Menopausa: Sintomas, Terapia Hormonal e Quando Procurar o SUS

Wagner Fernandes, farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Menopausa, direto ao ponto

A menopausa é a última menstruação e costuma acontecer entre os 45 e os 55 anos; o sintoma mais típico são as ondas de calor, e a terapia hormonal alivia esses sintomas, mas tem contraindicações e deve ser decidida com o médico, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

  1. Climatério é a fase de transição; menopausa é a última menstruação
  2. Mais de 70% das mulheres têm sintomas no climatério
  3. Terapia hormonal: alivia fogachos e ressecamento vaginal, mas não é para todas
  4. Há opções sem hormônio, sempre com indicação médica
  5. A porta de entrada no SUS é a unidade básica de saúde

O que é menopausa e o que é climatério?

Climatério é a fase de transição do período fértil para o não reprodutivo, e menopausa é o último ciclo menstrual, explica a BVS do Ministério da Saúde. O Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa do Ministério da Saúde (2008) lembra que o climatério é uma fase biológica, não uma doença, e que a menopausa acontece em geral em torno dos 48 aos 50 anos. Quando a menstruação para por volta dos 40 anos, fala-se em menopausa precoce, que merece avaliação.

O 18 de outubro é o Dia Mundial da Menopausa, data lembrada pela BVS do Ministério da Saúde. Ela importa porque, com a expectativa de vida atual, a mulher passa cerca de um terço da vida depois da menopausa, segundo a mesma biblioteca.

Quais são os sintomas da menopausa?

Mais de 70% das mulheres apresentam sintomas durante o climatério, de acordo com a BVS do Ministério da Saúde. Os mais citados:

SintomaComo costuma aparecer
Ondas de calor (fogachos)Calor súbito no rosto, pescoço e parte de cima do tronco
SonoDificuldade para dormir ou despertares à noite
HumorIrritabilidade, choro fácil, tristeza
Região íntimaRessecamento vaginal e queda da libido
Ossos e coraçãoPerda de massa óssea e aumento do risco cardiovascular, sem sintomas no começo

A perda de massa óssea é silenciosa e é o motivo de muitas mulheres descobrirem a osteoporose e a indicação de densitometria só depois de uma fratura. Se o sono piorou muito, vale medir o problema com o teste de insônia indicado mais abaixo antes da consulta.

Orientação do farmacêuticoSe estivesse no balcão com você agora, eu diria exatamente isso: anote por duas semanas quantas ondas de calor você tem por dia, como dormiu e se a menstruação veio. Esse diário simples ajuda o médico a decidir se vale tratar e com o quê, e evita que você saia da consulta só com um “é normal da idade”.

Terapia hormonal na menopausa: para quem é indicada?

A terapia hormonal tem benefício claro no alívio das ondas de calor e dos sintomas geniturinários, afirma o manual do Ministério da Saúde, que orienta individualizar cada caso, com a menor dose e pelo período necessário. A BVS do Ministério da Saúde acrescenta que ela ajuda a prevenir fraturas e que quem tem útero precisa usar progesterona junto com o estrogênio, para proteger o endométrio; quem retirou o útero pode usar só estrogênio.

A mesma fonte lista os riscos: pequeno aumento do risco de câncer de mama e aumento do risco de AVC, trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Efeitos colaterais comuns incluem sangramento vaginal, inchaço, dor de cabeça, alteração de humor e dor nas mamas.

Quem não pode fazer reposição hormonal?

Segundo a BVS do Ministério da Saúde, a reposição hormonal não é indicada para quem tem antecedente de câncer de mama, doença coronariana, AVC, sangramento genital sem causa definida ou alto risco para essas condições.

Não use hormônio por conta própriaHormônio emprestado da amiga, manipulado sem receita ou “natural” comprado pela internet pode mascarar um sangramento que precisa ser investigado e aumentar o risco de trombose. A terapia hormonal só deve começar depois de avaliação médica, com exames em dia.

Tem tratamento para ondas de calor sem hormônio?

Sim. A BVS do Ministério da Saúde cita antidepressivos, fitoterápicos e cremes vaginais, hormonais ou lubrificantes, sempre com indicação médica conforme os sintomas. Para quem não pode usar hormônio, existe também o fezolinetante, que explicamos no texto sobre o Veoza, remédio sem hormônio aprovado pela Anvisa.

O manual do Ministério da Saúde indica evitar gatilhos das ondas de calor: bebida alcoólica, alimentos e bebidas quentes, ambientes abafados, roupas quentes e estresse.

Orientação do farmacêuticoFitoterápico e suplemento não são inofensivos. Se você usa remédio para pressão, anticoagulante ou antidepressivo, mostre ao farmacêutico o produto antes de começar. Para ossos, a vitamina D só deve ser suplementada com orientação, de preferência depois de dosar no sangue.

Como cuidar do coração e dos ossos depois da menopausa?

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, e a maioria dos infartos e AVCs pode ser prevenida, destaca a BVS do Ministério da Saúde. Os cinco hábitos citados: não fumar, fazer atividade física regular, comer de forma saudável, manter o peso adequado e dormir o suficiente. Manter o acompanhamento ginecológico mesmo depois da última menstruação também está na recomendação oficial.

Mudança de humor que dura semanas não deve ser tratada só como “coisa da menopausa”: veja os sinais de depressão e quando buscar ajuda.

O sono piorou depois que a menstruação mudou?

Fazer o teste de insônia

Como buscar atendimento para a menopausa pelo SUS?

A Atenção Básica é o nível adequado para a maior parte das necessidades de saúde da mulher no climatério, com encaminhamento ao especialista quando indicado, segundo o manual do Ministério da Saúde. Na prática, o caminho começa na unidade básica de saúde do seu bairro: leve o diário de sintomas, a lista de remédios que usa e os últimos exames.

Perguntas Frequentes

Em geral entre os 45 e os 55 anos, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Quando acontece por volta dos 40 anos, é chamada de menopausa precoce ou prematura.
Climatério é a fase de transição entre a vida fértil e a não reprodutiva. Menopausa é a última menstruação, um marco dentro do climatério.
Ondas de calor (fogachos) são o sintoma mais típico. Também são comuns alterações do sono, do humor e da libido e ressecamento vaginal, além de perda de massa óssea e aumento do risco cardiovascular.
Ela alivia ondas de calor e ressecamento vaginal e ajuda a prevenir fraturas, mas tem riscos, como pequeno aumento do risco de câncer de mama, AVC e trombose. Por isso a decisão é individual, feita com o médico, e nunca por automedicação.
O Ministério da Saúde cita como contraindicações o histórico de câncer de mama, doença coronariana, AVC, sangramento genital sem causa definida e alto risco para essas condições. Quem tem histórico de trombose também precisa de avaliação cuidadosa.
Sim. Há opções não hormonais indicadas pelo médico conforme os sintomas, como alguns antidepressivos e, mais recentemente, o fezolinetante, aprovado pela Anvisa. Lubrificantes vaginais ajudam no ressecamento.
Sim. Pelo manual do Ministério da Saúde, a Atenção Básica (posto ou UBS) é o nível adequado para a maior parte das necessidades dessa fase, com encaminhamento ao especialista quando indicado.
Em 18 de outubro. A data é usada para lembrar que a mulher passa cerca de um terço da vida depois da menopausa e que cuidar do coração, dos ossos e do sono nessa fase muda a saúde dos anos seguintes.

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