
Teste de DNA-HPV, direto ao ponto
O teste de DNA-HPV é o novo exame de rastreamento do câncer do colo do útero no SUS: substitui o Papanicolau, é indicado a partir dos 25 anos e, com resultado negativo, só precisa ser repetido em 5 anos, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde publicadas em julho de 2025.
- Começa aos 25 anos e não é recomendado antes dessa idade
- Negativo: repetir em 5 anos (3 anos para imunossuprimidas e mulheres com HIV)
- HPV 16 ou 18: encaminhamento direto para colposcopia
- Outros tipos de HPV: citologia feita na mesma amostra, sem nova coleta
- Onde o teste ainda não chegou, o Papanicolau continua valendo
Por que o SUS está trocando o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV?
Porque o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por tipos de HPV de risco, e o teste de DNA-HPV procura diretamente esses vírus, em vez de esperar a alteração aparecer nas células. O exame foi incorporado ao SUS em março de 2024, a Conitec aprovou as novas diretrizes em fevereiro de 2025 e uma portaria do Ministério da Saúde prevê a implementação progressiva em todo o país até o fim de 2026, começando por 12 estados, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A troca muda a rotina de milhões de mulheres. O Brasil deve ter 19.310 casos novos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028, um risco de 17,59 casos por 100 mil mulheres, segundo a estimativa do INCA. É o terceiro câncer mais incidente nas mulheres, e na região Norte a taxa chega a 22,79 por 100 mil. O 17 de novembro é o Dia de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero.
Quem deve fazer o teste de DNA-HPV e a partir de que idade?
Mulheres e pessoas com colo do útero a partir dos 25 anos, segundo a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29 de julho de 2025. A recomendação é forte a partir dos 30 anos e condicional entre 25 e 29. O teste não é recomendado antes dos 25. O rastreamento pode ser encerrado quando o último teste feito depois dos 60 anos der negativo, e quem passou dos 60 sem nunca ter feito o teste deve fazer pelo menos um.
A prevenção começa antes, com a vacina do HPV, que o SUS aplica em dose única. Mas a vacina não substitui o exame: quem foi vacinada também deve seguir o rastreamento.
Tem filhos ou filhas na idade da vacina do HPV? Confira o que falta no calendário.
Verificar o calendário vacinalDe quanto em quanto tempo fazer o exame?
| Situação | Próximo exame |
|---|---|
| Teste de DNA-HPV negativo, risco padrão | Em 5 anos |
| Teste negativo em imunossuprimida ou mulher vivendo com HIV | Em 3 anos |
| Positivo para outro tipo de HPV, com citologia normal | Novo teste de DNA-HPV em 12 meses |
| Local sem teste de DNA-HPV (Papanicolau) | A cada 3 anos, após dois exames anuais seguidos normais |
Os intervalos acima estão nas recomendações 18, 22, 28 e 39 das diretrizes de rastreamento. Onde o teste já foi implantado, ele entra na próxima data de exame da mulher e o Papanicolau de rotina é interrompido.
O que significa cada resultado do teste de DNA-HPV?
Resultado positivo não é diagnóstico de câncer. Ele mostra que existe um tipo de HPV de risco, e o próximo passo depende de qual tipo foi encontrado, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde:
- Negativo: repetir em 5 anos.
- Positivo para HPV 16 e/ou 18: encaminhamento para colposcopia, exame que olha o colo do útero com lente de aumento.
- Positivo para outros tipos: o laboratório faz a citologia na mesma amostra (citologia reflexa). Se houver alteração, colposcopia; se for normal, novo teste em 12 meses.
- Persistência: HPV de outros tipos que continua positivo por 24 meses ou mais leva à colposcopia, mesmo com citologia normal.
- Resultado inválido: nova coleta feita por profissional de saúde.
Quando há indicação de colposcopia ou tratamento, o encaminhamento segue a regulação do SUS, como na consulta com especialista e exames pelo SUS.
Dá para fazer a coleta sozinha?
Em algumas situações, sim. As diretrizes permitem que a coleta seja feita por médico, enfermeiro ou pela própria mulher. A autocoleta é indicada quando há barreiras de acesso ao serviço ou da própria mulher, com o material oferecido de preferência pelos agentes comunitários de saúde. Se depois for necessária a citologia, a coleta precisa ser refeita por um profissional.
Grávidas, mulheres na menopausa e quem tirou o útero: o que muda?
Gestantes podem fazer o teste no pré-natal, com coleta segura em qualquer idade gestacional, ou deixar para depois do parto. Mulheres na pós-menopausa seguem as mesmas regras; se houver ressecamento (atrofia) do colo, o protocolo prevê que o profissional pode indicar estriol vaginal por 14 noites antes da coleta. Sintomas da menopausa não são motivo para parar o rastreamento.
Quem fez histerectomia total por doença benigna, sem lesão de alto grau e com exames anteriores normais, pode sair do rastreamento. Se a cirurgia foi por lesão precursora ou câncer, o acompanhamento continua por pelo menos 25 anos. Mulheres que nunca tiveram relação sexual não precisam ser rastreadas. Mulheres vivendo com HIV ou imunossuprimidas começam após o início da vida sexual, não encerram aos 60 anos e vão para colposcopia com qualquer tipo de HPV positivo. O teste rápido de HIV, assim como o de sífilis, é gratuito na unidade básica.
O câncer do colo do útero tem tratamento no SUS?
Sim. Lesões precursoras encontradas no rastreamento são tratadas antes de virar câncer, e os casos de câncer seguem para os serviços de oncologia, que podem incluir cirurgia, radioterapia pelo SUS e quimioterapia. Junto com a mamografia, o teste de DNA-HPV forma a base da prevenção do câncer na mulher.
Perguntas frequentes
Fontes: Ministério da Saúde, Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, Parte I, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29 de julho de 2025. INCA, INCA lança manual para apoiar gestores do SUS na implementação do teste DNA-HPV, 2025. INCA, Estimativa 2026-2028: síntese de resultados e comentários.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de médico, enfermeiro ou farmacêutico.
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