Teste de DNA-HPV no SUS: o Exame que Substitui o Papanicolau e Pode Ser Feito a Cada 5 Anos

Wagner Fernandes, Farmacêutico CRF-RO 4509
Wagner FernandesFarmacêutico · CRF-RO 4509Revisado clinicamente em outubro de 2026

Teste de DNA-HPV, direto ao ponto

O teste de DNA-HPV é o novo exame de rastreamento do câncer do colo do útero no SUS: substitui o Papanicolau, é indicado a partir dos 25 anos e, com resultado negativo, só precisa ser repetido em 5 anos, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde publicadas em julho de 2025.

  1. Começa aos 25 anos e não é recomendado antes dessa idade
  2. Negativo: repetir em 5 anos (3 anos para imunossuprimidas e mulheres com HIV)
  3. HPV 16 ou 18: encaminhamento direto para colposcopia
  4. Outros tipos de HPV: citologia feita na mesma amostra, sem nova coleta
  5. Onde o teste ainda não chegou, o Papanicolau continua valendo

Por que o SUS está trocando o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV?

Porque o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por tipos de HPV de risco, e o teste de DNA-HPV procura diretamente esses vírus, em vez de esperar a alteração aparecer nas células. O exame foi incorporado ao SUS em março de 2024, a Conitec aprovou as novas diretrizes em fevereiro de 2025 e uma portaria do Ministério da Saúde prevê a implementação progressiva em todo o país até o fim de 2026, começando por 12 estados, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A troca muda a rotina de milhões de mulheres. O Brasil deve ter 19.310 casos novos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028, um risco de 17,59 casos por 100 mil mulheres, segundo a estimativa do INCA. É o terceiro câncer mais incidente nas mulheres, e na região Norte a taxa chega a 22,79 por 100 mil. O 17 de novembro é o Dia de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero.

Quem deve fazer o teste de DNA-HPV e a partir de que idade?

Mulheres e pessoas com colo do útero a partir dos 25 anos, segundo a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29 de julho de 2025. A recomendação é forte a partir dos 30 anos e condicional entre 25 e 29. O teste não é recomendado antes dos 25. O rastreamento pode ser encerrado quando o último teste feito depois dos 60 anos der negativo, e quem passou dos 60 sem nunca ter feito o teste deve fazer pelo menos um.

A prevenção começa antes, com a vacina do HPV, que o SUS aplica em dose única. Mas a vacina não substitui o exame: quem foi vacinada também deve seguir o rastreamento.

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De quanto em quanto tempo fazer o exame?

SituaçãoPróximo exame
Teste de DNA-HPV negativo, risco padrãoEm 5 anos
Teste negativo em imunossuprimida ou mulher vivendo com HIVEm 3 anos
Positivo para outro tipo de HPV, com citologia normalNovo teste de DNA-HPV em 12 meses
Local sem teste de DNA-HPV (Papanicolau)A cada 3 anos, após dois exames anuais seguidos normais

Os intervalos acima estão nas recomendações 18, 22, 28 e 39 das diretrizes de rastreamento. Onde o teste já foi implantado, ele entra na próxima data de exame da mulher e o Papanicolau de rotina é interrompido.

Orientação do farmacêuticoIntervalo maior não é motivo para esquecer o exame. Anote a data do resultado e a data do próximo, porque cinco anos passam rápido. E se você nunca fez nenhum exame preventivo, não espere a campanha: procure a unidade básica de saúde.

O que significa cada resultado do teste de DNA-HPV?

Resultado positivo não é diagnóstico de câncer. Ele mostra que existe um tipo de HPV de risco, e o próximo passo depende de qual tipo foi encontrado, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde:

  1. Negativo: repetir em 5 anos.
  2. Positivo para HPV 16 e/ou 18: encaminhamento para colposcopia, exame que olha o colo do útero com lente de aumento.
  3. Positivo para outros tipos: o laboratório faz a citologia na mesma amostra (citologia reflexa). Se houver alteração, colposcopia; se for normal, novo teste em 12 meses.
  4. Persistência: HPV de outros tipos que continua positivo por 24 meses ou mais leva à colposcopia, mesmo com citologia normal.
  5. Resultado inválido: nova coleta feita por profissional de saúde.

