simétrica, e rigidez ao acordar. O protocolo do Ministério da Saúde descreve a doença como poliartrite simétrica e aditiva, com rigidez matinal.
Nenhum exame isolado confirma. O diagnóstico junta a avaliação clínica com exames como fator reumatoide, anti-CCP, VHS e PCR, usando os critérios de classificação ACR/EULAR de 2010.
Não necessariamente. Segundo o PCDT, o fator reumatoide tem sensibilidade de 75% e especificidade de 85%, então pode vir positivo sem a doença e negativo em quem tem a doença.
O metotrexato. O PCDT diz que ele deve ser a primeira escolha terapêutica, com leflunomida, sulfassalazina ou hidroxicloroquina como alternativas na primeira etapa.
Não. No quadro de doses do PCDT, o metotrexato aparece uma vez por semana, de 7,5 a 25 mg, por via oral, subcutânea ou intramuscular. A dose e o dia são definidos pelo médico.
O PCDT preconiza ácido fólico 5 mg uma vez por semana, 36 horas depois do metotrexato, como parte do tratamento. Siga o esquema da receita.
Não durante o tratamento. O PCDT contraindica o metotrexato na gestação, na amamentação e na concepção, para mulheres e homens. Quem planeja filhos deve conversar com o reumatologista antes.

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