Quando há indicação de colposcopia ou tratamento, o encaminhamento segue a regulação do SUS, como na consulta com especialista e exames pelo SUS.

Dá para fazer a coleta sozinha?

Em algumas situações, sim. As diretrizes permitem que a coleta seja feita por médico, enfermeiro ou pela própria mulher. A autocoleta é indicada quando há barreiras de acesso ao serviço ou da própria mulher, com o material oferecido de preferência pelos agentes comunitários de saúde. Se depois for necessária a citologia, a coleta precisa ser refeita por um profissional.

Grávidas, mulheres na menopausa e quem tirou o útero: o que muda?

Gestantes podem fazer o teste no pré-natal, com coleta segura em qualquer idade gestacional, ou deixar para depois do parto. Mulheres na pós-menopausa seguem as mesmas regras; se houver ressecamento (atrofia) do colo, o protocolo prevê que o profissional pode indicar estriol vaginal por 14 noites antes da coleta. Sintomas da menopausa não são motivo para parar o rastreamento.

Quem fez histerectomia total por doença benigna, sem lesão de alto grau e com exames anteriores normais, pode sair do rastreamento. Se a cirurgia foi por lesão precursora ou câncer, o acompanhamento continua por pelo menos 25 anos. Mulheres que nunca tiveram relação sexual não precisam ser rastreadas. Mulheres vivendo com HIV ou imunossuprimidas começam após o início da vida sexual, não encerram aos 60 anos e vão para colposcopia com qualquer tipo de HPV positivo. O teste rápido de HIV, assim como o de sífilis, é gratuito na unidade básica.

Rastreamento não é para quem tem sintomaO teste de DNA-HPV é para mulheres sem sintomas. Sangramento depois da relação sexual ou fora do período menstrual deve ser avaliado logo, independentemente da data do último exame, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde.

O câncer do colo do útero tem tratamento no SUS?

Sim. Lesões precursoras encontradas no rastreamento são tratadas antes de virar câncer, e os casos de câncer seguem para os serviços de oncologia, que podem incluir cirurgia, radioterapia pelo SUS e quimioterapia. Junto com a mamografia, o teste de DNA-HPV forma a base da prevenção do câncer na mulher.

Perguntas frequentes

É um exame que procura o material genético dos tipos de HPV que podem causar câncer do colo do útero. Ele passou a ser o método de rastreamento do SUS pelas diretrizes publicadas em julho de 2025, no lugar do Papanicolau.
As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam começar aos 25 anos e não fazer o teste antes dessa idade. O rastreamento vai, em geral, até os 64 anos.
Se o resultado for negativo, o teste é repetido em 5 anos. Mulheres imunossuprimidas ou vivendo com HIV repetem em 3 anos.
Ainda não em todo lugar. Onde o teste de DNA-HPV ainda não chegou, continua o Papanicolau: a cada 3 anos, depois de dois exames anuais seguidos normais. Onde o teste já foi implantado, ele substitui o Papanicolau na próxima data de exame.
Não. Significa que há um tipo de HPV de risco. Se for HPV 16 ou 18, a mulher é encaminhada para colposcopia. Se for outro tipo, o laboratório faz a citologia na mesma amostra para decidir o próximo passo.
As diretrizes permitem a autocoleta em situações específicas, como dificuldade de acesso ao serviço, com material oferecido de preferência pelos agentes comunitários de saúde. Se depois for preciso fazer citologia, a coleta é refeita por profissional.
Pode. O teste pode ser feito no pré-natal, com coleta segura em qualquer fase da gestação. Também é considerado seguro deixar para depois do parto.
Depende do motivo. Quem fez histerectomia total por doença benigna, sem lesão de alto grau e com exames anteriores normais, pode sair do rastreamento. Se a cirurgia foi por lesão precursora ou câncer, o acompanhamento continua por pelo menos 25 anos.
Segundo o INCA, uma portaria do Ministério da Saúde prevê a implementação progressiva do exame em todo o país até o fim de 2026, começando por 12 estados.

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